Início Editorial Convém Lembrar Que Os Professores Também São Povo E Também Sustentam Famílias

Convém Lembrar Que Os Professores Também São Povo E Também Sustentam Famílias

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De um primeiro-ministro espera-se bom senso, espera-se que fale verdade, espera-se o cumprimento da Lei. O primeiro-ministro falta a verdade quando diz que não foram apresentadas outras propostas por parte dos sindicatos. Lembro que sindicatos toleraram o pagamento dos 9-4-2 de forma faseada, ao longo de vários anos, indo até contra a opinião de muitos professores, cerca de 22 mil que assinaram a ILC.

Pior ainda é quando um primeiro-ministro, eleito democraticamente, atira para canto o que diz o orçamento de Estado, o que diz o Presidente da República e o que disseram partidos com assento Parlamentar.

António Costa deveria ser o primeiro-ministro de todos os portugueses, mas António Costa sente-se convicto que negar aos professores aquilo que é deles por direito é defender todos os portugueses. Pior ainda é constatar que António Costa baralha professores com sindicatos, apresentando um tom de guerrilha, típico de quem está na luta pelos seus direitos. É caso para perguntar, estará António Costa zangado com os professores?

Há uma clara confusão entre professores, sindicatos e suas ligações a partidos políticos, mas o professor normal não quer saber nada disso, apenas quer o que é dele, o que trabalhou, o que lhe é devido, nada mais, nada menos. Por isso é chocante ouvir um primeiro-ministro falar como se estivesse a fazer um favor aos professores ao devolver-lhes os 9-4-2. António Costa sabe que houve uma violação do contrato laboral, que ninguém concordou em ser congelado, que ninguém concordou em ser prejudicado financeiramente. O tom e conteúdo das intervenções de António Costa e Tiago Rodrigues são ofensivas e não é de agora. Já não basta termos sido furtados como ainda temos de aturar um primeiro-ministro emproado, que esbanja milhões para a banca, mas que depois “chora” por não ter “tostões” para os professores e restantes funcionários públicos.

Lembro que já sabemos quanto custa devolver os 9-4-2 aos professores…

Convém lembrar que os professores também são povo, os professores também têm famílias, também têm que as sustentar e negar-lhes o que é deles, é negar-lhes a melhoria da qualidade de vida dos seus filhos, dos seus conjugues, dos seus pais, etc…

Ninguém está a pedir nada que não lhe é devido e que ainda por cima foi prometido, por isso haja respeito, humildade e compreensão para com a revolta dos professores. É o mínimo que se pede…

Alexandre Henriques


“Só vale a pena” negociar com os professores quando houver “alguma coisa nova a propor”

“Da nossa parte, fomos até onde entendíamos que devíamos ir, e vamos lá ver, só vale a pena negociar quando há alguma coisa nova a propor”, disse o primeiro-ministro aos jornalistas, no final da sua intervenção na conferência “A educação e os desafios do futuro”, que decorreu em Lisboa.

Confrontado com a norma do Orçamento do Estado para este ano, que obriga à existência de negociações, o primeiro-ministro foi taxativo: “O orçamento não manda coisa nenhuma, só diz que está em processo negocial. Segundo, ainda estamos em Janeiro, temos todo um ano para aplicação do orçamento”.

“Agora, nós não nos sentamos à mesa só para entreter”, acrescentou, referindo que da parte dos sindicatos só vê “intransigência”.

“Da nossa parte, com toda a franqueza, nós fomos ao limite daquilo que achávamos razoável e certo. Não conseguimos encontrar até agora nenhuma nova ideia que justifique a abertura da negociação”, vincou.

Uma delegação de cerca de uma dezena de dirigentes sindicais da Fenprof, entre eles o secretário-geral, Mário Nogueira, exibiu no final do discurso do primeiro-ministro uma faixa onde se lia “Senhor primeiro-ministro: 9A-4M-2D, nem menos uma hora”.

À saída, António Costa e o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, dirigiram-se aos sindicalistas, tendo Mário Nogueira pedido ao primeiro-ministro: “Não brinque com as escolas, não brinque com os alunos.” “Aqui ninguém brinca com os alunos”, respondeu o primeiro-ministro.

“Muitas horas em negociação”

António Costa assinalou que o Governo já investiu “muitas horas, muitas horas, muitas horas em negociação”, mas que “da parte dos sindicatos não há qualquer posição negocial nova”.

“Os sindicatos não têm nada a propor, a não ser intransigência, nós temos puxado pela imaginação, mas também não encontramos nada de novo. Quando tivermos uma nova ideia, vamos tentar, ou então quando os sindicatos finalmente se dispuserem a fazer o que se têm recusado a fazer, que é dar qualquer contributo para a negociação”, reforçou. “Se não, estaremos todos no mesmo impasse”, concluiu.
Na reacção às declarações de António Costa aos jornalistas, Mário Nogueira “devolveu a bola” ao Governo.

“Nós entregámos essa proposta, o Governo tem-na. Nós não podemos sequer entregar propostas antes de haver a convocação das reuniões, que compete ao Governo fazer. Nós o que aguardamos é que o Governo marque reuniões de negociação e aí teremos toda a disponibilidade para discutir o prazo e o modo, repetindo que, nove anos, quatro meses e dois dias, isso está fora de hipótese que possamos baixar, porque esse é o tempo de trabalho das pessoas”, disse o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof).

Sobre a breve troca de palavras com o primeiro-ministro ainda no auditório onde decorreu o seminário, Mário Nogueira disse que ao ter dito a Costa que “não pode brincar com os alunos, não pode brincar com as escolas, remetendo para o final do ano lectivo o que tem que resolver agora” fez um “aviso sério” ao primeiro-ministro e ao Governo.

“Se o final do ano lectivo for posto em causa é porque há responsabilidades enormes do Governo, porque nós queremos debater, discutir, negociar e resolver isto já […]. O senhor primeiro-ministro é que se sabe até onde quer ir. O senhor primeiro-ministro quer o quê? Ele está sozinho, mas ele é que tem razão. Isso chama-se uma forma autoritária, arrogante e prepotente de ver a questão e é nesse pé que está neste momento a posição do Governo. [Para o primeiro-ministro] os sindicatos ou fazem como o Governo quer ou não há negociação, mas vai haver. Vai haver, que remédio. O Governo vai ter que a fazer e os professores vão lutar por isso”, declarou Mário Nogueira.

Fonte: Público

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