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Contraditório sobre a redução de vencimento dos funcionários no Colégio Frei Gil

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Já por diversas vezes não publiquei determinado conteúdo por ter fortes dúvidas sobre a sua veracidade. A publicação sem contraditório é um risco, pois cada notícia, cada história, cada juízo de valor, tem duas faces e cabe ao autor e a quem lê, fazer a devida filtragem e responsabilizar-se por ela. Mas o contraditório é um bem de difícil acesso, principalmente para um espaço pessoal com a dimensão do ComRegras. Já no passado tentei obter respostas sobre determinado conteúdo e a resposta ficou por dar. O que fazer? Não publicar? Abdicar da informação? Se começo a questionar toda a informação que sai nos media, então não publico nada e só acredito no que vejo. Não o vou fazer.

A Sofia Homem Cristo teve o cuidado de fazer a salvaguarda no próprio título, mas o facto é real, ninguém inventou nada, as intenções, os princípios, é que pelos vistos têm outros fundamentos o que altera substancialmente o ato em si.

Fica o contraditório/esclarecimento de Wagner Silva, professor do respetivo colégio e o meu agradecimento por o ter enviado.

colégio Frei Gil

Boa tarde.

Sendo professor e apologista da verdade acima de tudo sinto-me na obrigação de comentar o seu artigo.

Acredito que nós professores, mais do que os restantes, deveremos sempre ouvir as partes antes de emitir juízos.

Mas na sociedade actual em que uma notícia apenas o é se houver sangue…não interessa verificar a veracidade dos factos.

Antes de começar devo informar que sou professor no dito colégio. Colégio este que ao contrário da maioria que, ao contrário da maioria dos que existe por aí, não tem piscinas nem cavalos, foi ajudado a construir pela comunidade envolvente, com donativos em material e dinheiro, com terrenos onde o colégio foi erigido e ampliado. Não tem outros meios de subsistência a não ser o dinheiro que vem do estado, fruto dos contratos de associação. Com um corte de 11 turmas, sim leu bem…11 turmas de um universo de 33…o que eventualmente pode acontecer a este colégio é fechar portas. Perante este possível cenário houve várias reuniões entre os funcionários e a administração do colégio de modo a verificar o que se poderia fazer. Foram os funcionários que, entre várias propostas, se ofereceram para doar 10% do seu ordenado, durante um ano, caso o actual cenário de cortes se mantivesse. Para manter o colégio aberto! A associação de Pais propôs que, assim como os funcionários se prontificavam a ajudar também os pais deveriam fazê-lo. A proposta…que os alunos contribuíssem também com um determinado valor.

Estes valores interessam a quem faz parte do processo, mas posso informar que fica abaixo do preço do passe de transporte mensal para as únicas escolas públicas que a rede de transportes possibilita a frequência. Também a comunidade envolvente se prontificou a ajudar “adotando” alunos que não possam pagar e pagando a mensalidade destes. Se é imoral? imoral é estes alunos não ficarem na escola para onde podem ir a pé e terem de ir para uma escola que fica a 11km só porque alguém que não conhece a realidade assim decidiu! Se alguém foi obrigado a pagar alguma coisa? Não, que eu saiba ainda vivemos num país democrático em que cada um tem a liberdade de escolher. Quem não quiser participar…não participa. Além de professor nesta escola sou pai de um aluno que a frequenta. Como professor prefiro de consciência tranquila doar 10% do meu ordenado para continuar a fazer aquilo que adoro, na escola que escolhi e me acolheu e a contribuir para o crescimento de outros. Como encarregado de educação prefiro doar uma valor quase simbólico para que o meu filho continue num colégio onde sei que é bem tratado, aprende e está seguro! (o valor maior a pagar fica mais barato do que o transporte para a escola para onde ele iria. Ou menor do que o valor mensal se fumasse um maço de tabaco por dia). Vale a pena acrescentar que todos os valores a doar o serão durante 1 ano, voluntariamente e apenas se o actual cenário de cortes se mantiver. Isto é notícia? É! Mas como o que está inerente a estes gestos é o “sacrifício” por uma causa…é preferível ouvir quem conta apenas o que vende jornais!

Caso sinta vontade fica aberto um convite para que a senhora Diretora venha visitar um colégio que de colégio apenas tem o nome…porque na realidade é uma Instituição!

Wagner Silva

9 COMMENTS

      • Não corresponde à verdade. Todos os alunos no ensino obrigatório têm assegurado transporte gratuito independentemente do escalão de ASE. Só perdem direito a esse transporte gratuito se optarem por uma oferta formativa que existe na sua área de influência e por uma escola fora dessa área de influência.

  1. Pois é senhor Wagner, escolheu essa escola e dá-lhe jeito não ter de concorrer a um lugar como os seus colegas do público, não é? Isso vale bom os seus 10% de contribuição, não vale?

  2. Não percebo qual é o problema ????!!!!
    Até podem trabalhar de borla!!! Eu pago o colégio, não têm subsídios (e muito bem!) Se não concordar com isso só tenho de mudar para a escola pública.
    Já escrevi que ainda vão pagar ao pessoal a 2,5€ à hora e trabalhar 10 horas por dia. É melhor do que nada dizem uns, mas esta exploração vai continuar e chegar a esses valores ou menos e o pessoal que anda para aí com camisolas amarelas ainda se vão arrepender só que aí vai ser tarde.
    A próxima área vai ser a saúde!!!
    Esperem porque daqui a pouco isto vai ser pior que os países de África

  3. Nada de mal, querem escolher, terão de pagar… 11 km, que é isso, tenho alunos que fazem 20, 30… Também o fiz, 40 para cada lado, mais 2 a pé para apanhar o autocarro, outros tempos é certo…

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