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Contraditório Da Professora Do #EstudoEmCasa, Helena Ramos, Ao Artigo “Professores São Para Ensinar Não São Para Entreter”

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A professora Helena Ramos deixou um comentário no artigo “Professores São Para Ensinar Não São Para Entreter“. Como nesta casa prevalece a liberdade de expressão e o direito ao contraditório, não seria justo deixar o que vão ler de seguida esquecido no fundo de uma publicação.


Comentário sobre o artigo “ Os professores não são para entreter” do Sr. Alexandre Henriques
Na qualidade de uma das visadas, começo por agradecer a partilha da sua reflexão! Com toda a humildade e sinceridade lhe digo que concordo, na generalidade, com o que escreveu. Efetivamente, eu própria já tinha tirado essa conclusão, antes de ler o seu artigo, em voz alta, cá em casa!
Digo – lhe que o dia 21 de maio foi um dia penoso para mim … em que me senti, de certa forma, traída e usada a vários níveis … apanhada numa rede da qual, no meu quotidiano, procuro alhear-me e fugir: as redes sociais, os programas balofos e toda a manipulação de massas subjacente! Toda essa histeria com que não me identifico… Mas foi mais um momento de aprendizagem e evolução no meu percurso como ser humano… Isso não faz de mim uma pessoa com menos valor, porque esse acontecimento não abafa a minha essência, ao contrário, acrescenta-lhe sabedoria!
A semana passada, eu e a minha colega, recebemos vários convites dos media, incluindo o programa do Sr. Goucha … A minha primeira reação foi recusar, pois encontrava – me tão atarefada e cansada, que não me sentia motivada para ir gastar as minhas energias naquele programa, já que seria mais uma fonte de stress … tínhamos gravações e aulas e eu queria dedicar-me ao meu trabalho!
A recusa não foi encarada com normalidade e os telefonemas insistentes continuaram … Esta semana recebemos mais convites, a propósito do vídeo ter sido partilhado pela Ellen, facto que, com sinceridade, não me pareceu um acontecimento fabuloso e do qual não fiz alarde!
Perante um segundo convite para ir ao Você na TV, esta semana, a minha colega aceitou de imediato e expressou a sua vontade em comparecer, independentemente da minha ida. Pressionada pela assistente do programa e com o sentido de que era meu dever acompanhar a colega, já que trabalhamos em parceria, acabei por aceitar, na véspera, à última hora … Na altura, pediram-me um texto sobre o percurso profissional, para o apresentador preparar uma pequena entrevista … Acreditei que teria oportunidade de valorizar o empenho dos professores em todo este conturbado contexto. Ao longo de 24 anos de prática letiva tive oportunidade de, discretamente, vivenciar experiências diversificadas e enriquecedoras, que não se resumem num “Rap dos Meses”! Efetivamente, o programa não cumpriu o meu objetivo, e deixou-me agoniada, desde o início até ao fim! Basicamente, foi um momento lúdico para o apresentador oferecer aos seus espectadores! Apenas uma coisa me confortou: conseguir mencionar o nome das minhas colegas de equipa (mesmo antes de ser despachada)!
Quem está sentado na plateia, como o senhor, encontra-se numa posição cómoda: não está envolvido e tem tempo para analisar, sentindo-se capaz de julgar os outros com todo o bom senso e sentido de justiça! Mas quem é surpreendido no meio deste “circo viral”, como nós fomos, é enredado numa espiral de energia que lhe pode toldar a clareza necessária para fazer a opção mais sensata! Foi o que me (nos) aconteceu!!
Fala na futilidade de ter os holofotes e os minutos de fama … Quem não os tem? Será que o senhor nos pode atirar essas pedras? Pois, não hesitou!
Desde miúda que procuro ultrapassar a timidez e o stress que me causa ser alvo de atenções … Eu não procurei nada disto … O desafio de gravar aulas “veio ter comigo” sem eu pedir e vi-me na necessidade de reunir forças para corresponder ao apelo do meu país e apoiar a equipa em que fui integrada! Tenho feito o melhor que consigo, com generosidade e humildade. Neste trajeto, ao longo do qual tenho realizado aprendizagens ao nível pessoal e profissional, ora gratificantes, ora penosas, gostaria de dizer-lhe que me sinto feliz por ter tido a coragem de ultrapassar receios e correr os riscos que estou a correr, entre os quais errar e ser alvo de julgamentos precipitados!
Helena Ramos


Cara Helena

Somos colegas, como tal permita-me falar consigo como se estivéssemos na sala dos professores.

Em primeiro lugar enaltecer a postura de se defender e de esclarecer o que levou a aceitar o convite para o respetivo programa. Como diz e bem, no sofá temos todo o tempo do mundo, até dá para chegar atrás e é tão fácil julgar, tudo isso é verdade. A exposição mediática leva a um julgamento superficial, mas quem entra nesse meio tem de se sujeitar a ele. Com as devidas diferenças, sempre que escrevo algo, ou algum dos leitores o faz, mesmo que na sua rede privada, está sujeito ao juízo de valor e as críticas nas redes sociais são tudo menos meigas, eu que o diga…

Se soubesse o que sei agora depois de ler as suas palavras, o texto teria sido diferente, mas na essência semelhante, pois agora entendo o porquê de ter aceite o convite, principalmente pelo facto de estar numa parceria e de se sentir “obrigada” a acompanhar a colega. Provavelmente deve ter sido o mesmo motivo pelo qual aceitou ir ao programa 5 para a meia-noite.

É impossível não sentir empatia por aquilo que descreveu e pela pressão que deve ter sentido, mas é importante que saiba, ao contrário de muitos que leram apenas o título do que escrevi e que rapidamente deduziram o que não correspondia ao conteúdo do texto, valorizo e muito o vosso trabalho no #EstudoEmCasa. Permita-me republicar o que escrevi sobre a vossa aparição no programa da Ellen.

Este desempenho das professoras teve um misto de reações, alguns gozaram com a situação, outros valorizaram a tentativa de proximidade com os alunos do outro lado do ecrã.

Uma coisa é certa, um professor precisa de ajustar a linguagem aos seus alunos e utiliza diferentes estratégias para manter o seu foco facilitando a aprendizagem. O conteúdo é sempre o mesmo, mas a forma como é transmitido pode fazer toda a diferença. Costumo dizer que o pedagogicamente correto é aquilo que funciona e permite a aprendizagem e o sucesso, neste caso em concreto, o sucesso foi pleno, pois o impacto foi tão grande que milhares de pessoas ouviram os meses na língua inglesa.

Apenas para terminar, pois no artigo falei muito na imagem dos professores. O seu trabalho e dos restantes colegas no #EstudoEmCasa tem sido muito positivo para todos os professores. Têm mostrado que os professores não são pessoas distantes, sobranceiras e aborrecidas. Não são perfeitos, pois são pessoas, mas tal como a maioria dos professores, demonstram muita competência no seu trabalho.

Quando ao resto, lamento se lhe causei desconforto, mas acredito que o silêncio daria a falsa sensação de que concordava/concordo com o que está a acontecer. É uma opinião meramente pessoal e tenho por hábito escrever o que penso de forma livre e sincera. Depois sujeito-me e levo com pedras ou pétalas, mas a reflexão e o debate são imagem de marca do ComRegras.

Votos sinceros de felicidades pessoais e profissionais

Alexandre Henriques

14 COMMENTS

  1. Converseta da treta! Sabem os senhores professores porque é que um magistrado veste uma toga numa sessao de tribunal? Um militar exibe medalhas de honra no seu uniforme? Um policia ou ou guarda republicano veste o uniforme e expõe as suas insígnias? Um médico carateriza-se com um bata e o estetoscópio. Pois é uma imagem institucional respeitavel um simbolismo exibicionista que sustenta o estatuto e o papel social da função. Nao ė suficiente mas é uma marca, um lembrete da função social do desempenho… nao se pede a um [email protected] que seja cinzento, use uniforme mas por favor as interações simbólicas da sociedade têm que ser consideradas e se os professores querem ser reconhecidos socialmente não podem ser vulgares e muito menos anti inteletuais.

    • Comentário da treta. Sabe o senhor comentador porque é que um magistrado veste uma “toga” (por acaso veste uma “beca”, mas já todos percebemos que a ideia no seu comentário não era ser rigoroso, mas apenas mandar bitaites), um polícia ou um guarda republicano veste um uniforme? Porque representam funções de soberania do estado e isso exige uniformidade; ou seja, a beca é igual para todos (e o uniforme também) para que se saiba que estamos perante um poder legítimo do Estado de Direito e não perante o senhor “A” ou a guarda “B”. O médico não se carateriza pela sua bata nem pelo estetoscópio (nem de perto!), servindo a bata propósitos de higiene em contextos não-cirúrgicos e o estetoscópio propósitos de auxílio ao diagnóstico (razão pela qual um radiologista, por exemplo, o não usa no seu dia-a-dia). Quanto às medalhas, não têm nada que ver com “o estatuto e o papel social da função”, mas com determinados objetivos atingidos, reconhecimento alcançado ou sinal de recompensa, sendo certo que não são atribuídos a todos os que os merecem. Os professores só não são reconhecidos socialmente por quem ainda não percebeu a sociedade em que vive. Tal ideia de subalternidade da ciência, da pedagogia, da educação e da cultura, aliás, explica muito do atraso do qual Portugal teima em não sair.

  2. Caríssimos, Seja ou não conversa da treta, a verdade é que nós temos de valorizar o trabalho um dos outros. Quem nunca errou? Felicito todos os colegas que colaboram para o sucesso diário do #EstudoEmCasa e do Telensino – Estudar Com Autonomia. Um bem-haja pelo serviço que prestam ao país. Se algo correr menos bem, tenham a certeza de que nós cá estaremos para, em conjunto com os nossos alunos, desempenhar o nosso papel. Um abraço.

    • Mas aqui ninguém errou, a aula foi espetacular,eu assisti com o meu filho e ele adorou! Fossem todos os professores assim, divertidos e cativantes! As minhas aulas de inglês sempre foram aborrecidas e entediantes e por isso quis ir para o Instituto de Inglês,que no meu tempo já era bem mais à frente do que o ensino escolar…

  3. Eu com 67 anos adorei as aulas. Os professores em todas as situações devem chegar aos alunos, devem motiva-los. Posso lhe dizer que tive um professor, no ensino nocturno, que quando via os alunos cheios de sono, lá saia uma anedota para nós despertar. Era a maneira que encontrou, para”voltarmos”. E conseguia.

  4. Não costumo fazer comentário nestes locais. Agora justifica-se. Se o nível dos professores, de forma geral, fosse a destes dois intervenientes, do Prof. Alexandre Henriques e da Prof.(a) Helena Ramos o ensino em Portugal estaria muito melhor. Que elevação! Deu gosto ler todas as linhas. A crítica faz parte do nosso quotidiano. A forma como reagimos a ela, diz muito de nós. Parabéns! A ambos! E obrigado pelo bom nome que ambos dão aos professores e ao ensino em Portugal.

  5. O entretenimento é bem-vindo quando não se sobrepõe ao conteúdo que pretende lecionar. Foi o caso: o entretenimento sobrepôs-se, e a lição perdeu-se. Este não é o pior erro… para mim os erros nas aulas do 9. ano são piores. Erros sem errata. Ver o facebook de samuelsebastiao.

  6. Estou plenamente de acordo com a D. Belmira e o Sr. Mário. As aulas não precisam de ser chatas e superficiais. Um professor pode ter a capacidade de transmitir ludicamente os conteúdos, sobretudo no ensino básico. Por experiência própria, sei que resulta! Gostei da camaradagem criada entre os 2intervenientes no comentário, ambos professores, a empatia mostrada entre colegas e o sentimento que transmitiram de “união “. Se muitas criticas fossem respondidas com este grau de empatia, decerto haveria mais gente sem conflitos profissionais.

  7. Ser Professor é uma profissão de grande nobreza, pois todas as outras profissões precisam de um professor, existem bons, medianos, e maus professores, mas sinceramente o bom não é aquele que faz tudo bem mas sim aquele que aprende com os erros. Eu sou pai de 2 miúdos 4º e 7º ano e imagino a dificuldade de dar aulas a uma turma com mais de 20 alunos, dar aulas através da televisão sem ter o feedback dos alunos e tornar as aulas atractivas é muito difícil. Pois se os professores tiverem de subir a mesa fazer o pino seja o que for pois que tentem e vejam o que funciona pois só se consegue se tentar. Apesar de eu achar que os alunos deviam regressar á escola no mês de Junho. Agradeço a todos os professores a dedicação demonstrada. quer no #EstudoEmCasa quer pelas aulas online.

  8. Estou a achar um piadão. Ninguém percebe o que o senhor critica. Ele não critica o maravilhoso rap e a maravilhosa professora que mostra paixão no que faz. Ele critica as professoras terem ido ao programa do Goucha. Acha o programa foleiro e baralhou-se todo. Somos um país livre. As professoras fora das aulas podem ir onde quiserem. Quem não gosta de ver desliga a TV. A professora agoniada que assuma a responsabilidade de ter decidido ir. Não precisa arranjar desculpas. Toda ela é coitadinhismo, aliás foi o que mostrou no tal programa. Relaxe e divirta-se. Não é mais nada do que isso. Não se leve tão a sério.

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