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Contraditório Ao Artigo “Professores E Alunos Não São Irresponsáveis”

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Dá-me pena ver jornalistas com responsabilidades acrescidas, como a deste senhor, visto ser Diretor-Adjunto do JN, vir de forma tão ligeira, misturar conceitos e responsabilidades, atribuindo-as, em concreto aos professores.O problema já está inquinado à nascença, a obstinação com os exames. Eu concordo com eles, mas o tempo em que vivemos necessitaria de soluções mais inovadoras para este problema concreto. Os exames, nesta situação de pandemia, não são de todo a melhor, talvez seja a mais fácil para aqueles que estão de rabo sentado nos gabinetes a escreverem “tratados” tolos e que só funcionam no papel. Quando chegamos à implementação de medidas verificamos, vezes demais, que não fazem qualquer sentido. O Decreto-Lei n.º 14-G/2020, é um bom exemplo disso. E que vai ficar desmontado, logo que ocorram os primeiros contágios.

Porque será que por toda a europa foram encontradas soluções alternativas? Ficaremos na “fotografia” como os burros ou os inteligentes?! A ver vamos, mas temo que vamos borrar a pintura, algum tempo depois de, por essa europa fora, termos sido apontados como um bom exemplo no combate à pandemia.

Em primeiro lugar, quem tem a responsabilidade de organizar, a nível escolar as demandas desvairadas do ME, são os Diretores Escolares. As escolas há muito que deixaram de ser um espaço democrático. Os Diretores são, na sua maioria, uns mandantes acríticos de tudo aquilo que o ME lhes diz para fazer. Transformaram-se numa espécie de servidor de correio eletrónico institucional do ME.

Vem este senhor falar nas responsabilidade dos jovens que abundam nas nossas escolas, muito conscientes e responsáveis, ambientalmente falando, mas que são os mesmos que ao fim de semana, no Bairro Alto, ou na Ribeira do Porto deixavam as ruas cheias de garrafas e de outras porcarias. São também os mesmos que participaram numa manifestação, muito “gira”, em prol do planeta mas que deixaram as ruas, à sua passagem, todas sujas de papeis e cartazes que depois das tv`s passarem já pesavam muito e foram abandonados. Evidentemente que existem muitas e boas exceções, não são é a maioria, como todos nós desejaríamos. A Escola faz o que pode, quer nas aulas de cidadania quer em todas as outras disciplinas, onde cada professor dá o seu melhor para uma formação integral do aluno como pessoa e cidadão responsável e critico. Falta é muito deste diálogo ao nível das famílias, para 1+1 ser = 2. Por outro lado, este senhor já se deve ter esquecido do “modus operandi”, destes mesmos jovens muito “responsáveis” que tiveram nas faltas de respeito que graçaram por este país fora nas aulas de ensino à distancia, nas salas de aula virtuais. Estamos as falar dos mesmos jovens, ou será que não?

Depois, diz: “Argumentar que as escolas não são capazes de garantir o bem-estar e segurança de toda a comunidade é contribuir para a degradação da imagem dos professores construída muitas vezes por quem os representa”. WHAT!? Ele acredita mesmo no que está a dizer?! Então se nos hospitais continua todos os dias a haver médicos, enfermeiros, assistentes, a serem infetados pelo covid-19, não será lógico perceber que numa estrutura como uma escola, muito menos preparada quer em conhecimentos, quer em material, quer em procedimentos e práticas que demoram imenso tempo a serem interiorizadas e serem executadas de forma consistente, o risco de contágio não será muito mais facilitado? Este senhor refere-se ao mesmo vírus que assola todo o planeta nos dias que correm?! Um vírus altamente contagioso e invisível, capaz de utilizar as práticas mais desleais, como usar os jovens assintomáticos para atingir vitimas mais frágeis, como aquelas que estes jovens têm à sua espera em casa, ou os docentes na faixa dos sessenta anos!Mas para este senhor Diretor-Adjunto tudo é fácil, parece que estamos a montar uma estratégia de combate à processionária e não a um vírus.

Depois, temos outra questão, basta haver um contágio para a igualdade entre alunos, que ele no seu artigo proclama como justificativo para o início das aulas para o 11º e 12º anos, ser tudo posto em causa. Ou seja, os alunos caso testem positivo, ficarão obrigatoriamente em quarentena. Logo, ficarão sem aulas. Lá cai por terra, mais uma vez, a “politica da igualdade”. Mais, multiplicaremos as desigualdades. Isto porque, vão naturalmente existir escolas onde os procedimentos de segurança biológica, postos em prática serão iguais, mas no final, haverá escolas onde, com toda a certeza existirão infeções por covid-19, e noutras, poucas, não! Isto porque é impossível controlar todos os comportamentos de menor ou maior risco, da comunidade escolar, fora da escola. O que fazer depois? Com já referi, os alunos e professores vão ficar de quarentena, como vão poder acompanhar a matéria os alunos doentes? E aqueles que optarem por não irem à escola ficam sem a opção de terem as aulas do ensino à distância. Logo, a preocupação em relação a igualdade entre alunos, principalmente os mais carenciados também se desvanece. Uns poderão continuar a recorrer a explicações, já uma grande maioria da população estudante, NÂO!

Será que também se vem justificar com a tão inovadora lembrança de que os alunos podem responder apenas a um leque de perguntas, não havendo perguntas obrigatórias…blá…blá. No final, não haverá perguntas nem exames que resistam a tamanha e dispare desigualdade com que os alunos por este pais fora se irão apresentar a exame.

Neste sentido, e para finalizar, o que está aqui em causa não pode ser nunca equacionado como uma questão de assuntos relacionados apenas com a educação e como a única, possível e derradeira solução para definir a entrada dos jovens no ensino superior. Mais do que tudo, devia ser visto como uma situação de saúde publica que volta a ser posta em causa pela teimosia de quem nos governa.

Hélder Santos

*Comentário publicado ao artigo Professores E Alunos Não São Irresponsáveis – Manuel Molinos

1 COMMENT

  1. Mas ainda alguém duvida que o filme é este? Porquê esta obsessão com os exames? A circunstância mudou, são precisas soluções que se adaptem a esta nova vida. O primeiro obstáculo são os políticos sem visão e sem rasgo intelectual que dando um ar de sabedoria quando aparecem em público empurram a comunidade para o erro e para o perigo.

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