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Consequências Das Escolas Fecharem E Tenham Juízo Se Isso Acontecer

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A cadência de notícias de escolas encerradas ou com alunos em isolamento está a acelerar de forma significativa. Se dantes as notícias tinham alguns dias de intervalo, agora começam a ter horas de intervalo. Mesmo que amanhã não se decida pelo encerramento das escolas, acredito que será apenas uma questão de dias até que tal aconteça.

A Grécia tem 89 casos confirmados e decidiu hoje encerrar todas as escolas, creches e Universidades. Portugal tem no momento em que escrevo este artigo, 41 casos confirmados com covid-19, um pouco menos de metade, mas é quase certo que Portugal chegará em breve a uma centena de casos confirmados.

As escolas são um polo central da sociedade e segundo os dados da Pordata de 2018, Portugal tem 1.617.570 alunos, que correspondem mais coisa menos coisa, ao mesmo número de famílias. É um valor significativo, aos quais devemos acrescentar mais de 100 mil professores e alguns milhares de funcionários.

Estamos por isso a falar de um Universo significativo com ramificações a todos os cantos do país. Fechar as escolas será uma decisão histórica que não pode e seguramente não será tomada de ânimo leve, até porque ninguém pode garantir que a interrupção seja apenas por 15 dias.

A perturbação será brutal mas justificada, pois quando os valores da saúde se colocam tudo fica em 2º plano, mesmo que uma filha não possa ir ao funeral de uma mãe por se encontrar de quarentena (caso real que conheço a título pessoal).

Mas vamos analisar o que poderá acontecer a nível escolar se as escolas encerrarem:

Calendário Escolar

Há muito que se fala num calendário escolar que não esteja refém da Páscoa. O Covid-19, indiretamente vem provar que tal é possível desde que exista vontade para o fazer.

É preciso frisar que não é por 15 dias que um ano letivo ficará em causa. Esses 15 dias podem perfeitamente ser recuperáveis numa política de ciclo e em anos terminais, serem compensados com algumas aulas extras a realizar no 3º período ou mesmo no final das aulas. Em último caso, o ano letivo pode sempre ser prolongado, apesar do calor.

Avaliação do 2º período

Não acredito que exista um professor que neste momento não consiga avaliar os seus alunos com algum grau de certeza. Mesmo neste período já foram recolhidos elementos de avaliação suficientes para a atribuição de uma classificação. Além disso, a flexibilidade curricular aponta para uma única avaliação, a avaliação de final de ano letivo. O resto é meramente (in)formativo.

Exames

Estes podem ser adiados por alguns dias, mas atenção, os exames têm toda uma estrutura elencada que não permite encurtar prazos, pois a correção, afixação de pautas, candidaturas a 2ª fases e até acessos ao Ensino Superior, têm um calendário próprio e que não é muito flexível. Além disso, os professores têm direito a usufruir das suas férias que só podem ser marcadas no final de julho e restante mês de agosto…

Cursos Profissionais

Se apenas anteciparmos as férias, sem alterar a sua duração, os cursos profissionais não serão afetados, mas se o prolongamento da hipotética interrupção for alargada, causará graves problemas aos cursos profissionais, em virtude da sua carga anual obrigatória. Os cursos profissionais dependem de financiamento europeu e esses “senhores” são muito picuinhas no cumprimento de prazos e número de aulas lecionadas. Depois também temos a questão dos estágios, que só podem ser integrados após a conclusão das aulas, ou em último caso, em horário pós-laboral.

Famílias

Não está garantido que o fecho das escolas irá permitir aos pais permanecerem com os seus filhos em casa. Se se tratar apenas de uma antecipação das férias da Páscoa, seguramente que não haverá essa possibilidade. Mas a questão é legítima, pois muitas famílias adaptam as suas férias com as férias escolares, de modo a poderem estar com os seus filhos, principalmente se foram do pré-escolar, 1º e/ou 2º ciclos de ensino.

Será necessária uma certa compreensão por parte das “chefias” para permitir ajustes de horários e férias aos seus trabalhadores, ficando estes um pouco “reféns” do feitio e sensibilidade de quem manda.

Em suma, podemos estar a menos de 24 horas de assistir a algo inédito, que trará consequências escolares, mas principalmente familiares.

Consciência Cívica

O que não falta por aí são comentários e denúncias de alunos e outros que ignoram as recomendações de quarentena e passeiam pelos shoppings como se nada fosse. Estamos de férias, pensam eles!

Se as escolas encerrarem ninguém está de férias nem devem ser encaradas como tal. O objetivo é reduzir o contágio, limitando por isso as movimentações ao mínimo indispensável. É um pequeno esforço em prol de algo que afeta todos.

Temos de ter consciência que Portugal não tem capacidade para construir um hospital em 15 dias como os chineses fizeram e Portugal não tem médicos em abundância, nem camas hiperbáricas suficientes, para uma pandemia em larga escala.

Isto não é uma festa, nem é uma brincadeira. Fechar um país fica muito caro e vai “morder-nos” a todos mais tarde. E lembrem-se, não há nada pior do que ver um filho, um irmão, um pai ou uma mãe, atrás de um vidro, isolado e em alguns casos, a muitos quilómetros de casa.

Por isso Portugal, tenham juízo se as escolas fecharem, lembrem-se que estamos todos no mesmo barco!

Alexandre Henriques

6 COMMENTS

  1. 1a aula, logo para abrir a pestana: uma aluna começou a tossir desalmadamente “de boca aberta” num ângulo de 180 graus. Zanguei-me com ela e disse-lhe para tossir segundo as regras do corona vírus. Tossiu para a palma da mão e limpou-se às calças. “Não é para a mão, é para a parte de dentro do cotovelo!!!” Colocou o cotovelo sobre os olhos e tossiu por baixo do mesmo ??????

    • As vezes fazem-se de engraçadinhos e gozam com a situação, total falta de respeito pelo próximo e até para consigo mesmo, irresponsabilidade, falta de educação e civismo, enfim é a sociedade que temos

  2. Se não querem que as pessoas pensem que estão de férias, pode ser sensato não lhes chamar isso de forma oficial. Falar em antecipação de férias é textualmente dizer às pessoas que estão de férias!

  3. De certeza que os pais Bombeiros, policias, enfermeiros, médicos, até mesmo empregados de supermercado ou distribuição de bens essenciais vão todos tirar 15 dias de ferias para ficar com os filhos, nem todos os “empregados de escritório” estão dependentes da boa vontade dos chefias.

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