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Conselho Nacional de Educação Propõe O Fim Do 2º Ciclo

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Concordo que a existência de um ciclo em apenas 2 anos não faz muito sentido… Lembro que o fim do 2º ciclo consta do programa do PS…

Ficam duas notícias e o link para o relatório do Conselho das Escolas.


Para a presidente do CNE, Maria Emília Brederode Santos, deveria ser repensada a organização do ensino básico, atualmente dividido em três ciclos, “designadamente a velha questão do 2.º ciclo [um ano para entrar e outro para sair, dadas as dificuldades assinaladas nos anos de transição”, lê-se na introdução do relatório Estado da Educação 2017, hoje divulgado.

As taxas de retenção e desistência têm vindo a diminuir nos últimos anos, tendo atingido no ano letivo de 2016/2017 o valor mais baixo da última década em todos os três ciclos de ensino.

No entanto, olhando para o relatório hoje divulgado percebe-se que é nos anos de transição de ciclo (5.º e 7.º) que os alunos apresentam mais dificuldades e acabam por ficar retidos, uma realidade que continua a preocupar o CNE.

“O 2.º ciclo é uma originalidade portuguesa. Só nós é que temos aqueles dois anos: Que é um ano para entrar e um ano para sair e já se viu que não é uma boa prática”, disse a presidente do CNE à agência Lusa.

A taxa de retenção do 7.º ano, que em 2017 alcançou os 11,5%, “tem sido a mais elevada do ensino básico nos últimos quatro anos, enquanto no 8.º e 9.º ano os valores têm-se vindo a aproximar, rondando os 7% em 2017”, refere o relatório.

Para Maria Emília Brederode Santos, “valia a pena tentar encontrar outras formas de organizar o sistema que não criassem tantas transições, que acabam por provocar, como se percebe pelos resultados, mais dificuldades na aprendizagem dos alunos”.

Sem apontar soluções, a presidente do CNE deu como exemplo a possibilidade de os nove anos do ensino básico poderem ser divididos em apenas dois ciclos, seguindo-se depois o ensino secundário (do 10.º ao 12.º ano).

Diretores de escolas defendem fim do 2º ciclo

O presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima, defendeu, esta quarta-feira, tal como a presidente do Conselho Nacional de Educação, a revisão e o debate sobre a existência do 2.º ciclo do ensino básico.

Em declarações à agência Lusa a propósito da divulgação do relatório do Estado da Educação no qual a presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Maria Emília Brederode Santos, põe em causa a existência do 2.º ciclo, Filinto Lima defendeu que devem existir dois ciclos de ensino, um do 1.º ao 6.º ano e outro do 7.º ao 12.º.

No relatório, a presidente do CNE pôs em causa a existência do 2.º ciclo, lembrando que se trata de uma “originalidade portuguesa”, que “não é uma boa prática” tendo em conta o elevado número de reprovações.

Na associação já falámos e ponderámos sobre a necessidade de existir um ciclo que é um ciclo perdido. O que propúnhamos, pelo menos para debate, é que existissem dois ciclos de ensino: um que fosse do 1.º ao 6.º e o outro mais avançado do 7.º ao 12.º, até porque também o ciclo do secundário (10.º ao 12.º) é um ciclo perdido, que não tem identidade própria”, justifica o presidente da ANDAEP.

No entendimento de Filinto Lima, o ciclo do secundário “só serve para o atual modelo de acesso ao ensino superior”.

Ou seja, um aluno quando entra no ensino secundário sabe que no 12.º vai ter duas horas de exame que muitas vezes define a vida de um aluno. Além de concordar com a presidente do CNE, consideramos também que neste momento deve haver outra discussão que é o atual modelo de acesso ao ensino superior que não serve à nossa educação nem aos nossos alunos”, sublinhou.

Debate antes da revisão

De acordo com o presidente da ANDAEP, antes de revisto deve ser alvo de amplo debate nacional.

Esta mudança a ser concretizada será uma mudança estrutural. Não deve ser uma mudança deste Governo ou do próximo, mas de todos nós. Eu acho que em Portugal, na educação, muitas vezes erramos porque implementamos políticas que são do governo que na altura está no poder e isso é errado. A politica na educação deve ser uma politica de amplos consensos (…). É preciso que percebam que a educação é de todos e não de nenhum governo em particular”, frisou.

Filinto Lima chamou também a atenção para a necessidade de haver um pacto de educação que tenha a ver com os currículos.

A presidente do CNE propõe no relatório uma espécie de comissão de acompanhamento que assuma o currículo escolar, que proponha sempre que necessário ajustes. O currículo muda de Governo para Governo e, muitas vezes, o mesmo Ministério da Educação muda-o mais que uma vez, o que gera confusão para as escolas e professores”, disse.

Fonte: TVI 24


 

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