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Conselho Geral, Presidido Por Paulo Prudêncio: Escola a Tempo Inteiro | Carreira dos Professores, sua Avaliação e Gestão Escolar

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Conselho geral ComRegras

Terceira reunião do Conselho Geral, desta vez presidida por Paulo Prudêncio

Ordem de Trabalhos:

Ponto um: Como é que o sistema escolar deve olhar para a ideia de “escola a tempo inteiro”.

Ponto dois: Da aplicação à escola portuguesa das políticas denominadas como “Novas Políticas de Gestão Pública”, três (divisão na carreira dos professores, avaliação do desempenho dos professores e gestão escolar) foram particularmente nefastas e só a primeira já caiu. Porquê? O que falta fazer e em que direcção?

Ponto um

Em relação ao ponto um, gostava que considerassem as opiniões generalizadas que vão no sentido contrário à ideia de escola a tempo inteiro. Recordo Sampaio da Nóvoa com a asserção “à sociedade o que é da sociedade e à escola o que é da escola” ou mais recentemente Santana Castilho com a “escola a mais, pais a menos”. Todos conhecemos o argumentário. Os problemas educativos das crianças, que vão da falta de tempo para brincar à sobrecarga com trabalhos de casa passando pelos horários de trabalho dos seus encarregados de educação, são remetidos para a escola e não merecem discussão no Conselho Nacional da Educação, na Assembleia da República ou no Governo. Se considerarmos que a escola deve, num período de transição, ajudar na guarda das crianças, a questão que gostava de ver discutida pode ir nos seguintes sentidos: se o optimismo das políticas educativas tem uma relação directa com a taxa de natalidade, por exemplo, não é um recuo civilizacional deixar essa tarefa em exclusivo à escola? Se a “escola” continuar a aceitar passivamente este tipo de programas, o provisório não se transformará em definitivo?

Ponto dois

Em relação ao ponto dois, e considerando o falhanço, com um auge em 2007, das políticas denominadas como “Novas Políticas de Gestão Pública” que remetiam para a prestação de contas as carreiras dos servidores públicos (a famosa accountability) e apontavam como exemplos organizações que em Portugal faziam escola no BES, na PT e na generalidade do sistema bancário e financeiro, gostava que se discutissem os motivos que levam a que dos três pilares (divisão na carreira dos professores, avaliação do desempenho dos professores e gestão escolar) mais nefastos para a descida acentuada dos climas organizacionais e das atmosferas relacionais nas escolas públicas, só o primeiro caiu. Nos outros dois casos, e até considerando o que foi dito para o ponto um, dá ideia que sobrevivem num regime de faz de conta e com receio que a sua eliminação se alastre à restante administração pública. A farsa do modelo de avaliação de professores “beneficia” do congelamento de carreiras e o modelo de gestão escolar da “apatia” democrática instalada. A interrogação que pode servir como ponto de partida da discussão, pode ser a seguinte: O que falta fazer e em que direcção?

Paulo Prudêncio

Paulo Prudêncio

4 COMMENTS

  1. Como sempre, O Conselho Geral, abrange, preocupa-se apenas, direi com maior frequência com a carreira dos professores, quando deveriam estar a discutir problemas da comunidade, principalmente dos alunos. Os problemas da carreira, principalmente progressão, não são da esfera do Conselho Geral.

    Leitor da comunidade escolar

    • Não percebi se quem comentou sobre a agenda percebeu a ideia deste Conselho Geral e sequer se passou os olhos por esta. Ou seja, a intenção inscrita é discutir todos os assuntos sobre Educação num âmbito nacional e não remetido ao espaço tradicional destes órgãos. Para além disso, para o ponto um é sugerida uma discussão referenciada “apenas” pelos interesses educaiivos dos alunos e mesmo no ponto dois esses interesses são, mesmo que indirectamente, salvaguardados. Paulo Prudêncio.

  2. A avaliação dos trabalhadores da administração pública portuguesa , sejam docentes sejam não docentes, deve ser expurgada da vertente economicista, facto que levou à sua criação e que ainda a orienta atualmente, sejamos honestos, e servir em primeiro lugar para corrigir as lacunas que os trabalhadores demonstram ao longo do processo avaliativo, e providenciar a formação adequada de modo a corrigi-las. Mas ainda não vimos essa vertente formativa que a avaliação de desempenho deve providenciar em qualquer das carreiras, quer especiais, docentes , quer gerais, não docentes, a ter uma aplicação efetiva. Já que a vertente económica na administração pública portuguesa continua e continuará congelada, ao menos que tenhamos trabalhadores públicos mais qualificados.
    João Ramalho

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