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Conselho Geral ComRegras| Os caminhos da Educação, por José Morgado.

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josemorgadoNos discursos sobre os contextos políticos é habitual o uso da figura “estado de graça” por ocasião da troca de Governos responsáveis ministeriais.

Todos nos recordamos do verdadeiro “ estado de graça” de que beneficiou Nuno Crato. Não considero nestas notas a efémera passagem da Ministra anterior pela 5 de Outubro. Para tal concorreram sobretudo duas dimensões. O consulado de Maria de Lurdes Rodrigues, desastroso em vários aspectos, criou muitas das bases do que Nuno Crato veio a realizar posteriormente e, em segundo lugar, o seu trajecto e exposição como opinador e divulgador que para além de entender que o MEC deveria ser implodido, contestava as políticas educativas com base num sedutor discurso de qualidade, exigência, rigor e competência. Estava, pois, criado um ambiente propício à mudança, surgia, aparentemente, o que era preciso.

O resultado … é história.

Com a mudança significativa entretanto acontecida chega Tiago Brandão Rodrigues e o seu, continuemos a usar a expressão, “estado de graça”, desde estruturas sindicais a opinadores, é definido com referências como “é alguém que vem de fora”, “não tem vícios” “com uma boa equipa de secretários de estado pode correr bem”, etc. Tal como na mudança anterior, o que estava parece tão negativo que qualquer mudança, mesmo protagonizada por alguém completamente fora do universo da educação, pode ser positiva.

No entanto, sem motivo de satisfação, confesso que tal como não me entusiasmei com a entrada de Nuno Crato, escrevi na altura que aquilo de que ele falava encerrava uma agenda que se tornou clara com o tempo, também não estou tão entusiasmado quanto gostava com as políticas educativas que se adivinham.

Do que se conhece e vai acontecendo, em termos mais práticos e com impacto mediático, releva o fim do exame final do 1º ciclo e o fim da sinistra PACC. Do meu ponto de vista são medidas acertadas mas curtas e que, aliás, devem ser encaradas com prudência sobretudo a questão da avaliação externa.

Para além disto, o que é enunciado em termos gerais e o que foi a política do PS em matéria de educação, recordo de novo Maria de Lurdes Rodrigues, não autorizam, creio, que as expectativas de mudanças significativas e concretas sejam elevadas. Estas mudanças deveriam ser num sentido de reforço e valorização da escola pública, da valorização social e profissional dos professores, da autonomia real das escolas, da promoção efectiva de uma educação inclusiva, de um repensar de um caminho de municipalização e privatização cheio de ambiguidades e alçapões, etc., etc.

Acredito que seria desejável que assim fosse. Será assim que vai ser?

Deixem lá ver, como se diz no Alentejo.

José Morgado

Artigo publicado no âmbito da 1º reunião do Conselho Geral ComRegras, com a seguinte ordem de trabalhos: Equipa do novo Ministério da Educação

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