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Conflitos Entre Alunos Onde O Protagonista É O “Diz Que Disse”

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Proliferam como cogumelos, seja com tempo seco ou molhado, de manhã ou de tarde, ao vivo e a cores ou nas redes sociais, brotam a uma velocidade alucinante.

A capacidade que os alunos têm de criar do nada um conflito, baseando-se no “diz que disse”, é algo que ainda hoje me surpreende.

Alguns alunos parece que nasceram com um desejo ardente de ser o centro das atenções, em querer manipular os outros como se fantoches fossem. Os técnicos dirão que é para chamar a atenção, que são carências afetivas,etc… Eu sei lá, há dias que julgo que a maldade não tem idade, que está encrustrada no ADN de alguns. Se alguns miúdos fossem máquinas, há muito que tinham sido trocadas por mau funcionamento.

As redes sociais vieram atirar nitroglecerina para esta fogueira mal dizente, são um perigo constante, e se os adultos muitas vezes perdem a noção dos limites atrás de um teclado, imaginem como são os chats de jovens que ainda não têm os “filtros” totalmente desenvolvidos.

É aqui que surgem, ou deveriam surgir, os encarregados de educação. Muitos permitem que os seus educandos tenham sem qualquer tipo de controlo, ferramentas sociais potenciadoras de comportamentos desviantes, incendiárias e que no dia seguinte explodem nas escolas sem qualquer tipo de aviso.

Os professores são chamados frequentemente a um papel educativo que não deveria ser prioritário no seu quotidiano, mas que infelizmente o é e cada vez é mais frequente.

E para aqueles que acham que o “diz que disse” não passa de uma fábula, conto-vos apenas um pequeno episódio.

Numa manhã de primavera surgiu um conflito entre 4 alunos. A meio da conversa e depois de muito esmiuçar, nenhum dos 4 sabia o real motivo do conflito, pois era tudo fumaça do “diz que disse” e ainda por cima sem qualquer fundo de verdade. Repito, eles nem sabiam o motivo da discussão e das agressões que daí surgiram.

O problema é que esta pequena indisciplina é constante, em quase 2 décadas de ensino, já perdi a conta ao número de conflitos provocados pelo “diz que disse”. É como se as escolas estivessem assombradas, não existe o dito, mas está sempre presente…

Quanto aos professores, são cada vez mais a força de bloqueio para este parasita que por aí anda. Dizem que os professores são também eles educadores, verdade, também são, mas cada vez mais parecem substitutos parentais. É que o título de suplente há muito que foi perdido e os professores são cada vez mais chamados para entrar em campo.

Alexandre Henriques

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