Home Editorial concurso de docentes e gestão escolar

concurso de docentes e gestão escolar

126
2

Concurso-2016Na estratégia que um diferente conjunto de bloguers defendem e afirmam, coordenados pelo Alexandre deste ComRegras, o mês de setembro foi dedicado ao tema dos concursos docentes. Pessoalmente assumo que não é tema no qual seja especialista, nem ao qual tenha dedicado muito do meu tempo (seja enquanto docente, seja enquanto investigador da educação).

Contudo, enquanto docente tenho sido opositor aos concursos docentes, em particular por via de mobilidade interna, uma vez que estou efetivo a 50km de casa. Acresce a esta circunstância o facto de ter e defender ideias em torno da promoção do sucesso escolar e da gestão de recursos humanos da escola, um e outro diretamente ligada aos concursos. É isto que me leva a acrescentar o meu contributo, a minha perspetiva sobre o tema.

Ora a grande questão dos concursos docentes prende-se com aquilo que resumo em torno de dois eixos de análise.

Primeiro. Por um lado, no eterno controlo do qual o Estado central nunca abdicou sobre os seus serviços e funcionários. É princípio que já vem do século XVIII, que o Estado Novo reforçou, que a democracia adaptou e que as plataformas tecnológicas readaptaram. Por outro, da própria desconfiança nos processos de proximidade, fruto das “famas” que a gestão local padece. Precisamos de alguma distância, de algum formalismo, para reconhecer competência e credibilidade, mas também para podermos criticar sem mal, nem consequência.

Como segundo eixo, a ineficácia e a ineficiência das autonomia locais. Se é certo que o local está condicionado pelo Estado central que tudo procura controlar é também certo que a gestão local é, muitas vezes, opaca, arbitrária, isolada e individualista, tornando-a frágil em argumentos, não criando laços de solidariedade ou sociabilidade (inter)institucional.

Um e outro dos eixos tem como implicação uma pescadinha de rabo na boca entre problemas e soluções. Ora o Estado não confia nos seus, ora os funcionários não confiam no Estado. Não se abdica de mecanismos de controlo, nem se alteram reivindicações pois o que está em causa é o poder que a situação confere a uns e a outros. Ao Estado por tudo (pretender) controlar, aos sindicatos enquanto mecanismos de reivindicação.

Contudo, sem querer ser determinista, sabendo que há argumentos de parte a parte, deixo algumas questões.

Será possível a contratação de docentes ser vista marginalmente à gestão do projeto educativo de cada escola/agrupamento, nomeadamente no que diz respeito à definição e implementação de estratégias de sucesso escolar, ou da inclusão escolar de alunos e famílias?.

Será possível restringir as funções docentes à sala de aula? Não será possível equacionar o trabalho docente (para além da sala de aula) na área da mediação pedagógica, na tutoria escolar e social, na formação de públicos, na sensibilização do escolar, isto é, como especialista educativo que é?

Até que ponto é possível adaptar os concursos já existentes, por exemplo, na área da saúde, à educação, articulando dimensões (nacional, distrital e local), respondendo a necessidades contextualizadas?

Manuel Dinis P. Cabeça

coisasdasaulas.blogspot.pt

2 COMMENTS

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here