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Comunidade escolar pede regresso rápido às aulas

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Professores reclamam testes, vacinas e melhores condições nas salas. Superior prioriza ensino laboratorial, como o dos finalistas de Saúde.

Comunidade escolar pede regresso rápido às aulas

Pais, diretores e professores estão de acordo quanto à necessidade de retomar aulas presenciais rapidamente, em particular das creches até ao 2.º ano de escolaridade, mas divergem nas condições necessárias para o regresso. No Superior, a urgência é dada às aulas práticas, impossíveis de ministrar à distância. Os peritos já deram luz verde ao ensino presencial dos mais novos e amanhã o Governo anunciará a decisão.

“Infelizmente, foi preciso prejudicar crianças para que os adultos percebessem que a pandemia é a sério”. Para Jorge Ascenção, da Confap, as escolas já fecharam para forçar os adultos a ficarem em casa. Passados dois meses, os números da pandemia até permitiam que as aulas dos mais novos, incluindo o 1.º ciclo, tivessem recomeçado. Agora, aponta para a próxima semana: “Temos relatos de crianças a regredir nas aprendizagens e no desenvolvimento. É um problema grave, que tem sido descurado”.

Juntar os dois primeiros anos de escolaridade à creche e pré-escolar é também a vontade de Manuel Pereira, da Associação de Diretores ANDE. “Não se aprende a ler e a escrever pela Internet”, justifica. Cabe ao Governo agendar a data, mas deve acontecer “o mais breve possível”. Mesmo que depois haja férias da Páscoa. “Um dia só já seria lucro”.

Até porque, lembra Filinto Lima (ANDAEP), estão a ser perdidas capacidades. “Já devíamos estar a estruturar um plano para recuperar as aprendizagens nos próximos anos”.

Fora dos portões

Filinto Lima e Manuel Pereira (secundados por Jorge Ascenção) têm insistido que as escolas são lugares seguros e que a transmissão se dá do lado de fora dos portões. A testagem massiva, diz Manuel Pereira, é bem-vinda, tal como a vacinação. “Mas se ficarmos à espera dos testes, só lá para setembro é que reabrimos”, ironiza.

A testagem e a vacinação de professores e pessoal não docente são duas condições necessárias para a reabertura, entende Mário Nogueira da Fenprof. A terceira é a organização da escola: mais distanciamento físico e mais pessoal para limpeza. O dirigente não avançou uma data desejável para a reabertura, mas alertou: “Se as escolas abrirem antes da Páscoa a sociedade pode pensar que a pandemia está melhor e a Páscoa pode ser um novo Natal”. Até porque, diz, não há provas da ausência de transmissão dentro dos portões das escolas.

Também Rodrigo Queiroz e Melo, dos colégios privados, não avança uma data para reabrir. “Devia ser já”, para permitir um regresso faseado dos restantes níveis de ensino, antes do final do ano. Quanto aos testes, que o Governo vai comprar apenas para as escolas do setor público e social, a associação está “em diálogo” para que todos os privados sejam incluídos.

No Superior, Pedro Dominguinhos do Conselho dos Politécnicos, apela a um regresso urgente das aulas presenciais nas matérias práticas, como as da área da Saúde. “Os finalistas não podem avançar para trabalho clínico sem ter as práticas laboratoriais”.

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