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Comprovado – Aumento De Vagas No Superior Para Alunos Do Ensino Profissional

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Estará o Ensino Secundário destinado a tornar-se “secundário” perante o Ensino Profissional?

Fica a notícia e um artigo do Paulo Guinote


As universidades e institutos politécnicos vão aumentar a percentagem de vagas em contingente especial para os alunos vindos do ensino profissional, noticia o Jornal de Notícias (edição em papel). A medida entra em vigor no próximo ano letivo, mas apenas para as instituições que adiram à iniciativa.

Esta medida não vai aumentar o número de vagas no ensino superior, antes vai atribuir mais 5 a 10% das vagas totais aos alunos vindos do ensino profissional.

Os critérios de acesso passam pelas classificações obtidas durante o percurso profissional e ainda está em discussão se será exigida alguma prova de acesso. De qualquer forma nunca será igual ao exame nacional a que estão sujeitos os alunos que entram no ensino superior pelo contingente normal.

O número de alunos no ensino profissional já representa 30 a 40% do total do ensino secundário, mas apenas 2 a 3% segue para o ensino superior.

Fonte: Observador


Os Profissionais do Truque

Recordemos: os cursos profissionais têm sido apresentados como a via para prosseguir estudos destinada a alunos que não se revêem num modelo curricular tradicional e com uma menor apetência pelo prosseguimento de estudos universitários. O argumento nuclear foi que esta resposta visava colmatar uma lacuna no próprio tipo de qualificação da população, e que a via profissionalizante visava formar uma nova geração de profissionais em áreas técnicas que revelavam carências. E afirmava-se com clareza que “nem todos querem ser doutores” e que a prioridade seria a entrada no mercado de trabalho. No Diário de Notícias, em artigo de “opinião da direcção” (3 de Abril de 2017) escrevia-se contra “quem ainda acredita que só a universidade pode garantir um futuro profissional condigno – e que claramente não olha para os números do desemprego jovem, que entre licenciados se mantém há cinco anos acima dos cem mil portugueses” e declarava-se que “a sensibilidade em relação aos cursos profissionais parece ter mudado e hoje é uma ambição assumida também pelo atual governo que mais de metade dos alunos cumpram o secundário neste modelo”, seguindo-se estatísticas de empregabilidade rápida para quem frequenta estes cursos na Europa.

Mas, começaram a acumular-se sinais que as coisas não seriam bem assim e que a via profissionalizante se poderia tornar uma via rápida para o acesso a estudos superiores ou algo parecido. Já com Nuno Crato (Março de 2014) tinham sido criados os Cursos Técnicos Superiores Profissionais de dois anos, a leccionar em Institutos Politécnicos, dando qualificação de nível V a quem os frequentasse com aproveitamento.

Com o actual governo percebeu-se rapidamente que se pretenderia ir mais além. Há dois anos, em Março de 2017, num debate na Escola Profissional do Fundão, já o secretário de Estado João Costa afirmava que “”Portugal ainda não meteu na cabeça que o 12.º ano do curso de pastelaria é tão válido e tão digno como o 12.º ano do curso de línguas e humanidades.” Curiosamente, não afirmou do curso de “ciências e tecnologias”, mas eu acredito que não fosse preconceito, apenas uma certa forma de pensar.  Um ano depois (7 de Março de 2018), no Diário de Notícias, dava-se a conhecer que mais de 80% dos alunos dos cursos profissionais não seguiam estudos universitários. Mais um mês e anunciava-se que os alunos dos cursos artísticos e profissionais “passam a estar nas mesmas condições que todos os outros para entrar no ensino superior, acabando-se com ‘requisitos discriminatórios’”.

Agora foi dado o passo além… após eliminar “requisitos discriminatórios”, o governo decidiu que os alunos dos cursos profissionais nem seriam tratados de forma igual, pois a nova cartilha é que, afinal, não são bem iguais, apesar de terem a mesma dignidade, e decidiu-se que nem exames de acesso à Universidade devem fazer, deixando a estas a regulação da entrada destes alunos.

Para além de desvirtuar por completo o que foi sendo afirmado ao longo dos anos, isto cruza-se com o facto de muitas instituições do ensino superior e politécnico precisarem desesperadamente de alunos. Claro que os provenientes dos cursos profissionais só como excepção conseguirão ultrapassar provas de acesso nas Faculdades de topo, daquelas em que as aulas são dadas em línguas que o currículo dos profissionais deixou pelas “aprendizagens essenciais”. Porque as Business Schools e outras instituições assim só em termos retóricos estarão interessados nos profissionais de pastelaria do Secretário João Costa.

Preconceito? Sim, da parte de quem toma medidas para que o Ensino Secundário se torne irrelevante para o acesso à Universidade e que o Ensino Superior ande a duas ou três velocidades, num sistema dual e desigual.

Fonte: Educare

 

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1 COMENTÁRIO

  1. Este secretário de estado vive, decididamente, numa qualquer realidade virtual e parece que ainda não se apercebeu que já todos perceberam que ninguém o leva a sério. Vou sentar-me numa poltrona para assistir a uma notícia, num futuro próximo, sobre a entrada, em massa, dos alunos que preferem ir “pó curso”, na universidade (até já visualizo uma fila de espera a perder de vista, num mundo admiravelmente novo, saído da mente iluminada que idealizou a obra “Flexibilidade para Totós”. Resta apenas saber se podem levar a prova de admissão à uni para fazer em casa e se a podem repetir, no caso de ser necessário. P.S. O requisito principal para se ser professor universitário será conhecer o 54 como a palma da mão.

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