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Compreenda Melhor O Seu Filho E Passe Mais Tempo Com Ele… – Mário Santos

Na esperança de que esta década promova alguma transformação social e, nomeadamente, que os pais aproveitem melhor o tempo em família, partilho “sete passos para conhecer melhor o seu filho”, que acredito que serão fundamentais para alcançar a harmonia familiar.

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O artigo deste mês apresenta alguns conteúdos técnicos que constituem contributos para solucionar um problema de postura parental que tem vindo a criar uma profunda fenda na sociedade.

Todos os dias se escreve sobre a falta de tempo que os pais têm para estar em contacto direto com os filhos. Da mesma forma, se referem as consequências comportamentais que observamos nas novas gerações e que resultam de um ambiente social extremamente competitivo e muito focado no consumo. É muito comum, de facto, os pais não terem tempo útil de convívio diário com os filhos, porque optam por mantê-los “sossegados”, amorfos e distantes, agarrados a telemóveis ou a consolas de jogos. Estou convicto de que muitos pais não se encontram plenamente conscientes dos imensos problemas, ao nível motor, cognitivo, emocional e de formação de valores, que os seus filhos vão ter que carregar ao longo da vida, e que resultam dessa postura parental.

Na esperança de que esta década promova alguma transformação social e, nomeadamente, que os pais aproveitem melhor o tempo em família, partilho “sete passos para conhecer melhor o seu filho”, que acredito que serão fundamentais para alcançar a harmonia familiar.

Ter tempo para estar, brincar e compreender o seu filho é uma das coisas mais importantes que cada pai deve aprender.

O adulto deve começar por “observar” a personalidade única do seu filho, que permanece consistente ao longo da vida. É esse caráter único da personalidade de cada criança que torna tão importante o ato de a observar, porque isso irá desencadear todo um processo de compreensão do seu filho. A observação pode ser feita e registada enquanto o seu filho dorme, come ou brinca, para assim poder conhecer os seus traços mais consistentes.

Dentro de uma lógica de conhecimento aprofundado do seu filho, o adulto deve privilegiar o “conhecimento dos ambientes” que o seu filho frequenta diariamente. Deve, nesse contexto, observar os seus comportamentos e os dos outros, para poder elaborar uma avaliação mais concreta dos valores que ele está a adquirir. Se a criança frequenta ambientes onde não impera a calma, o respeito e o tom de voz moderado, a probabilidade da criança vir a manifestar-se stressada e até violenta, é elevada.

Os pais devem procurar ter um diálogo com todos os agentes educativos (professores, auxiliares, parentes, treinadores) dos seus filhos para que estes possam dar um feedback assertivo sobre o seu comportamento e sobre as suas competências.

Os pais têm de ter como objetivo diário passar “tempo de qualidade” com os filhos, em vez de chegarem a casa e ainda terem de cumprir tarefas que os impedem de os conhecer melhor, de assistirem ao seu crescimento, de saberem os seus gostos, hábitos, costumes, ou de entenderem melhor a sua personalidade.

“Saber ouvir” é outro aspecto muito importante. Quando conversa com seu filho, experimente incentivá-lo a falar e, depois, ouça atentamente o que ele está a dizer. As crianças podem não ser capazes de se expressar com clareza, e é por isso que deve prestar toda a atenção às palavras que elas usam, mas também aos gestos, à postura, à emoção com que fala.

Outra sugestão relevante é a de “estar informado sobre o desenvolvimento infantil”.
Aí terá que entrar a proatividade dos pais na compreensão dos diferentes estágios do desenvolvimento infantil para compreenderem melhor o desempenho do seu filho. É importante reservar tempo para ler livros, revistas on-line e falar com um especialista que lhe possa dar algumas pistas sobre psicologia e o desenvolvimento infantil. Quando você não sabe o que esperar, tudo e qualquer coisa pode parecer bem ou vice-versa.

Os pais, neste processo de conquista dos filhos, e para poderem “criar empatia” com eles, têm que pensar como uma criança e até agir como ela para a poderem alcançar. O brincar é extraordinariamente importante, porque as crianças desenvolvem competências sociais, emocionais e motoras que a acompanham para a vida e permite criar uma empatia com os pais que leva a um entendimento e a uma cumplicidade extraordinariamente importantes. Através do brincar e da empatia, os pais podem aperceber-se do que se está a passar na vida dos seus filhos e atuar de forma natural e assertiva.

A sequência deste processo leva a que os pais se comecem a inteirar-se da “inteligência emocional” do seu filho, que é a capacidade de uma pessoa identificar, expressar e controlar as suas emoções. O desenvolvimento das emoções altera de criança para criança. É essencial que o pai tenha um conhecimento profundo do seu filho, para que possa assinalar as emoções que estão mais desenvolvidas e potenciá-las. Assim como deverá identificar as emoções menos desenvolvidas e trabalhá-las, de forma a deixarem de constituir uma ameaça e passarem a ser oportunidade de crescimento. Só desta forma, a criança poderá beneficiar de um crescimento emocionalmente saudável e bem preparado.

Este artigo cumpre esse objetivo de partilhar alguns conhecimentos nesta matéria com os pais, para que consigam aumentar o tempo de qualidade, a ligação e a compreensão, que defendo que deve existir entre pais e filhos.

Fonte: O Jornal Económico

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