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“Complicómetro”

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on___offPodem ler aqui o que o meu colega Paulo Guinote escreveu no seu blog “A Educação do meu Umbigo” intitulado “protocolos”.

Deveria ser assim, simples e eficaz. Acreditem que recuperava umas “horitas” no meu dia a dia… Porém, ao fim de quase quatro anos a lidar com situações disciplinares dia após dia, concluo que a reflexão de Paulo Guinote dificilmente se tornará realidade, pois mesmo as situações mais simples dependem sempre de leis e pessoas complexas.

Temos um estatuto do aluno que manteve a disciplina burocratizada, onde tudo tem que ser escrito e justificado, respeitando uma série de procedimentos, onde não existe uma autonomia por parte da escola. Até mesmo a “celeridade de procedimento” art.º 31 do estatuto do aluno, carece do reconhecimento da culpa por parte do aluno e do seu pedido para que se realize.

É só verificar em baixo, na versão resumida, os procedimentos obrigatórios.

 medidas corretivasmedidas sancionatóriasfases do processo disciplinar

Ultrapassando a legislação, temos a questão da interpretação… Só isto é mais complicado que muitas situações disciplinares.

Um professor pode fazer uma interpretação que determinada situação foi grave, enquanto outro pode considerar que o mesmo tipo de situação foi pouco grave. Por sua vez, o diretor de turma pode considerar que aquilo que o professor considerou grave, afinal não o era, não comunicando ao diretor da escola. No entanto, outra situação que afinal era pouco grave, foi comunicada ao diretor de turma e como este achou que era grave comunicou ao diretor da escola. Conclusão: o diretor tomou apenas conhecimento da situação que era pouco grave ficando na ignorância sobre aquilo que era realmente grave.

Já nem vou entrar na questão da gestão de conflitos e estratégias para prevenir situações de indisciplina. Isso fica para outras núpcias.

Sobre os encarregados de educação e as interpretações que estes fazem sobre a situação descrita, há para todos os gostos…

As situações com que lido diariamente apresentam diferentes níveis de complexidade e envolvem uma série de variantes. Tais situações devem ser devidamente analisadas de modo a tomar a ação mais correta, com o objetivo de prevenir, dissuadir e se for o caso, punir.

Por isso sou defensor de um gabinete disciplinar. Um gabinete que retira muito trabalho e responsabilidade aos professores, nomeadamente diretores de turma. Um gabinete que receba, analise e decida com base em critérios previamente estabelecidos e consiga desligar o “complicómetro” de algumas pessoas.

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