Home Rubricas como muda a escola

como muda a escola

94
0

Hoje escrevo com base em dois temas que decorrem do final da semana passada que gostei de ler e que deram para algumas partilhas e alguns pontos de opinião por aqui mesmo..

Começo pela questão, quem muda a escola? É uma interrogação mas, ao mesmo tempo e de forma tão pertinente quanto aquela, é uma afirmação há procura de sentidos e enquadramento. Destaco este texto por comportar uma ideia de todo em todo interessante (entre outras). Coloca a questão mas responde defendendo que quem muda a escola somos todos nós, os que lá trabalhamos, que temos lá os filhos ou simplesmente porque somos cidadão e consideramos a escola como um instrumento de mudança (pessoal e cultural, mas também social e económica).

Uma outra questão que gostei de ler diz respeito à conversa (chamo-lhe assim) do ministro da educação com alunos sobre os currículos escolares (destaco também o link do publico por ser o apontamento que considerei  mais interessante). Interessante por duas razões que encerram em si muitas e diversificadas questões de análise (pelo menos enquanto profissional da escola e da educação). Uma primeira diz respeito à defesa que a escola deve assegurar às crianças tempo para ser crianças. Segunda, a afirmação dos alunos que falta sentido crítico à escola, às matérias, aos conteúdos.  

Com estes dois apontamentos, sendo eles um artigo de opinião e uma reportagem, quero sublinhar apenas uma ideia. Mais que questionar quem muda a escola a escola importa perceber como muda a escola. Ideia chave na escola do século XXI no sentido do espírito crítico e de interpretação do nosso mundo.

De forma genérica os diagnósticos estão feitos. Turma por vezes grandes. Comportamentos aleatórios, alheados e indiferentes ao trabalho de sala de aula. Programas extensos, complexos, desarticulados entre si, compartimentados nas suas gavetas disciplinares. Pouca relação com o mundo atual, com as suas dimensões mais práticas ou mais imediatas. Cargas horárias e burocráticas desajustadas, trabalho isolado e individual. Predominância do pensamento enciclopédico em detrimento da forma de interpretação e crítica do mundo atual. Limitações demográficas que colocam problemas de rigidez na oferta escolar. And so on.

Se, ainda que genericamente, concordemos com o diagnóstico, se assumirmos que quem muda as escolas são aqueles que a fazem e a vivem (professores, alunos, pais/encarregados de educação, local, ainda que em doses diferentes e diferenciadas) então falta perceber como muda a escola.

Assim, se quem muda a escola são os que a vivem e trabalham, falta identificar uma estratégia de mudança. E identifico-a, aponto-a. Deverá ser uma estratégia que, alicerçada em políticas educativas, permita reconhecer a diversidade e pluralidade de situações (quer de problemas quer de soluções). Como reconheça a capacidade (e responsabilidade) local de identificar estratégias de mudança – de acordo com os públicos, os contextos, as situações e as circunstâncias. É preciso ousar. 

Enquanto isto não acontecer podem vir ministros que oiçam tudo e todos, que impludam ou explodam o ministério ou as políticas, que tudo (ou quase) permanecerá como dantes. Ilhas de sucesso e guettos de insucesso. Diferenças significativas e pronunciadas entre norte e sul, interior e litoral, urbano e rural. E a escola devia exatamente esbater estas diferenças. Contudo, neste século XXI acentua-as.

Manuel Dinis P. Cabeça

Coisas das Aulas

07 de novembro, 2016

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here