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Como anda a educação no Brasil?

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brasil ensinoAo propor uma reflexão sobre a educação brasileira, vale lembrar que só em meados do século XX o processo de expansão da escolarização básica no país começou, e que o seu crescimento, em termos de rede pública de ensino, se deu no fim dos anos 1970 e início dos anos 1980.

O Brasil ocupa o 53º lugar em educação, entre 65 países avaliados (PISA). Mesmo com o programa social que incentivou a matrícula de 98% de crianças entre 6 e 12 anos, 731 mil crianças ainda estão fora da escola (dados do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O analfabetismo funcional de pessoas entre 15 e 64 anos foi registrado em 28% no ano de 2009 (IBOPE); 34% dos alunos que chegam ao 5º ano de escolarização ainda não conseguem ler (Instituto Todos pela Educação); 20% dos jovens que concluem o ensino fundamental, e que moram nas grandes cidades, não dominam o uso da leitura e da escrita (Instituto Todos pela Educação).

Nos últimos cinco anos, o investimento do governo federal em educação aumentou em quase 50%. Em 2010, o orçamento federal para o Ministério da Educação (MEC) foi de R$ 92,7 bilhões (cerca de 41 mil milhões de euros). A cifra saltou para R$ 137,2 bilhões (cerca de 33 mil milhões de euros) em 2015 e, neste ano, deve fechar um pouco abaixo – a previsão é de R$ 130,4 bilhões (cerca de 36 mil milhões de euros). Embora o aumento do investimento em educação no Brasil (em reais – em Euros houve redução devido a forte desvalorização do Real frente ao Dólar e ao Euro nos anos 2010 a 2016) ao longo dos últimos anos seja um fato, é uma realidade também a de que o país destina uma fatia maior de seu orçamento em educação que outros países – inclusive os desenvolvidos. Conforme o relatório da OCDE, o Brasil investe 5,6% de seu Produto Interno Bruto (PIB) em educação. O número supera o gasto proporcional de países como Austrália, Suíça, Portugal, Espanha, Polônia, Japão, Alemanha e Itália. No entanto é preciso pensar se os recursos são bem empregados. O relatório aponta ainda que a média investida por aluno (U$S 2.900) é muito menor que o da média das nações (U$S 8.900). Ser mais eficiente no emprego dos recursos destinados à educação no Brasil é um desafio para os próximos anos. Listamos outros quatro problemas que devem ser enfrentados pelos governantes, sociedade, professores e alunos para que tenhamos uma educação de qualidade.

Universalizar o acesso da educação ao brasileiro

Na passagem do ano 1999 para o 2000, a Organização das Nações Unidas (ONU) traçou uma série de metas para que os países pudessem cumprir até 2015, que ficaram conhecidas como Objetivos do Milênio. Para a educação, o desafio brasileiro era incluir, até o ano passado, todas as crianças no ensino básico de qualidade. Ainda não é possível garantir se a universalização da educação para crianças e adolescentes de até 17 anos foi alcançada. Dados de 2008 mostram que 94,9% do total de jovens nessa faixa etária estavam dentro de sala de aula.   Em 2014, o governo federal mapeou que há 3 milhões de crianças e adolescentes (entre 4 e 17 anos) fora das escolas. O desafio maior está nas duas pontas dessa faixa etária. Entre as crianças com 4 anos, uma em cada quatro não frequenta o colégio. Isso representa 690 mil crianças, conforme o MEC. No caso dos jovens de 17 anos, são 932 mil fora das aulas. O problema maior está localizado no chamado “ensino médio”, com muitos jovens evadindo-se da escola por questões variadas, sendo a mais forte a necessidade de trabalhar para complementar a renda familiar ou suprir suas necessidades pessoais.

Investir na formação de professores

professoresEsse é um obstáculo grande a ser ultrapassado. No início do segundo trimestre, o MEC lançou um programa que vai oferecer 105 mil vagas em universidades federais para formação adequada de professores que lecionam nas redes estadual e municipal, mas que não atuam em sua área de formação. Conforme a pasta, dos 709.546 professores efetivos do ensino fundamental e médio, 374.829 (52% do total) dão aulas de disciplinas mesmo sem serem formados naquela área e precisam complementar a formação superior.

Responsáveis pela formação acadêmica e humana de alunos das mais diversas idades, os professores brasileiros recebem um terço do salário dos demais docentes de países da OCDE. O levantamento feito pela organização leva em conta a média de salário anual de docentes da rede pública de educação do Brasil. O Brasil ocupa a posição de número 36 entre 37 países analisados. Conforme o estudo, o docente brasileiro, no ano de 2014, ganhava por ano o equivalente a U$S 10.375 – sendo que a média para os países que compõem a entidade era de U$S 29.411. Pior colocado que o Brasil no ranking, somente a Indonésia, país asiático onde o professor recebe uma remuneração anual equivalente a U$S 1.560.

Melhorar os resultados das avaliações externas

A disparidade de investimento per capita fica mais fácil de ser compreendido quando reparamos nos resultados de alunos brasileiros avaliados em testes internacionais. Um dos exames de maior prestígio é o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), que testa conhecimentos de alunos de 15 anos sobre leitura, matemática e ciências. Em 2012, a média da nota dos estudantes brasileiros foi de 402 pontos – o que colocou o Brasil na posição de número 59 em um ranking que analisou a educação em 65 países.

Fontes:

<http://brasilescola.uol.com.br/educacao/educacao-no-brasil.htm>, acessado em 01/09/2016.

<http://starlinetecnologia.com.br/blog/4-desafios-para-uma-educacao-de-qualidade-no-brasil>, acessado em 01/09/2016.

https://www.oecd.org/edu/Education-at-a-Glance-2014.pdf, acessado em 01/09/2016.

http://www.objetivosdomilenio.org.br/educacao/, acessado em 01/09/2016.

http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=36521-apresentacao-censo-escolar-divulgacao-22032016-pdf&category_slug=marco-2016-pdf&Itemid=30192, acessado em 01/09/2016.

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