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Comissão quer exames só para acesso ao superior. Perguntas obrigatórias aumentam

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A solução encontrada para os exames nacionais no ano passado, quando o processo foi adaptado para responder às especificidades trazidas pela pandemia, deverá manter-se no essencial, mas com pequenas alterações. Continua o regime de perguntas obrigatórias e facultativas, mas a percentagem das primeiras vai crescer, segundo o Instituto de Avaliação Educativa (IAVE). A realização de exames para melhoria de nota também deverá ser possível, se for aceite a recomendação da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES) nesse sentido.

A CNAES reuniu-se esta segunda-feira, para emitir parecer sobre a realização dos exames nacionais. “Entendemos que se devem realizar apenas os exames nacionais das disciplinas que são para acesso ao ensino superior, mas incluindo a possibilidade de melhoria de nota. E que a avaliação e aprovação do ensino secundário deve ser apenas com avaliação interna, como já foi seguido no ano passado”, disse ao PÚBLICO o presidente da CNAES, Fontaínhas Fernandes, após a reunião.

Habitualmente, para os cursos científico-humanísticos, as notas dos exames nacionais contam duas vezes para o estabelecimento da média de acesso ao ensino superior – a nota pesa 30% na classificação final das disciplinas em que há prova nacional e pesa entre 35% a 50% na média de acesso, caso a disciplina seja considerada como uma prova específica de ingresso.

Quando se decidiu, fruto das alterações do ano passado, que a avaliação do ensino secundário não contaria com o peso destas provas, quem procurava subir as notas à custa dessa hipótese, sentiu-se prejudicado.

“Um exame como sempre fizeram”

O que já é certo que irá continuar são as provas com perguntas obrigatórias e perguntas facultativas. No caso destas últimas, os alunos podem ou não responder às questões, mas se o fizerem, só serão contabilizadas as melhores respostas (numa percentagem a determinar).

No ano passado, quando surgiram as alterações aos exames nacionais, os exames já estavam feitos, o que obrigou a uma adaptação, em vez da elaboração de uma prova de raiz. O resultado foi notas “demasiado elevadas”, com os estudantes a deixarem de fora as questões mais difíceis. O presidente do IAVE, Luís Pereira dos Santos, já dissera ao PÚBLICO que iriam procurar uma solução “mais equilibrada” para as provas deste ano, e a forma de o conseguir está definida.

“As provas do ano passado já estavam praticamente terminadas quando introduzimos as alterações. Detectámos algumas questões que não funcionaram tão bem. Apesar de já estarmos a prever um aumento das médias, como é óbvio, percebemos que tínhamos de fazer alguns ajustamentos, nomeadamente os itens obrigatórios terem a capacidade de abarcar uma amostra do currículo representativa. Essa era a nossa grande preocupação”, diz o responsável do IAVE.

A melhor forma de o conseguir, explica, é aumentando, na generalidade, o número de questões obrigatórias.

Olhando para a informação divulgada pelo IAVE até poderia parecer o inverso. Se, no ano passado, se dava o exemplo de que num exame com 20 questões, 14 seriam obrigatórias e seis facultativas, a informação divulgada este mês dava conta que em 20 questões, 10 seriam obrigatórias e 10 facultativas. Mas Luís Pereira dos Santos diz que estes exemplos “não são indicativos”. A realidade é que as questões facultativas serão menos, e não mais, do que no ano passado. “Vamos aumentar um pouco, nada de especial”, garante. O que se vai manter é o valor atribuído a cada uma das perguntas facultativas – tal como nos exames do ano passado, cada uma destas questões valerá exactamente o mesmo, porque “não seria justo ou ético” estar a obrigar os alunos a escolher a pergunta a que irá responder por causa da pontuação que lhe é atribuída, refere.

E para os estudantes, o presidente do IAVE deixa uma garantia de tranquilidade: “Os exames vão ser muito idênticos, em termos de construção dos itens e da sua estrutura ao que tem sido feito nos últimos anos. O grau de complexidade está equilibrado da mesma forma, não há nada de muito diferente. Os estudantes têm de estar descansados neste aspecto, porque vão fazer um exame como sempre fizeram.”

O calendário é que será um pouco diferente do habitual. A primeira fase dos exames nacionais do ensino secundário decorre entre 2 e 16 de Julho (resultados afixados a 2 de Agosto) e a segunda fase entre 1 e 7 de Setembro (resultados a 16 de Setembro). Já as provas finais do 9.º ano irão acontecer entre 28 de Junho e 2 de Julho (1.ª fase) e entre 21 e 23 de Julho (2.ª fase).

No que diz respeito às provas de aferição, foram canceladas as de Expressão Artística e de Educação Física, ambas no 2.º ano.

O IAVE considera, contudo, que “a recolha de informação sobre o desenvolvimento das aprendizagens dos alunos é fundamental para que escolas, professores, alunos, encarregados de educação e decisores políticos possam ter uma melhor percepção das condições em que o desenvolvimento do currículo decorreu”, neste “contexto de incerteza e inovação”, provocado pela pandemia. Pelo que estipula na informação sobre o procedimento de realização dos exames de avaliação externa, que “as provas de aferição irão manter a sua estrutura habitual, em particular no que diz respeito às características dos itens, ao processo de classificação e à devolução de informação às escolas”.

Neste caso, o calendário definido diz-nos que as provas de aferição para o 2.º, 5.º e 8.º ano se realizam entre 14 e 21 de Junho. A componente oral da prova de Inglês do 5.º ano decorrerá entre 27 de Maio e 9 de Junho.

Público

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