Home Escola Comentário da Semana | “Se precisarmos de saber os órgãos do peixe,...

Comentário da Semana | “Se precisarmos de saber os órgãos do peixe, ou a data de uma revolução, vamos ao Google. É o que os adultos fazem.”

117
0

Nova rubrica dedicada aos nossos leitores. Ao fim de semana (espero ter tempo…), publicarei o comentário que me chamou mais a atenção. Não existem critérios nem temas, apenas vou lendo o que vocês comentam e depois publico.


O desabafo que publiquei na semana passada “Chega meninos, estou farto! Se não vai a bem vai a mal…”, teve um impacto significativo (mais de 25 mil pessoas viram o artigo no seu mural do facebook). Da parte dos professores houve uma natural identificação, o que infelizmente prova que a “pequena” indisciplina está um pouco por todo o lado. Porém, várias foram as pessoas que apontaram o dedo às metodologias de ensino.

Mais do que centrar a questão no meu caso pessoal, até porque a minha disciplina (Educação Física) tem muito do que se pretende num ensino “moderno”: liberdade, movimento, prática, ensino personalizado. Importa abordar a questão na generalidade. A mãe Sara Rodi fez isso mesmo. O seu comentário na página de facebook do ComRegras merece ser lido por muita gente, por isso partilho convosco.

* os negritos e imagem são de minha autoria.

Não sou professora, sou apenas mãe de 4 filhos, que tem procurado entender porque é que os alunos acham a escola uma seca, estão desmotivados e, das duas uma, ou estão distraídos, ou perturbam a sala de aula. Estou solidária com os professores – porque é realmente insano tentar dar aulas nestas condições – mas não consigo concordar com a solução apresentada. Firmeza e limites são sempre importantes (eu também sou obrigada a recorrer a eles em minha casa), mas aquilo de que os meus filhos mais se queixam, é exatamente da falta de relação entre os professores e os alunos. Queixam-se que muitos professores chegam à sala de aula e “debitam” a matéria – muita matéria, sem tempo para reflexão, debate, sempre com a preocupação do teste e do exame… quando, como eles me dizem, aquilo não lhes vai servir de nada. Primeiro, porque vão repetir aquela matéria mais algumas vezes ao longo do percurso escolar. Depois, porque “se precisarmos de saber os órgãos do peixe, ou a data de uma revolução, vamos ao Google. É o que os adultos fazem.” Queixam-se de que as novas ferramentas de trabalho e comunicação, usadas no meio laboral, não estão nas escolas. Que as aulas são extensas (quando têm aulas expositivas durante um dia inteiro, chegam a casa de rastos), e que lhes falta muito tempo para brincar, passear, aprofundar outros interesses a que a escola não dá resposta. Eu, enquanto mãe, queixo-me do mesmo. A escola invade a nossa vida familiar com uma sobrecarga de trabalhos, trabalhos de grupo, testes e mais testes… E o tempo que deveria servir para o diálogo, para a transmissão das boas práticas, é passado a mandá-los trabalhar. Quem não consegue dar resposta a isto, coloca-os em explicações… e os miúdos ficam literalmente sem tempo para eles. Se não têm tempo para descansar ao final do dia e ao fim de semana, como esperar que eles estejam concentrados durante as 6 a 8 horas que passam nas aulas? Os meus filhos até não apresentam problemas de comportamento, mas estão saturadíssimos da escola. E eu pergunto: a escola deve ser isto? É este modelo de escola que vai transformar esta geração em bons profissionais, empenhados, críticos, criativos, bons cidadãos, respeitadores, pessoas felizes e que geram felicidade à sua volta? Não deve a escola ser repensada? Atualizada? Refletir-se sobre o que se quer, exatamente, dos alunos, em que é que queremos que eles se transformem, e como podemos lá chegar? Acho que é urgente esta reflexão, e precisamos, como nunca, de professores motivados para levarem a cabo esta transformação. Professores que desistiram de tentar criar relação com os alunos, que desistiram de sorrir, de os motivar, não vão transformar os nossos alunos em melhores pessoas, no futuro. Nós, pais, temos também muito que refletir. Muito que aprender e muito que mudar (políticas da família que nos permitissem mais tempo para acompanhar os nossos filhos, seria também algo fundamental). Mas a verdade é que é na escola que depositamos os nossos filhos, 8 horas por dia. Eles estão, muitas vezes, mais tempo convosco do que connosco. Precisamos de estar unidos e trabalhar em conjunto para voltar a “ter mão” (no melhor sentido da palavra) nesta geração, que será o futuro do país.

Sara Rodi

 

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here