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Começou A Caça Às Notas Inflacionadas

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A ação abrange 76 estabelecimentos de ensino públicos e 24 privados e pretende ter um efeito “regulador e dissuasor”.

Duas semanas depois de o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, ter prometido mobilizar mais inspetores e abranger mais escolas para travar a “inflação artificial” das classificações, de modo a que exista mais “equidade no concurso de acesso ao superior”, os técnicos avançaram no terreno.

EDUCAÇÃO A Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC) está a fiscalizar 100 escolas secundárias, desde o dia 3, no âmbito do combate à inflação de notas nos 11.º e 12.º anos, apurou o JN. A ação abrange 76 estabelecimentos de ensino públicos e 24 privados e pretende ter um efeito “regulador e dissuasor”. Duas semanas depois de o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, ter prometido mobilizar mais inspetores e abranger mais escolas para travar a “inflação artificial” das classificações, de modo a que exista mais “equidade no concurso de acesso ao superior”, os técnicos avançaram no terreno.

DOIS DIAS EM CADA ESCOLA

A presidente do Sindicato dos Inspetores da Educação e do Ensino (SIEE), Bercina
Calçada, esclarece, contudo, que cada profissional está apenas dois dias em cada escola
para entrevistar a direção, a direção pedagógica e docentes. Tem ainda de analisar documentos e as respostas dos alunos dos 11.º e 12.º anos a um questionário online.
No terceiro dia, têm de produzir e entregar um relatório.
Se houver indícios de infração, é instaurado um inquérito, que pode dar origem a um processo disciplinar ou ser arquivado.
“Como é que um inspetor consegue travar a inflação artificial de notas em dois dias?”, questiona Bercina Calçada. “A nossa ação tem de ser preventiva e não repressiva.
Isto só se resolve com a presença sistemática da IGEC nas escolas”, defende
a presidente do SIEE.

O número de profissionais no terreno diminuiu cerca de 40% desde 1996. Hoje, existem apenas 163 inspetores para acompanhar 8647 escolas, do Pré-Escolar ao Ensino Superior. E, desses, 11 foram requisitados para reforçar a Autoridade das Condições do Trabalho por dois meses e meio, na sequência da pandemia da covid 19, período que pode ser
alargado.

34 INSPEÇÕES EM 3 ANOS

O último concurso para recrutar 24 inspetores foi aberto há um ano e meio, mas ainda não estão ao serviço.
O Ministério da Educação (ME) diz que o procedimento está concluído, mas não indica quando iniciarão funções. “Após a necessária tramitação final nas Finanças, terá início a formação especializada”, explica ao JN. Acredita, porém, que “os recursos atualmente mobilizados para o objetivo [combater a inflação de notas] são capazes e suficientes”.
Dados da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, facultados pela presidente
do SIEE, revelam que as intervenções efetuadas, no âmbito do “indicador de alinhamento das classificações internas”, só abrangeram 34 escolas, entre 2015 e 2018 (em 2006 não
fiscalizaram nenhuma). O Plano de Atividades da IGEC previa 11 ações em 2019 e
nove este ano, embora o ministro tenha dado indicações posteriores para haver
um reforço.
Recentemente, o JN deu conta do receio de docentes de que possa haver inflação
de notas em algumas escolas para facilitar o acesso ao ensino superior, devido à ausência
de indicações do ME em relação aos critérios de avaliação no 3.º período devido
à pandemia.
Enquanto algumas escolas reduziram o peso na avaliação final para 10%, e suspenderam
a realização de testes, outras mantiveram a atribuição de 25% na classificação final e a avaliação através de testes por videoconferência, o que foi encarado como uma estratégia para inflacionar as notas, devido ao risco de plágio.

PROCESSOS

57 processos abertos O Ministério da Educação garante que, desde 2019, foram  Instauradas “duas dezenas de inquéritos sobre a concentração de um conjunto de classificações anormalmente elevadas” em várias escolas, dos quais resultaram 57 processos disciplinares pela Inspeção-Geral de Educação.
Destes, 37 “correm os seus termos” e 20 estão em fase de conclusão.
Onde houve processos?
Presença habitual nos lugares de maior destaque nos rankings, o Externato Ribadouro, no Porto, foi alvo de três processos disciplinares em 2019, por inflacionar as notas de Educação Física. Já em 2016, no Colégio D. Leonor, nas Caldas da Rainha, a média dos estudantes do 12.º ano nas disciplinas de Direito, Sociologia, Inglês, Química, Física e
Biologia – que não têm exame mas ajudam a subir a média – foi de 18,1 valores. Alvo de investigação por parte da IGEC, o processo foi arquivado.

Fonte: JN 

2 COMMENTS

  1. Não se faz nada ao facto de os exames de acesso ao ensino superior serem feitos em casa, vigiados por professores da casa e os seus resultados serem o melhor marketing para tantos estabelecimento de ensino Privado?
    Talvez quem mande não queira que esta situação se altere…
    Defendo que os exames nacionais devem ser feitos em espaço diferente de onde se estuda ou vigiados por equipas mistas: 1 professor da casa e outro de fora…. em todas as escolas e principalmente nos estabelecimentos privados.

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