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Comecei o dia com um prémio….

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E partilho-o com todos os “clandestinos rasteiros”, a quem o caos organizacional e de tempo de trabalho do “54” incomoda.

Afinal, sempre tive um prémio da pró-inclusão. Quer dizer, de David Rodrigues, que é quase a mesma coisa, se virem o site da dita e a quase exclusividade do que lá se publica.

Trabalhei com um velho resistente antifascista, que me ensinou a responder aos insultos: meço a injúria pela fonte e há quem não tenha estrutura moral para me fazer sentir ofendido.

Mas partilho convosco os pensamentos inclusivos e fofinhos, que o dito senhor escreveu num comentário no Facebook àquela brincadeira dos prémios aos professores portugueses, em que segui a inspiração do António Duarte.

Como se diz no site da agremiação, àcerca do momento em que o dito senhor recebeu um louvor da Assembleia da República, o meu olhar ficou “visivelmente comovido” com a distinção:

“A grande, enorme pobreza de qualquer profissional é ignorar – e ainda por cima publica e orgulhosamente – os contributos teóricos, práticos, éticos e conceptuais que foram dados para a dignidade e estatuto da sua profissão. São práticos rasteiros, que pensam que se fazem alguma coisa bem é pelo seu talento e se alguma coisa corre mal é “o sistema”. Quanto a este pedido de “desarriscanço” fique descansado. Nunca tivemos qualquer vislumbre de agradecer e celebrar o seu contributo para a Educação (que é completamente clandestino…). Fique mesmo MUITO descansado,…”

Vi-me assim rotulado e incluído no grupo dos que David Rodrigues acomoda nos hereges, que não vêem a luz com que ilumina o nosso caminho de rastejantes. E clandestinamente, mas animado pela distinção, lá comecei mais um dia de labuta na escola, a tentar desenvencilhar-me das rasteiras e loucas burocracias, que David Rodrigues e outros que tais me colocam no quotidiano, em nome da maiúscula IDEIA que sonoramente proclamam, mas visivelmente renegam na primeira curva mais apertada.

3 COMENTÁRIOS

  1. Surpreende-me o tom e a intolerância perante a divergência!
    Os sistemas que não são capazes de lidar com as críticas não podem produzir nada de bom, como a história não se cansa de mostrar.
    O problema da educação é que a discussão se entrincheirou num território demasiado ideológico e todos sabemos a incapacidade, muito frequente, para o diálogo fluir neste contexto.
    Não seria melhor indagar sobre as razões que estão a criar tantas dificuldades na implementação nos normativos relativos a esta matéria, ou demonstrar as suas potencialidades (não apenas intenções)? Será apenas a resistência à mudança ou haverá muito mais do que isso?
    Tendo tido a experiência dos currículos alternativos, que o tempo me permite avaliar como extremamente positiva e inclusiva porque todos os alunos que a integraram têm hoje uma vida autónoma (100% de sucesso comprovado pela vida e não apenas pelas estatísticas!), posso afirmar que há muitas vias para chegar a um destino. O problema das reformas é que, por serem tão ideológicas, ficam reféns das suas verdades, incapazes de ponderar diferentes olhares e razões.
    Se é verdade que a verdade não existe, há, contudo, crenças mais verdadeiras do que outras, como defendeu Hume também ele com muitos problemas com a inteligência dominante, e daí a importância da argumentação.
    O ataque pessoal é sempre uma evidência da fragilidade dos nossos argumentos ou da nossa incapacidade para optar pelas razões em detrimento das emoções ou da gentileza de usar a razão para manifestar a discordância, por muito dura que seja (mas a cordialidade parece hoje uma velharia de baú).
    Esperava mais, muito mais, desta discussão sobre a inclusão, que afinal é tão exclusiva, pelo menos em relação aos professores não convertidos à genialidade do documento!
    É a espuma dos tempos que vivemos ou a que vamos sobrevivendo!
    Lembro-me sempre de Vítor Matos e Sá, que cito de memória, que dizia “É possível ter razão sem ter as circunstâncias”. Este princípio vale tanto para mim como para os outros!

  2. Pois é, Luís, que seria de nós sem os davides desta vida, lutando incansavelmente pela dignidade e estatuto da nossa profissão…
    Nem estava à espera daquela reacção, por causa de um post lá no meu cantinho. Este tipo de polémicas não são a minha praia, mas até fiquei satisfeito. Involuntariamente contribui para fazer saltar o verniz e dar a oportunidade ao homem de mostrar a sua verdadeira alma, tolerante e “inclusiva”.
    E lá fiquei sem a medalhita…

    • Adoro ver os auto proclamados tolerantes a caírem na esparrela da intolerância, arrogância e falta de vontade de incluir uma opinião que seja diferente!

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