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Com Ou Sem Covid-19, Os Professores Continuam A Envelhecer E Solução Nem Vê-la

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Após 9 semanas a falar de covid, covid, covid, o tema começa a ser saturante quer para quem lê, quer para quem escreve. Mudemos por isso de agulhas, até para lembrar que o problema do envelhecimento docente persiste e ainda não foi apresentado qualquer plano para resolvê-lo.

O bicho veio dar a volta a tudo o que era considerado prioritário, colocando-nos cara a cara com aquilo que é mais importante. As prioridades estão claramente definidas, primeiro a saúde, depois a economia, mas todos sabemos que sem economia não haverá sociedade que aguente. Neste momento Portugal está a tentar fugir não apenas do bicho, mas também do Tsunami económico que começa a surgir a nível europeu e mundial.

Francisco Oliveira, coordenador do Sindicato dos Professores da Madeira (SPM) no Parlamento Madeirense, esteve no Parlamento Madeirense e lembrou aos deputados que há vida além do Covid-19.

O dirigente sindical alertou que as conclusões apresentadas em estudos e documentos de três diferentes organismos (Conselho Nacional de Educação, Universidade de Lisboa e Observatório da Educação da RAM) mostram que a classe docente está muito envelhecida – a média de idades dos professores do sector público ronda os 50 anos – e que o nível de esgotamento (’burnout’) dos profissionais é preocupante. “Isto não é um problema de professores, é um problema da sociedade e da Região (…), é um problema social importante. O reconhecimento que os professores têm não corresponde à importância efectiva na formação das gerações futuras. É importante que haja coragem para reflectir sobre os números e depois evitar que se caminhe para o abismo nesta matéria, que eu acho que é para aí que estamos a caminhar, porque às tantas vamos ter de contratar professores de fora”.

Este é um problema que afeta naturalmente outras profissões, mas antes de virem fazer comparações e referirem que é uma vergonha pensarem apenas nos professores, lembro que este blogue é sobre educação e há muitos outros espaços para falar sobre os enfermeiros, médicos, etc e que merecem todo o meu/nosso respeito.

Após este parêntesis, o envelhecimento docente, tal como a carreira docente e indisciplina, eram considerados os temas mais “quentes” da era pré-covid. Se a indisciplina tem agora menos expressão, apesar de não ter desaparecido, a carreira e o envelhecimento docente continuam interligados.

Nas condições atuais, a falta de professores será uma realidade cada vez mais presente, salvo alguma alteração radical, ao abrigo de imperativos económicos, justificados pela crise sanitária que obrigue os professores a ter mais turmas, em virtude da mais que previsível redução de aulas presenciais no próximo ano letivo. Mas mesmo que tal aconteça, mais cedo ou mais tarde tudo voltará ao normal e ainda não descobriram uma vacina para o rejuvenescimento docente.

Compreendo que o Governo e o Ministério da Educação estejam focados em terminar este ano letivo e em preparar o próximo, mas este problema, que pode tornar-se a prazo num problema estrutural, não pode desaparecer pois as consequências sociais, educativas e económicas serão significativas.

Ficam por isso as propostas apresentadas no Parlamento da Madeira e que devem ser extensíveis a todo o País. Afinal, somos todos professores!

Face a este quadro, o coordenador do SPM desafiou os deputados a tomarem medidas, a começar pelas quatro reivindicações que constam da petição:

aplicação na Região da lei da pré-reforma a todos os docentes;

possibilidade dos docentes com 60 ou mais anos de idade ficarem isentos da componente lectiva;

atribuição das reduções da componente lectiva a todos os docentes do 1.º ciclo e pré-escolar, nas mesmas condições proporcionadas aos restantes sectores;

e respeito pelos docentes afectados por doenças incapacitantes, com a sua dispensa de todo o serviço, sem qualquer penalização em termos de carreira.

Fonte: Dnotícias

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