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Com “os chumbos” até parece que nem faltam professores nem auxiliares – Duarte Marques

O fim dos chumbos tem de ser um objetivo, não uma medida de política educativa

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O spin doctor do Governo que teve a ideia de apresentar o fim dos chumbos até ao 9.º ano como uma medida a implementar no imediato deverá em breve ser condecorado pelo ministro da Educação. Assim o ministro que deveria estar em todas as televisões a justificar o facto de a meio de novembro 10/20 mil alunos não terem ainda todos os professores e muito menos assistentes operacionais tem utilizado o seu tempo a clarificar o tema do fim dos chumbos ou das passagens administrativas.

A elevada percentagem de chumbos em Portugal, tal como na vizinha Espanha, sempre foi um problema que preocupou os decisores políticos e quem estuda o fenómeno da educação, em particular o próprio Conselho Nacional da Educação que reúne especialistas de todo o sector e cuja composição tem suficiente diversidade ideológica.

Confesso que não acredito que o objetivo do governo fosse mesmo regressar às passagens administrativas, mas essa confusão na mensagem terá sido deliberada e uma verdadeira manobra de propaganda e distração de problemas maiores e bem reais. A verdade é que o objetivos de reduzir os chumbos, aumentar o sucesso escolar e reduzir o abandono tem sido, pelo menos no papel, a pedra de toque dos últimos cinco ministros da Educação. É por essa razão que ano após ano têm surgidos medidas, projetos-piloto, planos de recuperação, horários extra para professores, entre tantas outras medidas que têm efetivamente como objetivo melhorar o aproveitamento e assim reduzir os chumbos.

Mas o que deve espantar toda a gente, e por essa razão nos obriga a questionar com veemência o governo, é saber se há ou não condições para garantir a todas as escolas e alunos meios suficientes para proporcionar maior acompanhamento, mais horários e mais atenção ao alunos que revelem maiores dificuldades, de forma atempada, para lhes permitir chegar ao final do ano letivo com bom aproveitamento e sem perspetiva de chumbo.

A desconfiança existe porque a política de um Ministério não se pode resumir a duas ou três escolas com projetos-piloto, com mais autonomia e com mais meios que conseguiram implementar um plano de sucesso. Se não há meios para contratar os milhares de professores ainda em falta para este ano letivo, se há quase quatro anos (agravado pela redução para as 35 horas) se arrasta o problema dos assistentes operacionais, como podemos acreditar que vai haver dinheiro para proporcionar mais estudo acompanhado, mais aulas individualizadas, mais tempos letivos e mais meios que aumentem a motivação e interesse de alunos e professores?

De nada serve exigir às escolas um Plano de combate ao insucesso escolar se este não é avaliado, se às escolas não são dados meios para o executar e se os seus resultados não forem estudados.

Este objetivo é de facto muito bonito, mas carece de medidas diferenciadas, de mais meios e de mais responsabilidade. Pelo Bloco de Esquerda e por muitos sectores do Partido Socialista nem haveria exames ou quaisquer provas de avaliação nas escolas portuguesas e é por isso que desconfiamos sempre que o PS e este Governo anunciam este tipo de agendas: são bonitas no objetivo mas desastrosas na implementação. Como há dias lembrava o Alexandre Homem de Cristo “a verdadeira escola democrática não é aquela que baixa a bitola, mas aquela que puxa para cima quem está por baixo”.

Fonte: Expresso

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