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Com esta pilha de testes para corrigir, digam-me lá como é que um professor terá tempo para a flexibilização pedagógica?

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Esta imagem não é uma montagem, nem as folhas de baixo são brancas só para parecer uma pilha maior. São mesmo testes para corrigir, horas e horas de testes para corrigir.

Os alunos como não conhecem o trabalho que os professores fazem em casa, perguntam insistentemente pelos testes, como se a correção de centenas de testes fosse feita por artes mágicas. Eles nem imaginam a pilha que está em casa, então quem tem muitas turmas, ui ui… tem pela frente umas “belas” noitadas.

Quando se fala no trabalho dos professores, este é apenas um exemplo, fora toda a preparação de aulas e materiais. E como todos sabemos, este ritual ocorre por norma 6x por ano, 2x por período.

O motivo deste artigo não tem o intuito de captar simpatia ou pena da população em geral pelo trabalho dos professores. O motivo deste artigo tem como objetivo alertar para a incompatibilidade da nova flexibilização pedagógica com o horário dos professores.

Fazer um trabalho de articulação entre professores, abolindo aulas, trabalhando em projeto, agregando várias disciplinas, não se faz de um dia para o outro. É preciso tempo, é preciso reunir, debater, apresentar propostas, contrapropostas, analisar, decidir e acompanhar. Além da dificuldade que será conjugar professores com diferentes ideologias, motivações e até personalidades, a verdade é que os professores não têm tempo para o que acabei de referir. Os professores estão sugados até ao tutano e em evidente quebra de rendimento, fruto do seu cansaço e desmotivação por todos os motivos já conhecidos.

A componente individual de um professor não chega para as encomendas, e a componente de estabelecimento está normalmente preenchida com reuniões, trabalho de direção de turma etc…

Por isso a pergunta precisa de ser feita… O horário dos professores será alterado? Haverá consciência por parte da tutela do estado de exaustão que existe no seio docente? Haverá consciência que as boas ideias vão morrer no terreno, caso não deem as devidas condições aos professores?

Ontem disse que o meu entusiasmo por esta reforma é q.b. Assumo que gosto da ideia, mas com as informações que se conhecem, vejo muitas dificuldades na sua operacionalização

Dizem que não há dinheiro (para alguns há sempre)… pois… mas os professores não são Santos e trabalham pelo mesmo motivo que todas as outras pessoas. Se querem mudar as coisas, convém mudar algo essencial, investir na educação e não atirar as coisas para as costas dos professores e eles depois que se desenrasquem. É que este filme já é conhecido e já não há pachorra para mais “amor à camisola”!

Alexandre Henriques

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