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Com aulas em casa, pais passaram a ser professores e gestão do espaço tornou-se mais difícil

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Quando as aulas começaram a ser em casa, os filhos de Alice e Francisco Almeida não tinham computador. No início não foi fácil, e Alice Almeida conta que “havia trabalhos que eram [feitos] no manual ou no livro de fichas, mas havia outros que era por Word ou Power Point e eu não conseguia fazer num telemóvel”. Depois de pedirem ajuda à União de Freguesias de Coimbra, conseguiram um portátil e Tiago e Gil deixaram de ter faltas de presença.

Com aulas em casa foi mais fácil acompanhar a evolução dos filhos. Francisco Almeida passou a reparar que o filho mais novo, Tiago, “estava a dar muitos erros”. Por isso, conseguiu ensiná-lo e viu coisas “que o professor, como eram muitos alunos, não dava tanta atenção”. No entanto, houve alturas em que o conhecimento dos pais foi testado. Alice Almeida explica que quando havia dúvidas, se soubesse explicar, explicava; caso contrário, pedia aos filhos para “irem ao Google, ou esperarem pela aula sincronizada e vão perguntar ao professor”.

Para Tiago, que está no quarto ano, ter aulas em causa foi estranho, “porque estava habituado ao professor, não estava habituado aos meus pais” a ensinar. O aluno, que está no quarto ano, sente que “as videochamadas foram fáceis, mas as aulas de estar a escrever é que foi um bocadinho difícil”, porque não tinha o professor para ajudar.

Com dois adultos e duas crianças a viver num T1, a gestão do espaço nem sempre foi fácil. Francisco Almeida teme que o esforço do filho mais velho, que está no sexto ano, não seja suficiente. Antes da pandemia, Gil “ia sempre às aulas de dança e era dos melhores a educação física. Imagine uma criança que está com três negas, vai para casa, e estuda mais às disciplinas que sabe que são as mais importantes… Estou com medo que o meu filho chumbe por não ir a tanta aula ou não mandar, por exemplo, trabalhos a dançar porque não lhe apetece, diz que não é importante e que não quer dançar porque não quer enviar para a professora. Ou porque não quer estar a fazer educação física porque não tem espaço em casa”.

Apesar de todos os problemas, a família Almeida acredita que nem tudo foi mau: passaram a ter computador e vão aprendendo com os filhos. Para o próximo ano letivo os pais esperam que as aulas sejam presenciais para que seja mais fácil para as crianças aprender.

Fonte: TSF

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