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Coitadinhos? Somos professores, porra!

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É a primeira vez que faço um artigo a comentar um artigo. O artigo é naturalmente A verdade sobre as “férias” dos professores que em apenas 24 horas foi visto por mais de 25 mil pessoas, um recorde nesta casa.

1_foto-resilienciaSou muito crítico sobre uma série de coisas que se passam na educação, e muitas delas é por culpa dos próprios professores. Mas para opinar sobre algo é preciso senti-lo na pele e não basear a sua opinião em alguns exemplos, ainda por cima maus exemplos que não refletem a maioria.

O texto não tinha como objetivo candidatar-se ao programa “A minha profissão é pior que a tua”, ou “A minha vida é mais miserável que a tua”. Se formos por esse diapasão falemos sobre os desempregados, os sem -abrigo ou mesmo os  refugiados da Síria e estou para ver quem tem coragem para dizer um “ai” sobre o seu trabalho.

O texto é um desabafo, o meu desabafo e o número de visualizações e partilhas (mais de 13 mil até agora) provam que muitos se identificaram com o que foi escrito.

Aqui a liberdade de expressão é total e lido muito bem com a opinião contrária, mas também tenho as minhas linhas vermelhas e uma delas é acusarem-me(nos) de algo que não sou(somos) – o(s) coitadinho(s)!

Por isso, para quem tem dúvida do que é feito um professor lembre-se…

Somos desrespeitados e continuamos cá!

Somos insultados e continuamos cá!

Somos ameaçados e continuamos cá!

Levamos na cara e continuamos cá!

Somos desterrados e continuamos cá!

Deixamos, pais, filhos, irmãos, amigos e continuamos cá!

Somos desconsiderados e humilhados publicamente e continuamos cá!

Somos os pais que não existem, os psicólogos que não chegam, os assistentes operacionais que faltam, somos mediadores, advogados, juízes, polícias, administrativos, gestores e continuamos cá!!!

As dificuldades porque passamos provam a nossa resiliência, não queremos compaixão, palmadinhas nas costas ou medalhas de latão. Queremos Respeito!

SOMOS PROFESSORES, PORRA! E dia 4 estaremos cá…

4 COMMENTS

  1. O povinho português é muito invejoso e gosta muito de opinar sobre tudo sem conhecimento de causa. Então se ele estiver mal e o outro menos mal (ou um pouco melhor) ele luta para que o outro esteja tão mal quanto ele e não luta para ele próprio estar melhor.
    Preocupa-se mais em tentar provar por a+b que o outro vive como um príncipe e que não se devia queixar nem lutar, porque há quem esteja pior.
    Não passam de uns frustados.
    Mas os professores também se colocam “a jeito”. Eu não vejo as outras classes profssionais a justificarem-se das férias que têm ou deixam de ter. A justificarem-se do que fazem ou deixam de fazer. Ninguém mete o bedelho nem manda palpites. Por que é que quando toca aos professores, até o Rato Mickey dá palpites?
    Tenho muito respeito por todas as profissões, desde o empregado de mesa, passando pelos homens do lixo, camionistas, médicos, enfermeiros, polícias, todas. Todas têm os seus prós e os seus contras. Eu não reclamo por um polícia ter reforma aos 55 anos. Eu acho muito bem que a tenham! Os outros deviam lutar também para a ter e não lutar para que o polícia se reforme aos 66. Mas há sempre palermas que acham que eles se deviam reformar aos 66, porque “eu” também me reformo com essa idade.
    Todas as profissões têm as suas dificuldades os seus stress e os seus benefícios. Qualquer um pode reclamar e lutar por melhor e não andar a dar palpites sobre o que desconhecem mas dizendo sempre que têm amigos, sobrinhos, tios, amigos de amigos, amigos do periquito que são professores e que, por isso, conhecem bem a profissão.

  2. Ainda bem que fez este artigo! A um dos comentários que li, apeteceu-me fazer exatamente o mesmo. Obrigada pelos dois artigos, com os quais me identifico totalmente! Bom ano, para todos os bons profissionais, de todas as profissões!

  3. Há algo de insano que nos prende a esta profissão… e nenhum de nós a trocava, apesar de tudo! Talvez não precisemos mesmo da validação alheia ou da consideração pública. Basta-nos o que todos nós já sabemos e sorriamos com complacência a comentários sobre “dias livres”, “férias escolares “, “vencimentos” “greves”, “reformas antecipadas”, “atestados” e outras pérolas… há muita, muita gente que não faz mesmo ideia do que anda para aí a dizer. Mas já não me apetece esclarecê-los. Rise above… 🙂

  4. Concordo com muita coisa do artigo.
    Em certas profissões é mais visivel que outras, principalmente porque foram muitos anos de privilégio na questão das horas.
    Históricamente, já ninguém se lembra de quando os professores não eram pagos nas férias, certo?
    Nem quando as professoras precisavam de autorização para casar!
    Dentro de uma década já não haverá este tipo de comentário pois ninguém se lembrará dos dias que hoje se vivem.
    Mas a questão é que a maior parte dos professores nunca teve outra profissão e não sabe as “horas de gruta” dos outros.
    As horas que os médicos passam em turnos longe dos filhos, os advogados que estudam os assuntos horas a fio depois de o cliente sair do escritório. As horas e os extremos atmosféricos que os agricultores passam nos campos. Etc
    Cada um queixa-se do que lhe dói e não vê as dores do outro.
    Sinceramente, ninguém e todos são coitadinhos.

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