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natal1Quando pensei na escrita deste artigo, nesta escrita, comecei por pensar e equacionar diferentes motivos ou pretextos de escrita.

Desde logo o natal. Em prendas de natal, dar, receber, trocar. Desisti. Afinal é algo perante a qual sinto dúvidas, será encarar o natal como algo inevitável, que nos cai no colo. Isto é, é algo passivo, basta pedir ou portarmo-nos como deve ser ser (cumprir as regras, ser subserviente e passivo) e a coisa acontece. Não.

Passei para um pretexto óbvio por esta altura, as questões de avaliação. Afinal, muitos alunos estarão dependentes de nós, docentes, para saber se ganham o que julgam ou consideram merecer ou se, pelo contrário, por culpa dos stores acabam por não ser prendados com o que ambicionam e/ou desejam. Acabou por cair por terra.

Ainda com base no natal e nas avaliações, pensei em algo mais sério, em trocar palavras escritas sobre alguns pensamentos meus que decorrem das minhas reuniões de avaliação. Nas reuniões em que já estive pude confirmar que os “bons” alunos tiveram boas notas, que os “maus” alunos tiveram más notas. Coisa inevitável e óbvia? Nada de mais errado. Se é tão óbvio qual o papel da escola afinal? Onde fica a escola (entendam-se os professores) no apoio a quem tem dificuldades, no equilíbrio e nas compensações de quem tem ou sente limitações escolares ou sociais? Também o deixei para trás, afinal é coisa demasiado séria para ser abordada em tempos de paz, amor, saúde e prendas.

Restou-me uma última em que, até ao momento em que escrevo, persiste na minha ideia, associar o natal e a escola ao sonho e à imaginação.

O natal é sonho, imaginação, luz e cor. A escola é uma das entidades responsáveis por criar sonhos, alimentar a imaginação das pessoas, fomentar os desejos de futuro. Contudo, a crescente desvalorização que a escola tem sofrido e com ela uma parte essencial das disciplinas capazes de alimentar o sonho (as expressões, as sociais e humanas), tem feito com que os sonhos se desvaneçam, se esfumem. Acresce que a crescente objetificação da escola, seja ela em função da criação de objetos de mediatização social ou por intermédio da criação de indicadores despidos de emoções ou afetos, tem criado uma clara e assumida desvalorização do sonho. A escola deste século tem cerceado os sonhos, limitado a imaginação, condicionado o pensamento farta e saturada que tem estado de objetivos quantitativos, metas concretas, indicadores de medida ou simplesmente pela preocupação de tornar as coisas objetivas.

Por esta altura de natal, quando confrontados com a imaginação, o sonho, a cor e o brilho que ilumina um espírito de época somos confrontados com pais acompanhados dos meninos e meninas a comprarem, em conjunto, as prendas de natal, a dar cabo da surpresa, a cercear a imaginação do que estará dentro de um embrulho, envolto em papel de festa. Por esta altura, limitados em orçamento, condicionados pela objetificação da escola, as prendas não luzem, nem brilham, são meros sinais de um consumo individualista que se mostra e ostenta. Esquece-se que o sonho é que comanda a imaginação. Que a surpresa é fundamental para definir e orientar os comportamentos, os tais que diziam que se me portasse bem o pai natal me daria uma boa prenda.

Hoje, na escola, nem portar bem, nem sonho, apenas ilusão, cansaço, impaciência.

A escola tem de retomar o sonho com risco de o futuro ser desprovido de ideias e de imaginação.

Manuel Dinis P. Cabeça

21 de dezembro, 2015

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