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Cinema Sem Conflitos: Entrevista à Psicóloga Clínica Andreia Morais (parte 1)

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Entrevista à Psicóloga Clínica Andreia Morais, Mestre em Psicologia da Educação. Psicóloga há 13 anos, com trabalho desenvolvido na clínica privada e em contexto escolar com crianças, adolescentes, jovens, seus pais e professores

 

1- Para si, a transmissão de valores é uma questão importante no exercício de uma parentalidade responsável?

Cada pessoa, com a consciência de que a sua liberdade começa quando inicia a liberdade do outro, que defende valores humanos universais de respeito, de justiça e pretende ajudar a formar cidadãos éticos e preparados para viver em sociedade normalmente exercerá uma parentalidade sustentada em valores adequados a transmitir os seus filhos.
Apesar de não existirem respostas feitas nem soluções mágicas é possível apontar caminhos a serem seguidos, com o objetivo de amenizar alguns problemas de comportamento enfrentados atualmente como a indisciplina, o egocentrismo, a vulnerabilidade ao consumo de álcool e de drogas. Deste modo, transmitir aos nossos filhos os valores do correto, do justo, do socialmente adequado, da confiança, do perdão, da gratidão é fundamental no exercício de uma parentalidade responsável. Na realidade, serão mais os tempos em que os nossos filhos têm que tomar decisões sem a nossa presença do que os tempos em as tomam cm a nossa orientação. Educar para os valores é dar o exemplo, por isso, desde que os nossos filhos são pequenos devem ser passados valores de forma concreta e diretamente observável. Se os pais querem que os filhos os respeitem têm de dar o exemplo de respeito por si e pelo outro… Não há valor que se sustente sem bons exemplos.

2 – Quais os maiores desafios que os pais enfrentam hoje na transmissão de valores aos filhos?

Na minha opinião as fontes de informação de valores e a adequação dessas fontes são os maiores desafios que os pais enfrentem hoje na transmissão e valores aos seus filhos.
Muita fonte de informação, com muitas mensagens veiculadas, nem sempre as mais corretas ou nem sempre as mais adequadas para serem recebidas e interpretadas em determinada idade. Educar para os valores é transmitir aos nossos filhos ideias que defendemos e acreditamos, por isso seja qual for a informação que chegue às crianças e jovens, se em família defendemos valores como a honestidade, a partilha e a confiança as crianças e os jovens sentir-se-ão seguros e confiantes para partilhar com os pais a informação que obtiverem, e por isso, os pais conseguem trabalhar com os filhos alguma informação desadequada ou prejudicial a el ou à manutenção das suas crenças e valores.
Para além disso, não podemos querer que um jovem não esteja horas ao telemóvel se nós, adultos, passamos o dia ao telemóvel… Apesar de muitos pais usarem a “desculpa” de que são mais velhos e, por isso, têm essa vantagem. Creio que os valores, mais do que serem palavras adequadas à faixa etária das crianças e jovens, têm de se traduzir em comportamentos concretos, ações palpáveis. Quanto mais nova a criança é, mais tem que perceber que um valor, que é abstrato, pode ser traduzido em atitudes positivas ou negativas.

Assim, os jovens já deverão ter uma noção, desde crianças que para um comportamento/ ação existe sempre uma consequência positiva ou negativa e, como tal devem crescer com limites, para serem pontos norteadores da sua ação. Um jovem que cresce sem limites, não é um jovem feliz. Apesar de os jovens serem contestatários por natureza, eles precisam (apesar de não demonstrarem) que os adultos reparem neles, no quanto eles cresceram, no quanto são capazes de argumentar e contra-argumentar… Na minha opinião, um jovem que “tem voz” na família, que é ouvido no seu seio familiar não tem necessidade (pelo menos tanta necessidade) de expandir-se por outros campos, sejam os consumos, sejam as redes sociais, seja os vídeos jogos, etc….

 

Andreia Morais | Psicóloga Clínica, Mestre em Psicologia da Educação

+ artigos da autora em http://cinemasemconflitos.pt/author/aribeira/

 

Marcamos encontro aqui na próxima semana, ou todos os dias em cinemasemconflitos.pt

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