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Cerca De 25% Dos Alunos Assume Não Ter Realizado As Tarefas

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Acredito que estes números irão baixar no 3º período, mas o inquérito realizado pelo ComRegras já referia que apenas 23% dos professores/educadores afirmaram que a totalidade dos seus alunos ou quase totalidade dos seus alunos, realizaram as tarefas propostas. Como referi então, é um número muito baixo quando comparamos com o ensino presencial.

Gráfico retirado do inquérito realizado pelo ComRegras “O Ensino À Distância Em Situação De Emergência”

Os motivos são vários e alguns perfeitamente justificáveis, mas este ensino virtual proporciona o desleixo e até o desinteresse pela escola. Basta ver o caso das disciplinas práticas, aquelas que normalmente estão no leque das preferidas dos alunos e que agora tornam-se praticamente inexistentes.

Sem dúvida que este será um dos maiores desafios para o #EstudoEmCasa.


Um quarto dos alunos não fez trabalhos em casa durante o confinamento

Um quarto dos estudantes não fez os trabalhos que lhes foram enviados pelos professores durante as duas primeiras semanas de suspensão das aulas, revela um inquérito feito pelo Observatório de Políticas de Educação e Formação. “Falta de tempo”, justifica-se a maioria. O “verdadeiro teste” ao ensino à distância começa esta terça-feira com o arranque do 3.º período, adverte Ana Benavente, que coordena esta investigação.

Ainda que a maioria dos alunos tenha conseguido completar as tarefas enviadas pelos seus professores, 25% dos inquiridos revela não ter conseguido realizar os trabalhos em casa durante o período de suspensão das aulas. A maioria (42,1%) evoca “falta de tempo”, mas mais de um terço dos alunos (33,7%) diz ter “dificuldade em perceber o que é pedido pelos professores.” Este é o segundo conjunto de resultados de um inquérito online que este centro de investigação tem vindo a promover para avaliar os impactos da covid-19 no sistema de ensino.

Os números agora divulgados mostram a importância do apoio doméstico ao estudo em contexto de ensino à distância, tendo 24,2% dos alunos dito não ter feito todos os trabalhos enviados pelos professores por “ausência de apoio/ajuda suficiente”. Ainda segundo o Observatório, três quartos dos alunos foram ajudados por alguém durante o período em que tiveram aulas em casa, sobretudo às disciplinas de Português (62,2% dos estudantes necessitaram de apoio) e Matemática (70,4%). Cerca de 15% dos alunos declaram precisar de ajuda diária para dar conta das tarefas inerentes às aulas em casa.

Nos casos em que os alunos precisam de ajuda, recorrem sobretudo às suas famílias, com destaque para as mães (77,5%). Seguem-se os pais (41,3%) e os irmãos ou outros familiares, que totalizam 18,1%. Mesmo em contexto de confinamento, cerca de 20% dos alunos tem tido ajuda de um explicador.

Estes resultados mostram como o ensino à distância está a colocar em causa a equidade na educação, não só em termos de acesso às tecnologias, mas também do apoio que cada família consegue garantir aos seus filhos, defende Ana Benavente. Estes dados podem até pecar por defeito, uma vez que, sendo respondido online, “o inquérito está distorcido porque só respondem as famílias com acesso às tecnologias”, contextualiza a coordenadora do Observatório, coordenado pelo Centro de Estudos Interdisciplinares em Educação e Desenvolvimento da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias e pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

“Se é assim com estas famílias, como será com as que ficam de fora”, acrescenta Benavente. Estas “contradições” podem tornar-se mais evidentes a partir desta terça-feira, quando começa o 3º período que, para os alunos do ensino básico, será feito em exclusivo em regime de ensino à distância. “Este é que é o verdadeiro teste. Nos primeiros 15 dias [antes das férias da Páscoa] houve muita boa vontade e um enquadramento um pouco lúdico. Agora será tudo diferente.”

O 3.º período arranca com as aulas à distância para todos os alunos. Os estudantes dos três primeiros ciclos terão o apoio da nova Telescola – agora designada #EstudoEmCasa – a partir do início da semana seguinte, como complemento ao trabalho que os professores terão que continuar a fazer com os alunos.

A uma semana do início da emissão das aulas pela televisão, os conteúdos programáticos continuam desconhecidos dos professores, lamentaram os directores escolares. “Para os professores poderem organizar melhor as aulas, era importante que soubéssemos quais os conteúdos programáticos que serão exibidos na televisão”, sublinhou Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), em declarações à Lusa. Até ao momento o Ministério da Educação divulgou apenas a grelha e o calendário das aulas que a RTP Memória vai transmitir para os alunos do 1.º ao 9.º anos.

(…)

Fonte: Público

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