Home Notícias Centros de Estudo estão sem controle.

Centros de Estudo estão sem controle.

Conheço casos de explicadores, que têm dossiers por professor, onde colocam todos os testes realizados, todos os exercícios, tentando adivinhar como será o próximo teste…

Conheço casos de explicadores, que estão mais avançados na matéria do que o próprio professor, levando alunos a “borrifarem-se” para as aulas, criando problemas disciplinares pois, segundo eles, o explicador é que ensina é ele que dá a matéria…

Conheço casos de explicadores, que resolvem os trabalhos de casa dos alunos e quando questionados sobre a sua resolução, não sabem como o fizeram…

Os pais, na sua ânsia de ajudar os filhos, despejam-nos nestes centros de estudo, muitos sem verificarem se os seus filhos estão efetivamente a usufruir de um benefício, ou apenas de um “empregado” faz tudo com tiques de ATL…

Pelos vistos, estão sem rei nem roque e o JN denúncia hoje a situação.

Centros de Estudos ensinam sem regras

Pagam impostos, mas não há uma lei que obrigue os centros de estudo a cumprir qualquer tipo de requisitos. Nem uma entidade que os fiscalize.

Esse “vazio legal” permitiu que os centros de estudo crescessem como cogumelos, sobretudo à volta das escolas, ao ponto de ninguém saber quantos são. São procurados sobretudo em épocas de exames, como esta que arranca esta terça-feira, ao finalizarem as aulas para os 6.º, 11.º e 12.º anos. Os diretores exigem que a atividade seja regulamentada. Os partidos dizem, porém, que não é preciso.

18 COMMENTS

  1. Trabalhei 8 anos em Centros de Estudo. Organizei sempre os meus dossiers por ano e por disciplina, tinha fichas de consolidação da matéria prontas quando os alunos davam a matéria na aula, nunca adiantei matéria e recusei-me sempre a resolver os trabalhos de casa dos alunos ou a fazer-lhes os trabalhos de pesquisa, apesar de ter sido pressionada a fazer isso diversas vezes, até pelos próprios pais. Corrigi sempre os trabalhos que eram feitos comigo, ensinei muitos alunos a pesquisar e a escrever um trabalho. Confesso que tentei muitas vezes “adivinhar” o teste de muitos colegas, para preparar o melhor possível os meus alunos.
    Tenho muito orgulho no trabalho que desenvolvi ao longo de 8 anos. Entendo que os centros de estudo são um complemento da escola, suprem muitas deficiências que a escola não consegue, até porque, desde logo, os grupos são mais pequenos que uma turma e conseguimos dar um apoio muito mais individualizado.
    Acredito que a realidade descrita possa existir, embora eu nunca tenha contactado com ela. Agora não posso aceitar que colegas, pessoas que, tal como eu, frequentaram licenciatura e, provavelmente, mestrado na área do ensino, generalizem desta forma os centros de estudo. Tal como professores e escolas, há os bons e aqueles menos bons. Há os que se esforçam por preparar bem os seus alunos e os que nem por isso.
    Agora, peço aos colegas que se lembrem que, nesses centros de estudo, estão muitos dos colegas que não ficam colocados nos concursos, muitos que já desistiram de concorrer. Quem está nos Centros de Estudo não é menos professor do que quem está numa escola, é professor sim, mas numa realidade diferente. Mas não é menos professor por isso!

  2. Tenho um Centro de Estudos… A finalidade com que eu e uma colega, ambas licenciadas em Ensino, abrimos o dito foi ajudar as crianças a tirar dúvidas e na realização dos TPC…ajudar, não fazer TPC’s aos alunos…é verdade que estão a crescer como cogumelos e também apoio que devia haver uma certa regulamentação…já vi casos de pessoas sem habilitações minimas a abrir centros de estudos, pessoas sem formação a dar apoio ao estudo…entre outras coisas…acreditem que não é um trabalho fácil…mas era mais justo se houvesse o mínimo de regulamentação…

  3. Passam recibos?
    Pagam impostos?
    Só os frequenta quem quer?

    Então, deixem a iniciativa privada funcionar.

  4. Até há centros de estudos de professores que dão explicações aos próprios alunos e fazem propaganda das “suas” explicações na escola pública onde leccionam… inacreditável, não é?

  5. Na minha cidade a preocupação dos centros de estudo é terem acesso aos testes dos professores a qualquer custo. Tiram fotocópias poem corretor nas respostas dos alunos e toca a arquivar, alguns, sabe-se lá como até têm os testes antes de serem aplicados pelos professores. Deve ser esta a “iniciativa privada” de que fala o Agnelo, que bem se lucra com o trabalho dos outros!

    • pois a injustiça e a mentira andam de maos juntas desde a primária dos nossos filhos e desde sempre, uns têm acesso e outros não, daí as imcompetências actuais

  6. Por favor digam-me em dia e em que página é que está este artigo, pois enquanto responsável por um centro de estudos estou curioso por o ler.
    Para já e sem ler o artigo, sugiro ao autor que investigue uma realidade ainda mais preocupante que são os “explicadores” privados, que não pagam impostos, não tem seguro de alunos, muitas vezes nem sequer frequentaram o ensino superior e muitos mais ainda não tem uma especialização pedagógica para o ensino.
    Estes fazem uma concorrência desleal (e ilegal ?) aos centros de estudo, pois não não pagam impostos, e como tal conseguem fazer preços impossíveis e praticar para quem tem de pagar instalações, consumos de eletricidade e água, equipamentos e consumíveis, seguros, telefones e internet, professores e outros funcionários etc.
    Sugiro também que aborde a questão do IVA que é aplicado (ou não) conforme legalmente é um centro de estudos ou um ATL.
    Ou ainda porque é que um recibo verde dos explicadores que pagam impostos serve para despesa de educação no IRS e as faturas passadas pelos centros de estudo não servem.
    Talvez depois de ler o artigo tenha mais comentários, mas para já julgo que chega.

  7. Caros colegas, os centros de estudo existem porque alguém os procura. Estes centros não certificam quem os frequenta, tenta preparar os alunos para obterem os seus certificados (diplomas) em estabelecimentos devidamente regulamentados para o efeito. Se houver uma regulamentação muito apertada dos mesmos só vai fazer crescer a economia paralela. Não deixarão de existir, deixará de se saber que existem. A verdade é que na sua grande maioria funcionam com pessoal qualificado e que não conseguiu colocação numa escola.
    Quanto a maus profissionais, não me venham dizer que nos estabelecimentos de ensino privados e públicos só existem bons profissionais. Eu já trabalhei em escolas e conheci colegas que eram maus profissionais. Um mau profissional é um mau profissional quer se trate de escola ou centro de estudo. Infelizmente alguns só nas escolas, pois em centros se não satisfizerem o cliente perdem-no. Por favor vamos ser unidos, pois estamos como estamos (professores) por estarmos sempre de costas voltadas. Bom trabalho e bom ano para todos.

  8. Sou professora há mais de 20 anos e além de leccionar no ensino público e privado, sempre colaborei com centros de estudos, mas nestes últimos anos aquilo a que tenho assistido é inenarrável : apoio pedagógico assegurado por pessoas cuja formação é de nível secundário, colegas que se limitam a resolver os exercícios aos alunos, colegas que não sabem ensinar e com competências académicas muito duvidosas, excesso de alunos de vários níveis de escolaridade e com dificuldades sobre matérias de diferentes disciplinas a serem apoiados por “explicadores” que nada sabem sobre os conteúdos programáticos, etc… Enfim, um horror. O Estado – nomeadamente o ME as ACTs ou Finanças – têm a obrigação de controlar de perto esta “bandalheira”. Assim, o Ensino não vai lá… ??

  9. O Estado – nomeadamente o ME, a ACT e as Finanças – têm que controlar de perto a “bandalheira” que se pratica nos centros de estudos: pessoas que não são professores a dar apoio incorrecto a todas as disciplinas, alunos de vários níveis e disciplinas todos juntos na mesma sala para explicações, professores a ganharem valores ridículos à hora por apoio e explicações individuais, miúdo do secundário e do 1° ano de faculdade a darem apoio e a ganharem tanto como os professores, falta de espaço, material pedagógico e outras condições, etc… Isto tem que acabar. É vergonhoso. Os pais estão a pagar, pensando que os filhos estão a ser devidamente acompanhados por profissionais do ensino e, na maioria das vezes, não é verdade. É escandaloso!!

  10. 1. Um centro de explicações paga imposto sobre o rendimento e sobre o valor acrescentado enquanto que um professor que dê explicações em casa nada disto paga. Se isto não é concorrência desleal não sei o que possa ser!
    2. O objectivo de um explicador é preparar o aluno para o teste/exame. É portanto exigível que tente adivinhar a matéria que irá sair, ou acha que não?
    3. Um bom aluno pode perfeitamente estar à frente da matéria leccionada na aula e considero até que deve. Este facto não o irá desmotivar da aula mas sim o contrário. Por estar já dentro da matéria terá muito mais interesse visto ser capaz de acompanhar aquilo que é dito pelo professor.
    4. O facto de existirem professores a usarem a sua posição na escola para reunirem explicandos e até a enviarem os seus próprios para explicações caseiras do seu cônjuge, tendo portanto acesso aquilo que irá sair nos testes, não lhe merece qualquer reparo portanto?
    5. Um centro de explicações a sério faz com que dezenas de alunos obtenham aprovação até concluírem os estudos. Qual o valor da poupança para o Estado por tal serviço?
    6. Não, não organizo qualquer dossier, preocupo-me sim em encontrar a melhor forma de explicar os problemas de matemática. E não, não peço a editoras manuais com a resolução dos problemas como faz a maioria dos professores. Resolvo-os eu todos previamente.

  11. Fui proprietária de um centro de estudos porque era o meu sonho. Na altura pedi informações à associação empresarial, a uma contabilista e às finanças. Todos me disseram que a lei não era bem definida mas que sim era possível trabalhar prestando um serviço de apoio ao estudo, estando registada como prestadora de serviços. Assim o fiz, como não havia nada desse género na minha zona, abri o negócio com dois CAE, um de apoio ao estudo e outro de workshops para poder fazer atividades de enriquecimento.
    Eu considerava que estava legal pois estava inscrita nas finanças e passava faturas com software legal, pagava renda da loja e tinha horário de segunda a sexta das 7h30 às 19h30, todo o ano e tinha intenções de fazer férias com as crianças. Os pais pediam. Tentei elaborar uns panfletos para fazer umas coisas engraçadas com eles. Como todos fazem.
    Um mês depois de abrir a porta, abre um ATL com sala de estudo incluida. Passado algum tempo recebo uma inspeção da Segurança Social a dizerem que fizeram queixa de mim e que teriam que atuar, embora eu tivesse tudo em ordem(dito pelas inspetoras), extintores, sinalética, livro de reclamações, boa limpeza e organização etc, consideravam que um centro de estudos tinha que fechar nas férias, as crianças não podiam permanecer mais que duas horas, nem podiam brincar nem ler livros que não fossem unicamente da escola nem comer o lanche que traziam.
    Concluiram que eu tinha caracteristicas de um ATL e como não tinha feito nenhum pedido de licenciamento à segurança Social, estava ilegal e por isso tinha que encerrar o centro.
    Dei voltas com advogados que me diziam que eu podia trabalhar e mandava cartas para me defender mas respondiam sempre que eu estava sem licença e não podia trabalhar.
    Resolvi fazer-lhes a vontade e encerrei a loja informando a segurança social que como não queria problemas, iria encerrar como tinham dito para fazer.
    Voltei para o meu antigo trabalho por conta de outrem.
    Qual não é o meu espanto quando agora em Janeiro deste ano, e passados quase dois anos, recebo uma multa para pagar de 20.000 euros até 31 de Janeiro ou 40.000 euros após essa data. Alegando que consideravam que eu tinha um ATL sem licença.
    Tive que procurar urgentemente um advogado para me defender e ainda não sei qual vai ser o desfecho deste filme, considero uma injustiça pois eu contribuia financeiramente para a o pais.
    As crianças e os pais ainda hoje me pedem para voltar, tenho formação para os poder ajudar e não posso, sou penalizada só porque alguém fez queixa.
    Todos os centro a laborar, estão a cometer crimes ?
    Sim defendo que a lei devia contemplar os centros de estudo. para que a segurança social não invente modas.
    Estou num beco sem saída, espero que ninguém venha a passar por isto…..

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here