Início Escola Cavalinhos Selvagens

Cavalinhos Selvagens

79
0

O site Educare divulga que no próximo ano letivo irá arrancar um projeto-piloto em 5 distritos. Terá como objetivo comparar crianças que frequentam o ensino pré-escolar  com crianças que ficam casa.

Frequentar ou não o ensino pré-escolar? As diferenças serão comparadas

Por aquilo que tenho assistido, tenho cada vez mais a convicção que o ensino pré-escolar deve ser obrigatório a partir dos 4 anos de idade. São poucos os países que optaram por esse caminho (conforme imagem abaixo), mas no caso português, penso que seria benéfico.

Os Tempos da Escola - Estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos
Os Tempos da Escola – Estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos

Muitas crianças vivem em famílias completamente desestruturadas. Quanto mais cedo entrarem no ensino, mais cedo vão adquirir competências e comportamentos que serão úteis no restante percurso escolar. São frequentes os casos de crianças que entram para o 1º ciclo do ensino básico como se fossem autênticos “cavalinhos selvagens”. Esta situação, pode e deve ser evitada.

Fica o corpo da notícia:

No nosso país, 14,3% das crianças que têm entre 3 e 6 anos não frequentam a educação pré-escolar e apenas 37,2% das que têm menos de três anos frequentam respostas formais para a infância – ou seja, 62,8% estão em casa. A Direção-Geral da Educação (DGE) do Ministério da Educação e Ciência (MEC) quer aprofundar a importância do ensino pré-escolar e criou o projeto-piloto “Playgroups for Inclusion – Aprender, Brincar, Crescer” que arranca no próximo ano letivo para entender diferenças e comparar aprendizagens entre crianças que estão integradas no sistema formal e as que não têm qualquer apoio instituído.

Entre setembro de 2015 e junho de 2016, cerca de 500 crianças até aos quatro anos de idade, que não frequentam qualquer resposta educativa formal, estarão divididas em grupos que se reunirão duas vezes por semana durante quatro horas no total. Nesses encontros, facilitados por técnicos formados e supervisionados pela Fundação Bissaya-Barreto, estará um dos cuidadores mais próximos de cada criança para participarem em sessões de estímulos, manipulação de objetos, conversas, partilhas. “Pretendemos que sejam duas horas bem passadas, que se crie a vontade de voltar, de partilhar dúvidas”, adianta Pedro Cunha, subdiretor-geral da DGE, ao EDUCARE.PT, avisando que estas reuniões “não são serviços de guarda de crianças”. Muito pelo contrário. É importante que todos participem. “São, no fundo, sessões de brincadeiras orientadas”, refere. Crianças, pais, cuidadores terão, desta forma, atividades educativas e lúdicas, para aprender e brincar, no sentido de desenvolver e aumentar competências de miúdos e graúdos num ambiente de cooperação e interação.

O projeto experimental será implementado em cinco distritos – Porto, Lisboa, Coimbra, Faro e Évora – com 10 grupos em cada um. As crianças e as suas famílias serão avaliadas antes e depois da frequência dos grupos e comparadas com crianças e famílias que não tiveram acesso a essas respostas. Pedro Cunha revela que os impactos serão avaliados em três níveis: das crianças, das famílias e em termos de natureza social e comunitária. Do lado das crianças, por exemplo, será tido em atenção o desenvolvimento das suas aprendizagens, tal como o seu bem-estar emocional e a motivação para a escolaridade. O stress parental, as expectativas sobre o percurso escolar dos filhos, a componente psicossocial, a predisposição para o emprego são fatores que serão analisados do lado das famílias. A participação das famílias em atividades comunitárias, os hábitos culturais, a própria coesão social são aspetos a analisar na parte da componente social.

“Na revisão da literatura internacional, encontrámos resultados estaticamente significativos”, adianta Pedro Cunha. Há vários países europeus com experiências semelhantes que, quando desenvolvidas com padrões de elevada qualidade, contribuem para a redução da desvantagem social e para a promoção do desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças. O desenvolvimento de competências parentais e a componente de empregabilidade das famílias são também aspetos que se destacam nessas experiências. O grande objetivo do projeto é, sustenta, “que todas as crianças comecem o primeiro dia do primeiro ano de escola em pé de igualdade”.

Com este projeto, a DGE quer reunir elementos para definir estratégias que, mediante a avaliação dos resultados, poderão passar pelo alargamento deste tipo de ofertas no pré-escolar. O projeto será avaliado externamente pelo ISCTE e pela Universidade de Coimbra. Pedro Cunha salienta que as realidades europeias são importantes para ter referências e pontos de partida, mas o que se passará no nosso país – em cinco distritos nesta primeira fase – terá em conta a realidade portuguesa num modelo 100% nacional.  
 
“Playgroups for Inclusion – Aprender, Brincar, Crescer” tem ainda a particularidade de partir para o terreno em colaboração estreita com entidades locais dos cinco distritos. A DGE sabe a importância da rede social de cada território e serão as instituições com trabalho diário nos locais onde o projeto irá arrancar que tratarão da seleção das crianças e seus cuidadores, que farão contactos com outras estruturas que eventualmente se possam associar ao projeto, bem como escolher os sítios onde decorrerão as sessões. Os grupos funcionarão em espaços diversos: em escolas, instituições públicas e de solidariedade social, espaços públicos, mercados e até mesmo estabelecimentos comerciais. “Estabelecemos parcerias com instituições locais”, refere o responsável, realçando que são essas estruturas que melhor conhecem quem habita as suas localidades.

Para este projeto, a DGE obteve um apoio de um milhão de euros da Comissão Europeia para desenvolver, testar, validar e disseminar respostas educativas inovadoras. Para isso, a DGE lidera um conjunto de entidades, ou seja, a Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação Bissaya-Barreto, a Universidade de Coimbra, o ISCTE-IUL e o Alto Comissariado para as Migrações.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here