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Carta Aberta Enviada Ao Presidente Da República

Decorridas décadas após a adesão à UE, de milhões e milhões em ajudas comunitárias, de mais de 240 mil milhões de dívida pública acumulada (fora a dívida do sector financeiro de que curiosamente ninguém fala, assim como a dívida privada que é também gigantesca), espantosamente e desde 1986 a carga fiscal tem aumentado ano após ano, continuando Portugal  entre os países que estão na “cauda da UE”, como é comum dizer-se, tal como estávamos, quando aderimos em 1986 à UE (mas com uma  enorme dívida, que na altura não existia).

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Excelentíssimo Senhor Presidente da República Portuguesa
Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa
Em plena pré-campanha eleitoral e a poucos dias das eleições de 6 de outubro acredito que muitos dos cidadãos portugueses farão indubitavelmente uma retrospecção responsável,  sobre o último mandato do governo em funções .
Também eu a fiz e a conclusão a que chego não é de todo animadora, tão pouco me ilumina o espírito para que em consciência possa exercer o meu direito de voto.
O país depara-se cada vez mais com uma inegável gestão/ governação danosa e fraudulenta, com colossais custos para o país, perpetuada em grande parte mas não só, pela banca e que nos arrastaram para uma situação gravíssima, que continua a ser escamoteada, condicionando e prejudicando muito seriamente, o futuro desta nossa Nação nas próximas décadas .
Assiste-se já sem qualquer surpresa, à displicente facilidade com que os nossos governantes recorrem ao dinheiro da maioria dos portugueses e dos credores do País (o capital estranhamente aparece sempre quando convém) e que permitem resolver e alegadamente encobrir as recorrentes falcatruas de vários bancos, de algumas empresas, da imensidão de corruptos que pululam na nossa sociedade, cujos custos directos e indirectos para o País poderão ultrapassar os 120 mil milhões de euros, cerca de 50% da dívida pública acumulada, que obviamentente, é um dos  resultados directos(o excesso da Dívida Pública e da Dívida do Sistema Finançeiro )de  toda a incompetência e da criminalidade económica e financeira que aconteceu nas últimas três a quatro décadas e, que com isso arruinaram irreversivelmente o futuro do país.
Atendamos aos custos diretos da incompetência, corrupção e da denominada criminalidade de “colarinho branco” a que infelizmente o povo já se habituou.
1 -Custo direto do resgate da Tróica-74 MIL MILHÕES. 
Questiono-me sobre o destino desses milhares de milhões. Onde foram de facto aplicados estes 74 MIL MILHÕES ???
Os nossos governantes em momento algum apresentaram as “contas”relativas ao detalhe das rubricas onde foram aplicados os tais  74 mil milhões do empréstimo da Tróica.
2- CUSTOS DIRETOS JÁ PAGOS PELOS CONTRIBUINTES (com recurso a mais dívida pública) com o resgate dos bancos em situação de pré-falência ou falidos,  que resultou até ao momento, em mais de 25 MIL MILHÕES!
3- CUSTO DIRECTO PARA OS ACCIONISTAS/OBRIGACIONISTAS etc dos bancos- cerca de 30 MIL MILHÕES ( perda do valor das ações, obrigações etc)!
4- RECAPITALIZACÃO DOS BANCOS por accionistas nos últimos 6 anos  : mais de 15 MIL MILHÕES !
5- CUSTO DIRECTO DA PERDA DE VALOR ACCIONISTA DA PT-cerca de 8 a 10 MIL MILHÕES!
6- CUSTOS DOS SWAPS TÓXICOS , entre 3 e 4 MIL MILHÕES de euros.
7- CUSTOS DIRECTOS DAS RENDAS EXCESSIVAS DAS PPP RODOVIÁRIAS – entre 3 a 5 MIL MILHÕES de euros, isto só nos últimos anos!
8- De considerar ainda os custos directos das RENDAS EXCESSIVAS só sector eléctrico principalmente desde 2005.
9- Acrescente-se os custos directos com os juros sobre o excedente da dívida pública causado por tudo o que é do conhecimento público, e que de 2011 a 2019 poderemos estimar em 30 MIL MILHÕES de euros.
10- Poderíamos e deveríamos ainda quantificar as perdas resultantes dos desperdícios e alegadas fraudes com dezenas de biliões de euros dos fundos comunitários recebidos desde 1985. Há um estudo muito interessante do Professor Abel Mateus sobre a utilização dos fundos comunitários nos primeiros 20 anos da adesão.
Apenas alguns exemplos a que acrescem os CUSTOS INDIRECTOS de variada natureza, derivados de uma infinita panóplia de negociatas efetuadas pela política,banca e até futebol, entre outros (é extensa a lista conhecida por todos) durante as últimas 3 a 4 décadas e, cujos custos INDIRETOS  acabam por ser sempre muito maiores e , até às vezes mais devastadores do que os custos DIRECTOS.
Como exemplo aponto o excelente estudo dos Professores Avelino de Jesus e José Poças Esteves (O Caso BES), que demonstrou financeira e economicamente que, os custos directos e indirectos com a desastrosa Resolução do BES, atingirão mais de 22 mil milhões de euros até 2021!
Não esqueçamos os chamados CUSTOS de OPORTUNIDADE,  ou seja, o que é que se teria podido fazer em, por exemplo investimento produtivo e desenvolvimento social, científico, cultural,etc se tivessem utilizado correctamente todo este colossal montante de capital, de valor e de riqueza nacional  destruídos (ou alegadaamente saqueados) durante os últimos quarenta anos).
Apesar de tudo, o Governo repete,  exaustivamente que não existe capacidade económica para, por exemplo, adquirir duas dúzias de incubadoras para os hospitais, para repor o que deve aos professores, para renovar o corpo clínico e de enfermagem, para retirar o mortal amianto das escolas ou para repor o número necessário de assistentes operacionais imprescindíveis ao razoável funcionamento das escolas, entre tantos outros exemplos denunciados diariamente pela sociedade civil e a quem o governo recorrentemente ignora com consequências negativas para os Portugueses, face ao estado calamitoso dos serviços públicos. Desta forma é incutido através do discurso político  que não existe capital para  investimento no SNS, nas forças de segurança, na Justiça ( dá muito jeito que a Justiça funcione pessimamente), na ferrovia, na ciência , cultura…
Decorridas décadas após a adesão à UE, de milhões e milhões em ajudas comunitárias, de mais de 240 mil milhões de dívida pública acumulada (fora a dívida do sector financeiro de que curiosamente ninguém fala, assim como a dívida privada que é também gigantesca), espantosamente e desde 1986 a carga fiscal tem aumentado ano após ano, continuando Portugal  entre os países que estão na “cauda da UE”, como é comum dizer-se, tal como estávamos, quando aderimos em 1986 à UE (mas com uma  enorme dívida, que na altura não existia).
Um gigantesco  embuste e uma fantástica  oportunidade desperdiçada por este País e pelos seus governantes. É fundamental que alguma das nossas Faculdades de Economia/Gestão realizem esta análise detalhadamente, pois a esmagadora maioria dos portugueses (que têm assegurado penosamente este desvario) têm o direito de saber qual o CUSTO de décadas de má e/ou danosa gestão governativa (com raras exceções pela positiva) que impedem de forma irreparável a criação e multiplicação de valor e riqueza da Nação.
Permita-me reiterar a questão inicial – como foram aplicados esses milhares de milhões Senhor Presidente?
Compreenderá certamente que o cargo de Presidente da República não se resumirá apenas a umas(muitas) viagens ao estrangeiro, bem sei, no âmbito das parcerias e dos negócios estrangeiros(para isso temos um ministro dos negócios estrangeiros) e a umas quantas aparições esporádicas repletas de sorrisos e abraços afetuosos ( simpático mas francamente inútil, excetuando claro está, a simpatia que compreensivelmente pretende para a sua renomeação).
Habituados que estávamos às suas intervenções assertivas e aparentemente imparciais, enquanto comentador político muito mais esperávamos de si enquanto Chefe de Estado e o mais alto representante da Nação.
Ao votar em si escolhendo-o para nosso representante e garante da democracia e da justiça social antevíamos sem dúvida uma postura e atitude díspar da que nos ofereceu.
Em boa verdade lhe digo que a expectativa que tinha encontra-se infeliz e irrefutavelmente depauperada. Não o revejo como representante ou guardião da Nação Portuguesa.
Em relação às legislativas, que se avizinham temo que, a abstenção continue a crescer exponencialmente, pois além de não satisfeitos com a governação do partido do governo, não existe de todo, alternativa política. A Democracia bateu no mais fundo dos pântanos e a política encontra-se cada vez mais refém dos interesses económicos em detrimento do interesse dos cidadãos.
Pense nisso Senhor Presidente. Considero que a reflexão poderá ser útil para o futuro para o caso de lhe ser permitida uma nova oportunidade. O futuro o dirá.
Subscrevo-me De Vossa Excelência
Atenciosamente
Florbela Mascarenhas
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1 COMENTÁRIO

  1. Parabéns!
    Os números – que são os factos!

    Nesta sociedade de “likes”, fútil, que ostenta tecnologia por todo o lado e com a qual está alienada e deslumbrada, incapaz de articular 3 frases que evidenciem um pensamento, preguiçosa para ler e para escrever, adepta do consumo rápido e que não dê trabalho, de pequeninas invejas e fracas ambições, incapaz de se colocar no lugar do outro e demonstrar solidariedade e indignação… Assim:
    Nada do que escreve ( e há muito mais) admira ou surpreende: a corrupção, o tráfico de influências, os clientelismos, o saque,…, tem pernas longas para avançar
    ( O que é factual) e os portugueses nem sequer param para pensar nas profundas consequências: nas expectativas que lhes são roubadas, nos direitos que vão sendo suprimidos, numa velhice indigente em que as fraldas lhes chegarão por assistencialismo e numa vida miserável e de escravidão dos seus filhos e netos!

    Há todo um caminho que foi sendo trilhado, ao longo das últimas décadas, com planeamento, com paciência, taco a taco, procurando agir em “low profile” e subliminarmente por detrás das falácias e ruídos de ocasião… com muito sucesso:
    Assim e como já tenho dito: A PALAVRA já não tem valor, a LEI já não tem letra e as INSTITUIÇÕES já não têm credibilidade. Se a isto juntarmos a INDIFERENÇA SOCIAL, o caminho para o totalitarismo dos interesses/ das maçonarias e para a subjugação dos indivíduos está implementado e em franca expansão!

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