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Carta A António Costa De Um Seu Colega Da Faculdade Que Seguiu A Carreira De Professor

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Caro António: talvez não te lembres de mim, mas fomos colegas na Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa.
Ou até poderá acontecer que tenhas uma leve ideia de um açoriano magrito, de bigode, que militava na Tertúlia Académica, juntamente com muitos outros, dos quais relembro o André, o Júlio e o Marcelo.

Tirámos o mesmo curso, até escolhemos a mesma menção (Ciências Jurídico-Políticas), mas seguimos caminhos diferentes na vida. Aliás, logo na Faculdade se começou a ver que tínhamos visões diferentes da mesma vida. Relembro um episódio que o prova.

Comia-se mal nas cantinas. Havia, aliás, dias em que se comia muito mal. Quando se tornou insuportável, decidimos, na Tertúlia Académica, fazer um levantamento de rancho. Havia quem quisesse partir tudo, em sinal de protesto. Mesas, cadeiras, material de cozinha. Foi a muito custo que consegui convencer os outros de que era má ideia. Que as cantinas iam fechar e quem era pobre e dependia delas iria sofrer. Lá aceitaram a minha proposta de fazer uma manifestação pacífica, e assim fizemos.
Enchemos a Reitoria de tabuleiros com comida intocada. Comida que não comemos por todo o lado. No chão, em cima de balcões, etc. Ficámos lá toda a tarde aos gritos, até que, já de noite, finalmente o Magnífico Reitor nos veio brindar com um discurso lindo. Mas nós não queríamos palavras. Com elas não encheríamos a barriga. Convidámo-lo para jantar. O homem resistiu. A multidão insistiu. Até que o Reitor cedeu e foi jantar connosco à Cantina Velha.

Por sorte era pescadinha de rabo na boca a refeição. Um dos pratos mais temidos, pela falta de gosto e pela insuficiência de peixe. Já com jornalistas presentes no repasto, um deles perguntou ao Reitor se ele achava, em consciência, ser aquilo suficiente para futuros médicos, advogados, juízes, engenheiros, etc, se alimentarem de jeito, tendo de estudar à noite. Foi então que o Reitor proferiu a sua frase mais célebre: “A fome depende do apetite que se tem”. No outro dia estava esta máxima nas primeiras páginas dos jornais. Passadas umas semanas, a comida melhorou bastante.

Não te vi em nenhum passo desta luta, António. Tu, que até eras dirigente da Associação de Estudantes, embora te escondesses atrás do José Apolinário.

Entendo que, sendo de Lisboa e na capital vivendo, não precisasses da cantina. Ias comer a casa. Mas, que diabo, tinhas sido eleito para nos representar e defender os nossos interesses.

Se não fosse por tal obrigação, que fosse por solidariedade para com os colegas que eram das ilhas ou de outras paragens continentais. Os pobres que não tinham alternativa que não fosse andar com o credo na boca enquanto comiam a pescadinha com o rabo na dita.

Afinal, não eras socialista? Não era por seres da JS que tinhas sido eleito? Não nos devias pelo menos a tua presença solidária, já que incapaz de organizar e levar a cabo o protesto?
Seguimos caminhos diferentes, com visões diferentes da vida e de valores. E perguntarás por que vem este chato agora à tua superior presença.

Venho porque sou professor, António. Nunca quis ser famoso ou importante, como tu. Desejava, e consegui, fazer advocacia e ensinar numa escola. No fundo, dar utilidade ao curso que tirei. Pelo menos tu também acabaste o curso, diferentemente do César, que andava por Lisboa a pastar e a gastar o dinheiro do pai, mais interessado na Juventude Socialista do que na Teoria Geral do Direito Civil. Olha onde o levou e ainda o poderá levar a preguiça… Com a tua ajuda, meu caro.

Sou professor, António. Desde 1984, já ajudei a formar uns milhares de alunos. Coisa pouca, admito, ao pé do Orçamento do Estado. Mas lá fui andando, humildemente.

E é como professor que não te perdoo, António. Não pelas tuas opções políticas, tu é que sabes dessas coisas importantes. Foi do PS a célebre frase “primeiro as pessoas”. Foi de um distinto antigo dirigente socialista a frase “há mais vida para além do défice”. Mas, para ti, ajudar bancos e fazer boa figura em Bruxelas é que é sagrado. São opções…

Não te perdoo é por teres transformado a classe dos professores numa classe odiada. Dói-me tanto, António, ver títulos nos jornais como “Quase todos contra os professores”, expressando uma sondagem sobre a opinião dos portugueses.

Que fizemos nós de errado? Talvez, apenas, termos escolhido esta profissão, quando acreditávamos que o Estado seria pessoa de bem. De resto, cumprimos as nossas obrigações lectivas e fiscais, aguentámos cortes nos vencimentos e congelamento das nossas progressões nas carreiras, tudo em honra da salvação da Pátria. E depois começámos a lutar para recuperar o que é nosso por Direito. Achas mal? Não é justo?

A História está cheia de exemplos de homens e mulheres que lutaram por aquilo que achavam justo e para recuperar o que era seu. O Conde de Monte Cristo impressionou os meus doze anos, e depois descobri que na vida real tinha de ser assim também. Lutar para recuperar o que me roubassem. Ou deveria desistir, sabendo que assim seria facilmente vencido, ao contrário do que proclama Mário Soares ainda hoje no Largo do Rato?

Se não é possível, pois que não seja. Afinal, nestas crises todas, apenas a classe política não perdeu nenhum privilégio. Pelo contrário, aumentou-se descaradamente.

Escusavas era de fazer todo este cagaçal, de exercer toda esta chantagem, de vires com números falsos sobre o aumento da despesa, transformando-nos nos maus da fita. Quando nós, apenas, lutámos e continuamos a lutar pelo que consideramos ser justo. Que outras classes façam o mesmo, terão o nosso apoio.

Nós, só fizemos a nossa parte…

Mas tu queres é derrotar a direita. Ter maioria absoluta. Livrar-te da geringonça. E, para conseguir ganhar os teus jogos políticos, não te importa que sejamos odiados. Nem tens a caridade de proclamar que seriam justas as nossas reivindicações, mesmo que não fosse possível acolhê-las. Seria, ao menos, um consolo, ver-te dizer que temos razão…

Em vez disso, preferes transformar-nos em tema de campanha. Para berrar que os socialistas são os campeões das contas certas.
Ó António, pelo menos alguma vergonha na cara. Então não nos lembramos da primeira intervenção externa do FMI em Portugal, quando era 1º Ministro Mário Soares? Não nos recordamos do Guterres em frente às câmaras de televisão, a tentar fazer contas com olhos de calculadora alfanumérica? E sobretudo, de José Sócrates, principal culpado deste imbróglio todo? Andaste tão perto dele e nunca desconfiaste que não era flor que se cheirasse? Campeão das contas certas, o Sócrates?

Não te perdoo, António, por andares por aí, de comício em comício, a dizer que toda a oposição nos queria enganar. Acredita que não é fácil seja quem for nos enganar, a nós, professores. Sobretudo quem queira devolver-nos o que é nosso. Como nos enganaria, ao fazê-lo?

Mas admitindo que toda a gente nos queira enganar, uma virtude tem esta tua sanha: obrigar-me a reconhecer que tu és o único que nunca me enganaste… Mal te cheirei ao longe, soube logo o que a casa gastava.

Mesmo assim, quem me dera voltar quarenta anos atrás… Se frequentasses a cantina, com gosto te ofereceria a minha pescadinha de rabo na boca, ficando eu com fome. Desde novo tive consciência de que os nossos governantes, passados e futuros, precisam de muito alimento…

António Bulcão

(publicada hoje no Diário Insular)

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50 COMENTÁRIOS

  1. Muito Bom.
    Que o passado passa…mas não nos larga, diz muito do que somos e há sempre alguém…há sempre alguém…
    Um texto fantástico! O passado que vem colado!
    Mais houvessem com coragem de relembrar… a ética., a coerência, os valores e as lutas ou a falta delas!

  2. 16 de maio, 2019
    Sublime!
    Ninguém nos enganará… Afinal somos professores, não políticos sem qualquer coerência. Somos nobres, lutadores e, também maltratados.
    Creio que já não estamos em Democracia mas numa Ditadura perversa e sem sentido. Melhor ditadura camuflada.

  3. Bem haja pela coragem de escrever a verdade. Pois… a memoria é por instantes o espelho do passado/presente. se o Antonio fosse Professor de certeza que iria fazer as contas certas com a contagem de serviço na integra, e não perdoaria uns tantos milhões a quem não deve e não haveria aumentos de salários na ordem dos 50% para alguns, tantas outras coisas. Infelizmente deixei de acreditar que seria a diferença. Pobre Nação de nobre povo.

  4. O problema é que este texto, por motivos que todos conhecemos, não aparece nos meios de comunicação ditos de referência, não vá alguém perder o tacho ou ficar chateado…

  5. Esta carta não tem pés nem cabeça. Misturam alhos com bugalhos. Mostram má fé politica e fanatismo. Que mal fez o António Costa a esta senhora ou senhor? Formou-se em direito com boas notas, foi bom aluno – dito pelo Marcelo, nunca esteve envolvido em escandaleiras, casou com alguém ligada ao ensino e por mais que custe a muita gente tem as contas do país certas como nunca estiveram. Querem regressar ao Afonso Henriques? Tudo bem. Vamos olhar para o futuro da Europa e saber quem são os verdadeiros defensores de uma Europa unida, justa e democrática. É isso que hoje está em causa não são as lamechices de professores e professoras despeitados. Eu também estive parado anos na carreira e nunca me passou pela cabeça pedi-los anos depois. Seriedade na discussão politica com números e factos de hoje e não passar a vida a discutir o passado que até foi fascista vejam lá!

    • Oh Anónimo,vé esse o teu nome, certo?! Espero que sim, porque senão fazer ser parte da companhia do Sr Costa quando andava em parte incerta enquanto os colegas lutavam por melhor comida nas cantinas. Eu não conheço, nem um nem outro, nada me move contra o AC, a não ser por ele ser contra a causa justa dos professores…aliás já reconhecida pelos governos regionais, da Madeira e Açores. Deixa de ser cobarde, mostra a cara, talvez ganhes algum crédito…

    • Tem a certeza que é professor? Não consegue retirar nada do que está escrito? O comportamento, valores, atitudes, frontalidade, caráter ou a ausência disso tudo? é por isso que também não se identifica quando dá uma opinião? Se calhar é por isso que entende tão bem os comportamentos e defende de uma forma emocional António Costa.

    • …quanto é que o Costa te paga? É mais ou menos do que o Sócrates pagava a uma data de gente como tu para andarem sob falsos perfis a dizerem bem dele e a atacar quem fizesse o contrário.

    • Olá anónimo
      Se não tens lata para dar a cara e afirmares o que afirmas és pertences à facha dos desanalfabetizados vindos do tempo de Salazar, grande homem sério.
      Então o costa é o das contas certas e o serviço nacional de saúde a cair de podre, os reformados à mais de um ano sem receber a viver de ar e vento com o indiano a dizer que vão receber com retroactivos, e no entroito de que se alimentam?
      Chamas ao indiano o das contas certas?
      Vai-te Catar!

    • O senhor “Anónimo” sabe o verdadeiro significado de fanatismo?
      Pode, por favor, transcrever alguma passagem do texto onde o fanatismo é demonstrado?
      O seu comentário é que demosntra uma fanática admiração por António Costa. Está no seu direito de admirar quem quiser. Trump também é admirado por muita gente e outras tristes figuras da nossa história (portuguesa e mundial) também foram.
      Não tem é o direito de vir acusar uma classe de trabalhadores que luta por direitos seus. Se o senhor esteve parado anos na carreira e decidiu não reivindicar nada anos depois, problema seu, meu caro. A sua atitude é só sua!
      Se este governo lhe agrada e acha as políticas de António Costa boas para o país, continue a votar nele! Não venha é criticar um texto que de fanático não tem nada e encher os comentários do mesmo com as suas opiniões facciosas, inúteis e parvas!
      Talvez nunca lhe tenha ocorrido que sem professores o senhor nunca teria tido uma educação, nunca teria aprendido sequer a ler e escrever. Coisa que pelos vistos até aprendeu, poderia era usar essa sabedoria para escrever alguma coisa de jeito!

  6. É INCRÍVEL… Há palavras que são como punhais! E estas são CONTUNDENTES e colocam a NU a COBARDIA de um homem que, então, chefiava a Associação de Estudantes e que hjoje é o primeiro-ministro. UMA VERGONHA de passado. Eu demitia-me, se isto fosse verdade! Eis as PALAVRAS QUE DOEM!!!
    “Não te vi em nenhum passo desta luta, António. Tu, que até eras dirigente da Associação de Estudantes, embora te escondesses atrás do José Apolinário.”
    “Entendo que, sendo de Lisboa e na capital vivendo, não precisasses da cantina. Ias comer a casa. Mas, que diabo, tinhas sido eleito para nos representar e defender os nossos interesses.”
    Mais… “Sou professor, António. Desde 1984, já ajudei a formar uns milhares de alunos. Coisa pouca, admito, ao pé do Orçamento do Estado. Mas lá fui andando, humildemente. E é como professor que não te perdoo, António. Não pelas tuas opções políticas, tu é que sabes dessas coisas importantes. Foi do PS a célebre frase “primeiro as pessoas”. Foi de um distinto antigo dirigente socialista a frase “há mais vida para além do défice”. Mas, para ti, ajudar bancos e fazer boa figura em Bruxelas é que é sagrado”

  7. É INCRÍVEL… Há palavras que são como punhais! E estas são CONTUNDENTES e colocam a NU a COBARDIA de um homem que, então, chefiava a Associação de Estudantes e que hjoje é o primeiro-ministro. UMA VERGONHA de passado. Eu demitia-me, se isto fosse verdade! Eis as PALAVRAS QUE DOEM!!!

  8. Este Sr. Prof.esqueceu-se que neste momento só pensa mesmo em si, porque há tanta gente que trabalha e tem o mesmo direito que ele, aqui fica provada a inveja que é muito feio, porque quando lhe cortaram o ordenado ele não reclamou, foi o amigo que lho cortou?.. também se esquece que há muita gente a comer como ele diz peixinho de rabo na boca, para bom PORTUGUÊS é mesmo marmota de rabo na boca, pense em pessoas que trabalham de sol a sol e que ganham um misero salário de alguns €uro, e disso ninguém se preocupa, preocupamos-nos é com nosco, quando lhes foi retirado ao salário no tempo de então, outro politico o Sr. não reclamou, dói o cotovelo,mas pelo jeito a dor já vem de trás. Como Prof. esqueça o fanatismo politico.(Boa Notas)

    • Caro José, mas porque é que os professores são culpados de quem recebe um mísero salário e trabalha de sol a sol? Já agora, que os professores são acusados de tudo, também temos culpa disso? E temos de fazer a nossa luta pelos nossos direitos e pelos outros também? Já agora, qual é a sua profissão? Já que fala com tanto conhecimento da nossa, vamos falar da sua também. Falemos abertamente. Já que toda a gente tem opinião sobre os professores e sobre o ensino, também podemos tecer comentários sobre a sua profissão …

        • O Sr dr, que foi para prof, só percebeu que era prof a partir de 2016, em 2011 ainda não sabia que era prof. Pois se o soubesse, teria enviado este texto ao Passos Coelho “PC”, só que não teria cabimento, o relambório da cantina, afinal o PC só foi à Faculdade para levantar o certificado de habilitações. São coisas da vida! – Já agora sr prof, continue a sua luta; mas de cara levantada, em contraponto com a razão, e, o direito universal, que assiste a todos os trabalhadores em Portugal.

          • E porque não ter enviado ao Sócrates e à Maria de Lurdes? O Passos Coelho e a direita com a Ferreira Leite e o Crato ainda que tenham “ajudado a cavar a cova” , começando os cortes e colocando público contra privado, nunca, o discurso, foi de colocar professores contra pais ou a sociedade contra professores como acontece atualmente…

    • Deve ser um dos serviçais em serviço… A técnica da inveja por quem está menos mal traduz a mediocridade habitual… Para invejar que, pelo menos, se invejem os que recebem 4 mil, 5 mil euros mensais + 40% do ordenado + subsídios de residência+ subsídios de deslocação + subsídios de participação em trabalho…
      que se invejem salários e mordomias de gestores de inúmeros organismos e institutos públicos, empresas públicas, câmaras municipais…que se invejem salários de 13, 14, 15 ou mais mil euros mensais na TV enquanto o operador de câmara recebe mil e pouco (se lá chegar)…que se invejem os salários e regalias das administrações da banca eternamente falida (sustentada por todos nós)… que se invejem aos salários de gestores portugueses que ganham mais que o principal responsável da banca ou presidente americanos e que num ano ganham o que a maioria dos portugueses nunca ganhará numa vida de trabalho…
      Vê-se mesmo que o que é, pela inveja que pretende fomentar em primeiro 1.º e em 2.º lugar pelo tipo de inveja medíocre.
      Arre bolas…que gente pequenina!

      • Muito bem dito, J.F. Mas, lembre-se. O povo português tem o pódio no reino da inveja. E, quando algum luta e consegue fazer valer os seus direitos, a INVEJA reina imediatamente naqueles que, NUNCA estando dispostos a lutar, sempre aparecem a desvalorizar o trabalho dos outros!
        Já desisti, há muito, de comentar parvoíces de gente tacanha que, vendo milhões a voar para quem nada fez neste nem por este país, se dedica a massacrar e criticar quem luta pela justa remuneração para o seu trabalho!
        Conclusão: Só em Portugal há gente com tanta inveja. Se fosse noutro país, diriam como alguns disseram, “Vamos à LUTA” se há dinheiro para banqueiros, que apareça dinheiro também para quem trabalha… para quem ficou desempregado, para quem não pode pagar a prestação da sua casa… E, com este dinheiro, já os bancos teriam os pagamentos em dia… mas o Estado, no lugar de dar ao pobre contribuinte que foi quem meteu dinheiro nos cofres do Estado ao longo da sua carreira contributiva (e com ele liquidaria as suas contas ao Banco que, por essa via deixava de ter crédito mal parado e ficaria capitalizado…) prefere dar dinheiro aos BANCOS que assim mantém o direito a CONFISCAR a casa e a DESPEJAR os cidadãos só porque se atrasaram 4 ou 5 meses no pagamento da prestação..:! Gatunos… é o q eu há mais em Portugal. Ladrões que NUNCA VÃO PARARA À CADEIA… porque a ÚNICA ARMA que usam É A CANETA

    • Foi um PS no governo que cortou tudo isso em memorando deixado para quem vinha a seguir…. não culpem quem não tem culpa….

  9. Os dirigentes do PS no governo incham de contentamento pelo resultado da votação do tempo de serviço roubado aos professores. E não é caso para menos pois conseguiram matar vários coelhos de uma cajadada.
    O coelho mais gordo foi livrarem-se da obrigação de negociar o tempo roubado não apenas aos professores mas a todas as outras carreiras especiais da função pública na mesma situação (no total foram mais 16 coelhinhos – Forças Armadas, GNR, técnicos de diagnóstico, polícia marítima, guardas prisionais, oficiais de justiça ou magistrados).
    Libertaram assim muitos milhões que podem agora continuar a distribuir pelos bancos geridos por mentecaptos e ladrões inteligentes. Os trocos que ainda sobrarem serão certamente entregues aos familiares e compadres, tudo bem aproveitadinho para que nem um cêntimo seja devolvido aos lesados.
    Outros dois coelhos foram o PSD e o CDS que confirmaram a sua flexibilidade e jogo de cintura dando umas valentes cajadadas em si próprios. Grandes atletas estes que conseguem contorcer a espinha 180 graus e votar contra o que tinham votado a favor uns dias antes. Isto sim é gente honrada e de palavra!
    O coelhinho mais pequenino é o resultado de 2 sondagens certamente encomendadas pelo marketing do PS, que entrevistando no total 1500 pessoas, obteve 950 opiniões favoráveis ao governo. E com base em 950 conclui-se e publica-se em letras gordas “Sondagens revelam que a maioria dos portugueses dão razão ao Governo no conflito com os professores”. Mas afinal quantos portugueses somos? 1899?
    E agora? O que fazer? O que pode o infeliz e desprotegido cidadão fazer para limpar tanta m… que se acumula nos corredores do poder?
    Votar sim… em todos menos no PS!

    • Votar, em todos??? Exclua o PSD e o CDS-PP também. Esses partidos que ada fizeram para que houvesse justiça. Antes, estes partidos pretendiam protelar para as “calendas gregas”, a recuperação de um único dia que fosse… Isto porque, ao quererem fazer depender a recuperação do Tempo de Serviço dos docentes, do crescimento económico do país, seria como exigir aos professores que esperassem pelos seus direitos até que o padeiro, o pasteleiro, o sapateiro, o … o… o… e o… se decidissem a trabalhar e ajudar o país a crescer!
      Um cidadão deve receber porque trabalha e não porque os outros decidiram deixar de ser preguiçosos !! Ora, não é justo que um pintou ou um médico vejam os seus direitos reconhecidos apenas se o sapateiro ou o pasteleiro (ou outros trabalhdores) se empenham em produzir e melhorar a economia…!

  10. Mas os professores e OUTROS funcionários públicos, se estão assim tão mal, porque não mudam de profissão ou trabalham no privado?

    Pois…

    • Seguindo a mesma linha de raciocínio: e o privado que tanto inveja o público e mais não faz do que reclamar dos seus “enormes benefícios porque não vem para o público?
      Pois…

    • Ah…pois… também há aqueles, no privado, que não fazem greves por terem medo de represálias…quem tem medo arranja um cão!
      Ah…pois… também há aqueles, no privado, que não falam por medo do patrão…quem tem medo arranja cão!
      Ah…pois… também há aqueles, no privado, que não se manifestam e só se queixam por trás por terem medo mas quando colegas seus tentam alguma coisa ainda os acusam…
      Pois…custa lutar contra poderes instituídos…

    • Este comentário demonstra aquilo que a maioria (71% dos portugueses!) são: uns incompetentes, parvalhões, ignorantes, … Por isso, Portugal não cresce economicamente. Pensa que o mal dos outros o faz mais rico a ele… Se os professores perdessem dinheiro para os miseráveis… mas não. os professores perdem dinheiro para os milionários que anda pagam…
      Este sujeito (como 71% dos portugueses, caracterizados pela inveja e estupidez) ainda não perceberam que o Tempo de Serviço contado não é uma mordomia… O tempo de serviço foi prestado, dele foram pagos os devidos impostos e feitos os devidos descontos. Logo, é um direito, não uma benesse! E, pela lógica de quem não está contente, muda de profissão, NUNCA ninguém poderia reivindicar nada, nem mesmo melhor escola, melhor saúde porque… quem não está bem, que emigre!!! É a prova mais que evidente que, infelizmente, a estupidez não paga imposto caso contrário, se quem opina estupidamente pagasse 10 cêntimos por cada palavra que pronuncia, o país pagaria rapidamente as dívidas à TROIKA… PONTO FINAL!

  11. O Sr professor autor desta carta ,dizendo que não” perdoa a António Costa “! mas ; perdoou a quem lhes tirou quem roubou , feriados ,salário , a quem os mandou Emigrar ,quem lhe aumentou o horário de trabalho ,quem vendeu ,todo o património de nós todos ,não vendeu mais ; porque não teve tempo para vender mais ! e fico por aqui sr professore ! hão Portugueses com reformas de 300 400 ou ainda menos e não se queixaram ! esperam que justiça seja feita ,isso o Sr não fala ; os professores quem ser portugueses de 1ª Tenham vergonha ! olhem para os que vivem como podem em silêncio ! façam o Coelho vos mandou ; façam ; estão muitos licenciados há espera !

    • Mas quem lhe disse que não reclamou??? Deduz a partir de quê? Até me surpreende como não deduziu que terá ficado contente com os roubos dos outros…

      Quanto ao resto do comentário a mesma resposta dada a outro similar, possivelmente ao mesmo…:
      “Deve ser um dos serviçais em serviço… A técnica da inveja por quem está menos mal traduz a mediocridade habitual… Para invejar que, pelo menos, se invejem os que recebem 4 mil, 5 mil euros mensais + 40% do ordenado + subsídios de residência+ subsídios de deslocação + subsídios de participação em trabalho…
      que se invejem salários e mordomias de gestores de inúmeros organismos e institutos públicos, empresas públicas, câmaras municipais…que se invejem salários de 13, 14, 15 ou mais mil euros mensais na TV enquanto o operador de câmara recebe mil e pouco (se lá chegar)…que se invejem os salários e regalias das administrações da banca eternamente falida (sustentada por todos nós)… que se invejem aos salários de gestores portugueses que ganham mais que o principal responsável da banca ou presidente americanos e que num ano ganham o que a maioria dos portugueses nunca ganhará numa vida de trabalho…
      Vê-se mesmo que o que é, pela inveja que pretende fomentar em primeiro 1.º e em 2.º lugar pelo tipo de inveja medíocre.
      Arre bolas…que gente pequenina!
      Chupe o sr. ou srª o caroço da azeitona, não se queixe e viva em silêncio – como parece louvar e defender!

    • hão professores? Em que escola andou, sr. anónimo? Certo: há professores. e estão licenciados há espera, não. Estão licenciados á espera. Ah e já agora não sabe por que é que Passos Coelho teve que tomar as medidas que tomou? Porque o Sr. Sócrates do governo PS deixou o País na penúria e tivemos que pedir ajuda ao FMI, Banco Central Europeu e Troika que para nos emprestarem dinheiro nos fizeram exigências que o PS assinou e que Dr. Passos Coelho teve que cumprir porque já não havia dinheiro para pagar ordenados, pensões.e por aí fora.

    • Quando nada se sabe de (politica) o melhor mesmo é abter-se…. ps cortou tudo antes…. sabendo as causas sabe-se o resto….

  12. O “Anónimo” empregado de serviço do partido, escreve em modo de “copy/paste” em outros blogues. O que é perfeitamente normal visto que é pago pelo serviço. Onde já vi disto, versão Peixoto “Miguel Abrantes”

  13. Apesar de não ser professor, o meu muito obrigado, pela sua carta. Acima de tudo, por dizer a verdade, e por desmascarar um dos maiores aldrabões, oportunista e vira casacas, que Portugal teve.

  14. Senhor Professor
    António Bulcão,
    Desculpe dizer tenho vergonha que se chama-me António, porque o seu nome representa o silêncio dos nosso actos e dos nossos amigos. Depois de tantos anos passados publicar uma carta contra um ex-colega que por sinal era representante de estudantes e só agora vir tentar denegrir e fazer passar pela vergonha a boca do mundo tal situação de um facto académico. Senhor Professor é muito pobre é um vagabundo da Sociedade, tenha cuidado os seus alunos eles não merecem um ser humano assim a ensinar Direito. Peça a sua reforma e vá p’ra ilha…

  15. Estou farto de ouvir falar das causas justas dos professores!
    Estou farto de ouvir falar nas progressões das carreiras dos professores quando o que está em causa é dinheiro! Não é a qualidade do ensino, nem tantas outras coisas que possam interessar para o melhor aproveitamento dos alunos.
    Não!
    É sempre a contagem dos anos.
    Não os vejo exaltarem-se contra quem congelou as carreiras (os dinheiros).
    Eu fui funcionário público e também eu tive a minha carreira (dinheiro) congelada.
    Agora como aposentado tenho uma carreira (pensão) mais curta ao fim do mês! Porque é que vocês professores têm mais direitos que eu????
    Parem de gozar com todos os outros funcionários públicos que estão em igualdade com vocês, porque vocês não são lesados de primeira e os outros lesados de segunda!
    Chega!!!

    • Caríssimo José Monteiro… Com todo o respeito pelo que escreve só em resta lamentar a sua posição. O facto de se encontrar lesado, não retira nem diminui o roubo que foi feito aos outros. Lute pelo que considera ser seu. Mas SÓ PORQUE O SENHOR SE ACOBARDA (desistindo do que considera ser seu direito) NÃO ESPERE QUE OS DEMAIS SEJAM TAMBÉM COBARDES…! Não duvide… Por culpa de cobardes, Portugal teve uma DITADURA durante mais de 40 anos!
      Não duvide… Queixe-se as vezes que quiser porque, se não quer ler nem ver… passe à frente!! Ponto final. Se está farto… tem um remédio simples: salte e não leia! Afora, fique certo de que… ENQUANTO NÃO FOR FEITA JUSTIÇA, LUTAREMOS PELO QUE É NOSSO!

  16. Não sou funcionaria publica. Pois… esteve com a carreira congelada e agora recebe menos, julgo não estar satisfeito, portanto não tem nada que estar contra uma classe que luta pelos seus direitos.
    acharia justo se visse que este ou outro governo fazia tudo para recolher dinheiro para pagar a divida mas o que vejo são perdoes fiscais e outras situações que nem vale a pena descrever, assim sendo que pague o que cada um tem direito.

  17. Li o texto do colega de António Costa e não estou de acordo, pois cada um luta pela melhoria da sua vida Não podemos ter todos as mesmas ideias Eu sou professora e confesso que trabalhei com colegas que esta profissão só lhes servia para receber o ordenado e não de se dedicarem a ensinarem as crianças, o que eu lastimava que assim fosse . Não sou contra a luta de se lutar pelos direitos, mas não serem tão radicais e haver um acordo de tolerância para não prejudicarem as crianças que são o nosso futuro.São exemplos não favoráveis para elas Eu trabalhei muito muito com quatro classes , com exames e com cinquenta e tais alunos Dediquei-me a eles com todo o amor e carinho não olhando ao ordenado que era mínimo.As maneiras de ser das pessoas variam .

    • Prejudicarem crianças??? Mas… quem devem ser os primeiros a defenderem os seus filhos? Os pais, não é verdade??? E que fizeram os 71% dos portugueses? Apoiaram o roubo aos professores feito pelos governantes da nação? Ah… Os pais estão-se nas tintas para o futuro dos seus filhos… e os professores é que devem pensar no futuro das crianças?? Isso já o fazem ao serem dos “melhores professores do mundo” (palavras insuspeitas do Presidente da República que foi conivente com o roubo parcial aos professores!). Que querem mais dos professores? Que sejam missionários? Que paguem os prémios da TAP, os “roubos” e “assaltos por “ladrões amadores” (que nem armas usam: apenas canetas)??? Têm que ser os professores os únicos a pagar as incompetências dos governantes e dos gestores e governadores do Bancod e Portugal (como Vitor Constâncio)?

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