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Caros professores… – Filinto Lima

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“Cara professora

Agora que está prestes a terminar este tão inesperado ano letivo, não posso deixar de vos agradecer profundamente pela atitude compreensiva e amável que sempre tiveram com os vossos alunos, pela simpatia diária, pela superação de todos os desafios que esta quarentena vos apresentou, pelo empenho e dedicação de todos.

Falando em particular do meu filho, apesar das saudades que teve da rotina de escola, da partilha diária com colegas e professores, conseguiu também adaptar-se e ser feliz nesta realidade, muito graças a todos Vós, que diariamente apoiaram e apresentaram tarefas, que ensinaram novas matérias e compreenderam as dificuldades.

Todos precisamos que tudo volte ao “normal” e que os próximos anos letivos nos tragam o contacto diário e presencial entre alunos e professores, pois são pilares fundamentais na formação destes futuros adultos. Vamos fazer figas para que assim seja!”

Permito-me partilhar um texto real, emotivo, dirigido recentemente a uma diretora de turma por uma mãe, encarregada de educação que, sentidamente, congratulava os professores do seu filho, aluno do 5.º ano de uma escola pública, que poderia bem ser uma escola privada.

E com toda a justiça!

Apesar de destinadas a um coletivo específico, as palavras, e a atitude, assumem uma dimensão mais lata, estendida pluralmente aos professores do nosso país, empreendedores natos, que conseguiram não só manter a funcionar, mas também elevar, dentro dos muitos constrangimentos identificados, a Escola Pública e a qualidade a que já nos habituou. A classe docente é merecedora dos maiores encómios e de tratamento de distinção, muitas vezes esquecidos por quem nos tutela.

De igual modo, os pais são credores de elogios rasgados, tendo-se colocado ao lado dos mestres, os professores, apoiando os seus filhos, dentro das suas possibilidades, percebendo a nobre (e árdua) tarefa que é ensinar…e aprender. Muitos, em regime de teletrabalho, tentaram, de forma esforçada, desempenhar algumas das funções docentes, o que, sem formação ou retaguarda, os conduziu à exaustão.

E os alunos? Estão as nossas crianças e jovens preparados para enfrentar o próximo ano letivo?

Na minha opinião, eles foram os nossos heróis, sobretudo os mais novos, menos autónomos, a cumprir confinamento nos seus lares, tentaram corresponder o melhor que conseguiram e souberam ao desafio lançado pelo COVID-19, bem como às tarefas pedagógicas propostas pelos seus estimados professores. E mais ainda o foram todos os que, pelas incapacidades de funcionamento que evidenciam e pelas limitações que o contexto lhes impõe, e impôs de forma ainda mais marcada neste período de contingência, estiveram privados do acompanhamento e dos apoios essenciais a uma existência o mais normalizada possível.

Sabemos que os reflexos das restrições vivenciados nos últimos meses terão repercussões no próximo ano letivo, no dealbar de setembro, e as escolas estão – enquanto aguardam o diploma legal Organização do Ano Letivo – a preparar o plano de regresso ao ensino presencial, que incidirá sobremaneira nas tarefas de recuperação e consolidação das aprendizagens, que, para serem devidamente concretizadas, convocam os apoios e recursos que devem ser objeto de cuidada atenção da tutela.

Tenhamos confiança na capacidade das escolas, mormente nos nossos professores – muito competentes e habilitados – colocados, nos últimos meses, à prova num exame sem preparação prévia, tendo-o superado com nota máxima.

Fonte: TSF

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