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Cargos De Professores Devem Ser Atribuídos Preferencialmente A Docentes No Topo Da Carreira?

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Polémico, mas pertinente o comentário do Luís Braga. Este é daqueles assuntos que se sussurra pelas salas de professores, onde existe um evidente mal-estar pela diferença salarial e cargos não letivos exercidos. Para refletir…


08-02-2020

Um pensamento simples que me vai fazer perder as eleições em que me envolvi. Mas que se lixe. O meu fígado precisa desopilar. Acho que os docentes, com menos de 50 anos, estagnados entre 3o e 5o escalão, ou antes, deviam lançar um protesto nacional, demitindo-se de todos os cargos nas escolas e obrigando quem tem redução letiva a exercê-los. E deviam lancar uma greve nacional, sem prazo, à função de diretor de turma, a mais burocratizada de todas. Ocorreu-me isto ao ter ido rever o quadro salarial BRUTO da carreira docente. O líquido para um solteiro sem filhos é uns 33% menos em cada escalão (o liquido é uns 2/3 do bruto). Eu estou no 3o escalão, devia estar no 7o. Ao 10o, que o Mario Nogueira inventou, maquiavelicamente, para aceitar, contra o interesse geral da geração posterior à sua, vagas e outros travões, nunca chegarei. Mesmo assim, considero ofensivo, quando alguns acham que me “elogiam” e me perguntam o que ando a fazer como professor, quando podia fazer outras coisas mais bem pagas. Até hoje fui sempre pedagógico e educado. Que tal pagarem-me, como “acionistas” representados pelos deputados, o que é devido? A esses, só digo que, se querem pagar salários medíocres, só ficarão com gente medíocre. Ou gente sobreocupada porque, para garantir rendimentos, precisa de acumular outras coisas. Aos docentes que estejam nos escalões mais altos, e digam que não trabalham “porque já trabalharam muito“ (não digam que nunca ouviram), só digo… o trabalho passado foi pago no passado; hoje, recebem mais, para trabalhar melhor e acrescentar mais valor. Coisa que vejo pouco. E como o dinheiro que eu deixei de receber vem do mesmo orçamento, que lhes paga para dizerem que não trabalham ou para fugirem aos cargos, espero que a desvalorização em 600 euros mensais do meu trabalho (uns 120 mil euros no total futuro, para o resto da minha carreira), signifique mais valor acrescentado por quem os recebe no meu lugar e chegou ao topo dela. É que eu também sou contribuinte, como todos os que advogam “sensatez orçamental” para nos tramar.

Luís Braga


09-02-2020

A unidade docente é um mito e uma treta. Não existe, nem existiu, nem é desejável que exista. A “unidade”, vendida por sindicatos como a Fenprof e a plataforma anexa, na verdade, é um instrumento de eternização da desigualdade. Em linguagem marxista é a ideologia que sustenta a exploração dos grupos de professores mais novos. As lutas dos contratados e dos professores de quadro, abaixo do 5o e 7o escalão (os quarentões), nada têm a ver com a visão pseudo-aristocrática de quem está no 9o e 10o escalão. E não há juízos morais a fazer:é assim, são os interesses materiais diferentes. Quem tem 1900 euros mensais e quer é reformar-se, não tem interesses representáveis em comum com quem procura estabilidade, fugir aos efeitos das vagas ou que lhe contem os dias para a segurança social. Eu, de 47 anos, no 3o escalão de uma carreira de 10, após 24 anos de trabalho, não tenho interesses em comum com Mário Nogueira que estará no 10o. Mas dizem que ele me representa em nome do mito da unidade. A unidade docente é um mito e se os sindicatos assumissem a diferença de objetivos profissionais, bem patente na desigualdade de estatuto e salário entre professores que fazem funções equivalentes, talvez “as lutas” corressem melhor. Iriam representar docentes reais e não a “mítica unidade docente”. No post sobre salários de ontem isso viu-se bem: comentários elogiosos de quem sofre a desigualdade, insultos e ofensas e apelos à unidade (!!!) dos “de cima”. Até a minha mãe foram buscar para agredir. Bela unidade… Realmente um belo mito. È por causa dele que há vagas. A maioria dos sindicalizados em que ponto da carreira está? E realmente haver 10o escalão foi a moeda de troca para certos muchachos aceitarem as vagas e a reforma dos escalões. Quem está estagnado no 3o e 4o está assim por ter sido criado o 10o. Nessa negociação sindical a estratégia foi “quem vier atrás que feche a porta”.

Luís Braga

15 COMENTÁRIOS

  1. “Aos docentes que estejam nos escalões mais altos, e digam que não trabalham “porque já trabalharam muito“ (não digam que nunca ouviram), só digo… o trabalho passado foi pago no passado;…”

    Isto é muito desagradável. E merece uma resposta. Mas agora não me apetece. Estou a trabalhar para os alunos e para os meus colegas mais novos (?!!???). Estou a partilhar as minhas estratégias e os meus testes, fichas, etc..

    Falar deste modo sobre os colegas dos últimos escalões é ser-se ignorante e muito mauzinho, benzós Deus!

    • O engraçado é que u, no 7.º escalão após 32 de carreira e 59 de idade, continuo DT já nem lembro há quantas décadas e não tenho outros cargos porque estou no CG, porque oa qua são mais jovens de idade e de carreira nada querem com cargos, é uma canseira, uma chatice e “não tenho jeito p’ra isso”. Mais, quanto a fazer greve, os mais velhos que façam porque eu ganho pouco e eles ganham muito e a grve não adianta nada, blá, blá, blá. Pois bem, quem vem atrás que se des….

  2. Concordo. E tb acho que os mais novos para progredirem precisam de obter os pontos pelo exercício dos cargos. Se não fosse tão precipitado até eras capaz de pensar… Ou então, quando chegassem a velhos não sabiam exercê-los e deviam ser despromovidos.

  3. “O meu fígado precisa desopilar.”

    Para desopilanços destes, apetece-me responder com um desopilanço do alto do meu 10º escalão – puto, pá, não me chateies!

  4. Os plebeus, na ótica do Sottomaior Braga olham com desdém os aristocratas do 9 e 10 escalão. Esta visão medieval da divisão da classe docente é que o trama. A ele é mais uns quantos invejosos. É são estes que vêm clamar por unidade.. . Jesus!

  5. Sem comentarios! É triste coexistir nesta profissão onde há “colegas” que são mesquinhos e não batalham para a valorização e união dos professores. Lamentável…. O cerne dos problemas dos professores está a anos-luz deste pormenor tão enaltecido. ENFIM!… É por estas e por outras mentes idênticas que continuamos a a ser “o bombo da festa”

  6. Não estou, nem lá chegarei, aos tais escalões do topo. Colega, aponte os canos do seu azedume para quem de direito, quem lhe destruiu a carreira, e não para os seus colegas. Comentários como o seu é que envenenam a classe.

  7. Desculpe, mas estou com o colega. E não é uma crise entre colegas nem uma guerra a estes. É o sensato. É assim em qualquer profissão, só a docente é que se acham que não.
    Efetivamente estes professores que estão como disse os colegas são as maiores vitimas deste processo todo, porque quem chegou aqueles lugares de topo fizeram o seu caminho dito normal (e atenção, não estou a condenar ninguém, nem tão pouco a dizer que não merecia, mereciam sim, ponto final, como os restantes que ele indicou também mereciam) e os restantes ficaram aqui numa carreira (não, uma suposta carreira) completamente destruída a maioria de nós nem do 5º escalão iremos passar; atrás de nós muitos colegas perceberam e seguiram outras profissões, é por isso que estamos como estamos; isto é, no meio disto tudo quem está em idades até aos 50 anos está de facto mal, sem horas de redução, a cumprir cargos. O que me desgasta neste cumprimento de cargos é os restantes que tem ordenados acima (brutalmente) do meu a exigir que faça algo que não eles próprios não fazem e muitas vezes em reuniões ainda somos criticados, a exigirmos coisas, com recados para as chefias; lamento, isto é, se de facto ao menos facilitassem o exercer de tarefas ainda podia deixar passar, mas tal como este colega faço parte do grupo que isto irá para à frente sendo alguns dos motivos as atitudes de quem ganha muito mais que eu e que esses sim deviam estar a dar a cara pelo aqueles que estão desastradamente mal. Esse tempo chegará pela natureza das coisas, tal como esta semana, decidi dizer isso mesmo à minha Diretora que entregasse o trabalho de mais de 20 horas que me pediu a quem deu muito bom ou a quem tem reduções. Lamento dizer isto, a estagnação da carreira, sem reduções, a avaliação docente, e a atitude muitas vezes dos colegas irão levar-nos a tomar esta decisão.

  8. Ó Luís Braga… candidata-se a quê , Director?? Desista! A pensar assim baixinho imagino o seu mandato e dos colegas que o vão aturar…
    Ai a culpa da atual carreira é do Nogueira??? Tenha lá juízo! Os sindicatos ainda foram tentando refrear a questão principal que a do corte da massa salarial… Eles estão-se borrifando para a carreira e adoram as guerras intestinas dos professores, aliás incentivam-nas, desde que no final a redução da massa salarial seja significativa…
    O sonho de alguns é mesmo acabar com os sindicatos, depois terão um santinho para quem rezar para vos defenderem os interesses… Não que não se possam fazer criticas legítimas aos sindicatos, mas não sejam néscios… O que quererão os do poder?

  9. “Em linguagem marxista é a ideologia que sustenta a exploração dos grupos de professores mais novos”
    Então é assim, o marxismo explicado a totós, segundo o Luis:
    – há uma luta de classes em que os professores mais novos e/ou em escalões mais baixos são os proletários ou o lumpen proletariado, explorados pelos professores mais velhos nos últimos escalões , os pseudo-aristocratas (nos tempos de Marx já nem eram os aristocratas que detinham o poder económico e financeiro- era a burguesia, mas adiante) que detêm os meios de produção e exploram os outros professores em nome do lucro.

    Já lemos muito sobre o revisionismo marxista, mas este novo revisionismo do Luis é estranho.

    Termino com uma ideia e convição marxista: Peoples of the world unite!
    Neste caso seria: Professores portugueses unam-se!

  10. “A maioria dos sindicalizados em que ponto da carreira está?”

    Depois do Luis querer saber (legitimamente) o nº de sindicalizados, eis agora que quer saber (legitimamente) em que ponto da carreira estão os sindicalizados.
    Sabemos onde o Luis quer chegar. Mais uma vez estamos perante uma “linguagem marxista”.
    Não vou perder mais tempo com parvoíces, ignorância e, acima de tudo, muita má-fé.
    Citando um humorista português: “Jesus morreu, Marx também e eu não me estou a sentir nada bem.” O Luis poderia, se tivesse sentido de humor, afirmar algo parecido.
    E não se sentindo nada bem e tendo esta urgência em “desopilar”, que tal uma sessão Freudiana no SNS ou numa PPP da saúde?

  11. “…signifique mais valor acrescentado por quem os recebe no meu lugar e chegou ao topo dela. É que eu também sou contribuinte, como todos os que advogam “sensatez orçamental” para nos tramar.”

    Bom, e não consigo parar de comentar.

    Agora temos o problema dos contribuintes….
    Ó Luis, somos todos contribuintes. E um livro de finanças para totós facilmente lhe explicará que quanto maior é o vencimento auferido por um professor, maior o desconto a pagar ao estado.

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