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“Camaradas” Do Contágio

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Grandes camaradas! É assim mesmo, de bandeiras ao alto e braço levantado, gritando bem alto os valores da causa laboral! Sois uns heróis, pois por decreto sabeis que ficaram imunes ao bicho, que o bicho não vos irá penetrar pulmões adentro, nem qualquer ventilador vos vergará o braço e o espírito de união.

União… que tanta falta faz quando enterramos os nossos amigos e nem sequer podemos participar no último adeus.

União… que amanhã nos impede de ir visitar as nossas mães, pois estamos amarrados ao concelho de residência, por respeito a todos e com todos.

Mas vós sois especiais, precisam do vosso momento, do vosso tempo de antena, são solidários entre vós, pois nada vos garante que ao serem empacotados nos autocarros e com máscara no queixo, mais tarde, no regresso, ao beijar os filhos, os conjugues e os pais, não irão contagiar os vossos “camaradas” de residência, que no dia seguinte vão conviver com todos nós.

A causa é tão forte que não há bicho que vos entre e a distância ridícula para televisão filmar, tornou-vos ainda por cima um exemplo de organização. Bravo! Só faltou dizerem que basta tirarem o cartão de sócio da CGTP e já nem precisamos de vacina…

Sois uns valentes, camaradas!

Enquanto membro do povo, encerrado no meu concelho, quero agradecer-vos o exemplo que deram ao restante povo. Afinal, vocês ainda são dos nossos, não são?

Vergonha!!!

Alexandre Henriques

P.S – para os hipotéticos comentadores/radicais da política, isto não tem nada a ver com política, tem a ver com senso comum e o respeito por todos.

1 COMMENT

  1. Estou surpreendida. Não somos todos trabalhadores? para se estar ao lado dos trabalhadores é preciso ser sindicalista? não nos identificamos todos com os abusos no trabalho, que tanto tenho visto criticar aqui? ser radical é ir à raiz das coisas, é não ser superficial, comodista, não barganhar a nossa essência por tuta e meia, não estar constantemente a enfiar o barrete do discurso da moderação, de aceitar pouco pela metade. Ser radical não é sinónimo de ser estoura-vergas, é essa a imagem desconstrutora que espalha quem tem conveniência em medidas tíbias, medidas de baralhar, para ficar tudo na mesma, salpicando de desconfiança e instabilidade qualquer discurso de autenticidade e reivindicação de justiça. É com esse discurso de moderados contra radicais que os trabalhadores compram gato por lebre constantemente. Sou partidariamente independente, dou por mim a concordar com este e com aquele, sempre que têm razão, e até um relógio parado tem razão pelo menos duas vezes por dia, mas pensar alguma vez que se é, nalguma circunstância, apolítico, que existe alguma escolha, alguma interpretação, alguma decisão, pura, assética do ponto de vista político é ser ingénuo ou acreditar na ingenuidade dos outros.
    Em relação ao trabalho dos sindicalistas, tenho a dizer que agradeço a todos os trabalhadores: profissionais da saúde, funcionários dos supermercados e das farmácias, funcionários da limpeza e da segurança, todos os riscos calculados que correram para bem de todos nós. Da mesma forma agradeço aos sindicalistas que, em época de confinamento, correram riscos calculados e assumiram as suas responsabilidades, pelo bem de todos nós, não seria de esperar outra coisa, que se refugiassem com a desculpa do confinamento, numa época de regressão dos direitos laborais, particularmente grave no caso dos professores, com preocupações de desemprego, de abusos de vários tipos, no horário de trabalho, etc. que a lista é longa.
    Obrigada portanto, sindicalistas, por não se terem deixado coagir moralmente pelo espantalho da radicalidade. Os direitos fundamentais não estão suspensos. Descarto de mim o epíteto de imoderada. Não me faço passar por aquilo que não sou. Sou trabalhadora, agradeço a quem defende os meus direitos.

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