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Calendário Escolar para 2017-2018, virtudes e vícios.

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Tão só reflexões pessoais. Em meu nome, resultantes da minha experiência, das minhas vivências.

Alerta feito, passo aos temas.

Li hoje, no Jornal I, algum do conteúdo que o Ministério da Educação propõe para o Calendário Escolar do próximo ano letivo, e, consequentemente para o funcionamento dos estabelecimentos escolares e a “vida das famílias.” Segundo consta da informação, as atividades letivas na Educação Pré-Escolar e no 1.º Ciclo terão início entre 8 e 13 de setembro de 2017 e finalizarão a 22 de junho de 2018.

Positivo, o paralelismo entre a duração das atividades letivas, nestes dois graus de ensino: funcionam em grande parte em centros escolares, bastantes famílias têm filhos em ambos os níveis e, ao irem de férias, levam as crianças, não tendo qualquer sentido ficarem salas da Pré-Escolar a funcionar com meia dúzia de alunos…

No entanto, o início na primeira quinzena de setembro? Tantos portugueses ainda estão de férias na primeira quinzena de setembro! O trabalho nas Escolas nunca fica preparado no ano letivo anterior- há professores por colocar, há atividades por planificar, há dinâmicas por estabelecer.
O início de setembro é sempre de azáfama no “arranque” do ano letivo, com a chegada de pessoal auxiliar (chegarão?) e docente, alunos transferidos pelos mais variados motivos, a integrar em turmas, distribuição de serviço a quem é “novo…”

Continuam os três períodos escolares, com os mesmos defeitos apontados neste ano letivo- 1.º período demasiado longo, 3.º período demasiado curto! E, pergunto eu, à semelhança do que já fiz em março de 2016, quando participei numa das Consultas Públicas do Ministério da Educação:
– Por que motivo, os períodos escolares têm que coincidir com os momentos de avaliação? Por que motivo, já que as celebrações religiosas continuam a marcar o calendário, se perdeu a interrupção de “Todos os Santos”, uma semana em que os professores faziam reuniões intercalares e avaliavam o decorrer do trabalho?

Em março de 2016, propunha:
“…Relativamente aos momentos de avaliação sumativa formal, com entrega de Fichas de Avaliação aos Encarregados de Educação, talvez se pudessem reduzir para dois, em cada ano letivo– um em fevereiro e outro no final do ano.

Como as reuniões de Estabelecimento/Departamento têm caráter mensal, a avaliação formativa pode ser realizada de forma contínua e sistemática; o contacto com o Encarregado de Educação realiza-se sempre que necessário, dispondo o professor titular/diretor de turma de uma hora semanal da sua componente não letiva de estabelecimento, para esse efeito.

Assim, no final de cada trimestre, todos os docentes disporiam de uma semana para dedicarem à sua Formação, a Investigação… enfim à componente não letiva individual. Em fevereiro, por alturas do Carnaval, ou noutro momento a estabelecer, far-se-ia a entrega da avaliação sumativa/afixação de pautas…”

Continuo a pensar exatamente da mesma forma. Os testes devem ser aplicados, na minha opinião, no final de cada unidade temática, com caráter formativo. Testes sumativos, quando a equipa disciplinar entender, consoante as características da turma. Médias impessoais e computadorizadas como base da avaliação de um aluno?? NÃO. É necessário, é urgente, cortar com essa forma de avaliar, com esses três momentos mecanizados e viciantes.

Finalmente, segundo a mesma fonte de informação, o despacho deixa de garantir as atividades educativas nos estabelecimentos de educação do pré-escolar” e “deixa de garantir um período máximo de cinco dias úteis de interrupção letiva na altura da Páscoa e do Natal…” Por este motivo, as decisões a tomar hoje, na discussão entre representantes das Autarquias são de sobeja importância. As verbas com que os municípios asseguram as “férias escolares” têm sido transferidas do Ministério. Sabe-se lá porquê, os municípios querem corresponsabilizar o Estado através de um “Protocolo.”
Quem se espanta, ponha o dedo no ar!!!

 

Fátima Ventura Brás

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10 COMENTÁRIOS

  1. As famílias tem 17 semanas de férias, sem dúvida.

    12 no verão
    2 no natal
    2 na páscoa
    1 no carnaval
    E sempre que tolerância de ponte no estado, também têm férias.

    Quero uma família destas.

    • Bom Dia Srº Alexandre,
      Visto o seu comentário, presumo que não é Funcionário Publico nem PAI.
      É verdade que qualquer criança que ande a estudar, tenha as ferias que descreve, mas eu não ando a estudar, tenho de trabalhar e mesmo assim, sendo Funcionária Publica, tenho as férias normais ( 22Dias).
      Se quer uma “família destas” concorra como os outros fazem….
      Cumprimentos.

  2. Caro senhor:
    Vi ontem o seu comentário. Não respondi porque percebi que o mesmo é fruto de um desconhecimento total da “atividade de um professor” ou é simplesmente uma provocação.
    Mas, seja lá qual for o motivo pelo qual se deu ao trabalho de dizer que “quer uma família com 17 semanas de férias”, esclareço-o do seguinte:
    – os professores têm exatamente os mesmos dias de férias do que qualquer funcionário público;
    – os professores recebem os seus vencimentos através de instituições do Estado, descontam até ao mais ínfimo cêntimo do seu vencimento para o IRS, a CGA ou a Segurança Social, não contribuem para a economia paralela que mina este país de biscates, em que se faz uma pintura, um conserto…sem passar fatura, se recebem subsídios de desemprego e inserção quando se ganha mais do que um professor que gastou anos da sua vida a preparar-se para lecionar…
    – o trabalho de um docente não é igual ao de um outro funcionário público. Tem dois tipos de Componente: a LETIVA e a NÃO LETIVA. Por sua vez, a C. NÃO LETIVA, pode ser DE ESTABELECIMENTO e INDIVIDUAL;
    – ora bem, para quem não sabe, ou finge não saber, a C NÃO LETIVA INDIVIDUAL não obriga os professores a permanecerem na Escola onde trabalham- preparar aulas, elaborar e corrigir testes e outros materiais de apoio, frequentar ações de formação, seminários, realizar trabalhos de investigação, complementar a formação inicial… … faz-se fora do local habitual de trabalho. Mas NÃO SE ESTÁ DE FÉRIAS!!!
    Mesmo durante o período a que o comum dos cidadãos têm férias, para descansar, para se afastar do stress da atividade laboral, grande parte dos professores anda às voltas com Listas, com Concursos, com Colocações, com assuntos que determinam a sua vida familiar, a sua saúde e o seu bem estar.
    QUEM NÃO SABE, QUE SE CALE! É A ATITUDE MAIS APROPRIADA.

    • Fátima Brás permita-me acrescentar uma situação que lhe escapou – educar as criancinhas/alunos que chegam às escolas sem qualquer tipo de regras, rotinas, educação etc etc
      Nota: quero aqui deixar também o seguinte esclarecimento: Sou Encarregada de Educação, não sou Professora. Como sou formadora dos meus filhos a tempo inteiro, tenho bem a noção do que fala, uma vez que a minha vida passa por muito do que refere.

      • Bom dia!
        Por vezes, a realidade é essa: falta de regras, limites, respeito pelo espaço do outro. Mas, nem sempre. Há situações em que as crianças agem por estarem fartas do espaço escolar, por estarem de manhã à noite, durante horas infinitas(o tempo para uma criança não tem o mesmo valor do que para um adulto) a ouvir as mesmas vozes, a passar nos mesmos locais, a fazer as mesmas atividades. Já se imaginou se existissem “prisões para crianças”???
        Todos nós diríamos que não seria adequado, coitadinhas, as crianças precisam conviver com a Natureza, brincar com os animais, andar em espaços livres e abertos… São assim as escolas onde passam os dias?
        Refilam os pais que têm que deixar os filhos bem entregues, que o horário escolar forçosamente deve coincidir com o horário laboral.
        Quando os entregam e os “recolhem”, onde os vão buscar? A uma prisão.

  3. Não me referi aos horários dos professores. Simplesmente comentei aquela sua ideia que um jardim de infância pode funcionar 36 semanas por ano, sem qualquer impacto no quotidiano das famílias.

    E sou professor como a Fátima. Com os filhos num JI de uma IPSS, dos muitos impossibilitados de os ter no público. Aqui na minha zona só abrem às 9 da manhã, quando às 7:45 já estou na auto-estrada que me leva ao trabalho.

  4. Os horários das Escolas Públicas nunca se adaptaram aos meus horários, nem aos do meu marido. Trabalhámos em regime duplo e os nossos filhos frequentaram a escola em regime normal. Que fazer? Exigir que a Pré-Escolar e o 1.º Ciclo funcionassem em regime duplo também?? Claro que não. Nós, pais, somos os responsáveis pelos nossos filhos e temos que criar as condições para o seu acompanhamento. Pagar a uma ama, a ajuda da família, levá-los connosco para as escolas onde decorriam reuniões…
    O mundo gira e nós giramos nele. Não ao contrário.

    • Ótima solução, num pais em o salário médio é de 700 euros.

      Só faltou sugerir que as crianças de 5 anos fiquem na rua.

  5. só para responder aos Senhores Professores – Horário completo 22 horas semanais… Horário completo de trabalhador por conta de outrem 40 horas…. Poderão dizer, que o restante do tempo é para preparar as aulas… Pois o trabalhador por conta de outrem leva trabalho para casa para preparar o trabalho para o outro dia… Progressão na carreira e incremento de dias de férias para o funcionário público, pois para o trabalhador por conta de outrem, progressão quando existe uma vaga ou promoção do mesmo pela entidade empregadora e incremento de dias de férias, apenas os 3 dias de majoração que todos têm…. Greves e tolerâncias de ponto, pois, o trabalhador por conta de outrem ou trabalha ou então é empurrado para a porta de saída…. ADSE, pois para a maioria dos trabalhadores por conta de outrem SNS ou então paga para Seguro de Saúde…

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