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“Cada vez acredito mais que os professores não sabem ter autoridade.”

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Olá sou a Sara do Blog Profissão Mãe (não que ser Mãe seja uma profissão, mas é uma forma gira de abordar a maternidade dado que nela além de todo o amor, tem em si colada uma panóplia de “profissões”), tenho dois miúscos (sim tenho a mania de inventar palavras) com 8 e 10 anos!
E venho aqui tentar incendiar o blog ao Alexandre que me fez este simpático convite!

Para quem não sabe a Profissão Mãe teve uma breve passagem pela Revista Mulher Africana.

Fiz duas peças e depois sem mais nem menos a revista na versão papel foi, cancelada, passa a online…e nada é publicado!

Pior do que não sermos avisadas é fazermos entrevistas, criando expectativas em nós e nos outros.

Por isso em primeira mão e finalmente aqui está ela!

(Nota: a entrevista que se segue foi realizada em 2015)

 

bigA Minha Sala de Aula uma Trincheira

Livro: A minha Sala de aula é uma Trincheira, 10 mitos sobre os professores

Autora: Bárbara Wong

Editora: a esfera dos Livros

Este livro de Bárbara Wong  A minha Sala de aula é uma Trincheira, 10 mitos sobre os professores, é um livro que nos traz uma quantidade de ideias feitas  sobre esta classe tão atacada, os professores. Pretendendo contudo desmistificar através de várias histórias reais. Deixando em aberto um espaço de reflexão sobre o papel que cada um de nós deverá ter na Educação!

Segundo a autora Bárbara Wong  o livro nasceu num período em que os professores se sentiram muito atacados pela ministra Maria de Lurdes Rodrigues (PS). A medida mais importante desta governante foi a ”organização” da escola. E deu alguns exemplos, os professores têm horas lectivas e não lectivas. As lectivas são as que estão em sala de aula, as não lectivas são as que usam para preparar as aulas, corrigir trabalhos e testes. Ora, o facto de a ministra definir que essas também deveriam ser passadas na escola foi um escândalo. Porquê? Porque essas horas eram para os professores irem às compras, buscar os filhos, ir a consultas, passear, etc. Claro que muitos as utilizariam para trabalhar, mas nem todos o faziam. E hoje ouvimos os professores dizerem que trabalham mais do que antes porque têm de estar todas as horas, lectivas e não lectivas, na escola. Em resumo, as medidas não foram populares para os professores, mas a ministra teve sempre os pais do seu lado porque as medidas foram vistas como boas para os alunos e para a qualidade do ensino.

O livro nasceu dessa polémica “de termos uma classe profissional que se sentiu atacada por uma ministra, pelos pais e, por consequência, pela sociedade. Daí nasceu a ideia dos “mitos” porque há bons e maus professores.” Aliás, como em todas as profissões.

Como é “Ser Professor…” nos dias de hoje uma verdadeira aventura ou um tormento?

Há uns anos, havia quem fosse para professor porque queria ter uma vida sossegada. O ideal era ser professor do ensino público porque os do privado trabalhavam mais horas na escola. A carreira permitia uma progressão igual para todos, bastava trabalhar x anos e era garantido que se subia de escalão. A pouco e pouco, tudo foi mudando: tornou-se mais difícil entrar na carreira e progredir. Portanto, os professores estão desmotivados.

Mas não só: os alunos que chegam à escola também mudaram. Com a democratização do ensino, todos são obrigados a estar na escola, a fazer 12 anos de escolaridade (o que não é o mesmo de fazer o 12.º ano). Além disso, eles chegam com ferramentas que os professores não têm e isso também lhes causa alguma insegurança.

Os professores não querem ensinar, os alunos não querem aprender ou a matéria é chata e não é adequada aos dias de hoje?

É um pouco de tudo! Muitos professores estão desmotivados por variadíssimas razões (carreira, cortes nos salários, mau comportamento em sala de aula, programas a mudar constantemente); os alunos querem aprender mas não querem fazê-lo como fizeram os seus pais e os seus avós – as salas de aula continuam organizadas tal e qual como no século XIX. Os alunos querem aprender matérias mais práticas, querem aprender de uma maneira mais divertida, mas isso é difícil quando há tanta matéria para dar. Com a actual crise, os jovens sabem que é importante ter uma boa educação, no entanto, vêem os mais velhos desempregados ou em situações laborais precárias, pessoas com licenciaturas a ganhar o ordenado mínimo e isso fá-los reflectir na questão de se vale mesmo a pena aprender. O que aprender? Que curso escolher? À excepção dos cursos de saúde, todos os outros parecem formar para o desemprego. Portanto, numa sala de aula não é fácil ensinar alunos que não têm perspectivas de futuro, que são tão novos mas já estão desmotivados.

Concordas que os pais podem ser os culpados, pela forma como os filhos tratam os professores?

Os pais são culpados desde o dia em que falam mal de um professor em casa. Ou desde o dia em que corroboram a história que um filho lhes conta sem ouvir a escola. É bom que os pais tenham consciência de que são manipulados pelos filhos! Todos nós, por mais inteligentes que sejamos, deixamo-nos levar pelos nossos filhos que são os mais inteligentes, os mais bonitos e os melhores do mundo. Como tal, queremos acreditar em tudo o que nos dizem. Por exemplo, o filho chega a casa e diz que a professora ralhou com ele. O nosso comportamento não pode ser o de indignação e revolta para com a professora que ralhou com o nosso menino, mas questioná-lo: “porque ralhou contigo a professora? O que fizeste? Não acredito que a professora tenha ralhado sem razão?” Há pais, conto muitas histórias dessas no livro, que vão à escola tirar satisfações, agredir verbal e fisicamente o professor que fez alguma coisa ao seu filho.

Não estou com isto a dizer que os professores têm sempre razão. Mesmo quando não têm, os pais não devem desautorizá-lo em frente aos filhos. Os pais devem procurar resolver os problemas sem nunca por em causa o professor porque aí os filhos jamais respeitarão aquele docente. Um exemplo: um mau professor de Matemática. Os alunos queixam-se às famílias que o professor não ensina, não consegue concluir um problema no quadro, faz testes com erros. Os pais devem falar com o docente, com o director de turma, com o director da escola até o problema estar resolvido, até o professor ser afastado. Em paralelo, a única coisa que devem dizer aos filhos é que a escola está preocupada e está a resolver o problema, mas nunca devem falar mal do professor.

barbara wong

Os professores não têm autoridade ou os alunos têm autoridade a mais nas salas de aula?

Cada vez acredito mais que os professores não sabem ter autoridade. Por que há professores que os alunos respeitam na sala de aula e outros não? Por que sobre a mesma turma há um grupo de professores que se queixa do comportamento e outro grupo não? São os mesmos alunos, o que os faz respeitar um professor e não respeitar o outro? As crianças e os jovens detectam a léguas um professor que é justo, que é verdadeiro, que gosta daquilo que faz, que está disponível para ensinar, que se preocupa com eles. E esses professores são os que são respeitados.

Os outros que não vestem a camisola, que estão a fazer um frete, que acham que pelo simples facto de serem o único adulto em sala de aula isso lhes dá o direito de serem respeitados estão muito enganados. E o que recebem é o profundo desprezo dos mais novos.

Não é preciso regressarmos aos estrados e às palmatórias para ter autoridade. É preciso que o professor se dê ao respeito.

Mas claro que também há muito trabalho a fazer pelas famílias: os pais têm de ensinar os filhos a respeitarem toda a gente. O que mais me irrita são os pais que se demitem de ser pais, de serem educadores, à espera que sejam os educadores de infância e os professores a educarem. Em casa, é preciso ensinar os filhos a estar sentados à mesa durante toda uma refeição. Isto é meio caminho andado para que o filho saiba estar sentado na sala de aula durante 90 minutos. É preciso ensiná-los a obedecer, a não falar por cima dos outros, a estar sossegado. Se souberem fazer isso tudo em casa, saberão fazê-lo em sala de aula.

Qualquer um vai para professor…esta é uma profissão que é de risco ou está em risco?

“Qualquer um vai para professor” é um mito! Há três ou quatro décadas, qualquer um ia para professor. Era fácil entrar na carreira. Tinhas um curso de Sociologia, ias para professor de História ou de Economia. Tinhas um curso de Engenharia, ias para professor de Matemática. Tudo mudou. Há cursos para ser professor.

É uma profissão de risco quando temos uma sociedade que não respeita a educação. É uma profissão que está em risco porque não são os melhores que a escolhem, até porque não serão bem remunerados, nem terão uma carreira aliciante. Basta ver as notas de admissão ao ensino superior de quem quer ser médico e de quem quer ser professor. Não quer dizer que sejam os piores alunos que querem ser professores, mas são os que não estudaram para ter 18 valores de média final do secundário.

 

Os professores não querem saber dos alunos ou sentem-se apenas motivados quando estes têm boas notas?

A escola trabalha para a mediania. Ou seja, muitos professores não sabem trabalhar com os bons e excelentes alunos – há pais que se queixam de os seus filhos não estarem a desenvolver todas as suas capacidades; assim como há professores que não sabem trabalhar com os alunos que têm insucesso e os põem de parte. Mas há de tudo! Professores que se sentem motivados com as pequenas vitórias dos alunos mais fracos; outros que desafiam os que têm melhores resultados a voarem mais alto, etc.

A escola continua a pensar que o sucesso é dos que têm 20 nas Ciências Exactas porque para as Humanas nem sequer é preciso estudar, como me dizia há poucas semanas uma professora de Biologia. Errado. Eu acredito que todas as crianças e jovens são bons em alguma coisa: a pintar, a desenhar, a moldar, a jogar à bola, a fazer mortais, a tratar de animais, a cuidar das plantas e é isso que os pais e os professores têm de descobrir e têm de potenciar. Por isso é importante que os meninos façam mais coisas do que ir apenas à escola. É bom que vão para os escuteiros, para a natação, para o judo. Tudo isso os ajuda a ter auto-estima, a pensar: “posso não ser muito bom a matemática, mas ninguém monta uma mesa de campo como eu” ou “posso não ser as figuras de estilo mas não há nenhum nadador mais rápido do que eu!”

 

Depois do livro A minha sala de aula é uma trincheira, colocarias outros mitos? Quais?

Penso que os mitos ainda não mudaram muito, desde que o livro foi escrito!

A educação vai para melhor ou para pior…os partidos brincam com a educação e fazem dos pais e filhos joguetes, tipo “ratinhos de laboratório”?

A educação nunca vai melhorar enquanto cada ministro que chega querer deixar a sua marca ideológica. Por exemplo, uma das primeiras medidas de Crato foi retirar importância à Educação Física no secundário. A nota desta disciplina deixou de contar para a média do aluno, a não ser que este queira. Com esta medida, Crato revelou parte do seu pensamento sobre educação – que as Ciências Exactas são mais importantes. Ou seja, todos os alunos de 18 e 20 a Matemática que não sabem fazer um pino não serão prejudicados na sua média com uma disciplina que é importantíssima para a nossa saúde física e mental – mente sã em corpo são, diziam os romanos –, mas que como eles não sabem fazer, logo, não é importante. Com esta medida, o ministro revela os seus preconceitos, que os alunos com uma inteligência física são inferiores aos outros. Nas minhas conferências dou sempre o exemplo do Cristiano Ronaldo ou do Michael Phelps: alguém tem dúvidas que eles são inteligentes? E contudo foram péssimos alunos.

A importância que Crato deu à Matemática tem como consequência termos 30% de alunos que não terminam o secundário por causa desta disciplina. Passam a todas, menos a esta. Ficam presos um ano por causa de Matemática. Temos crianças no 3.º ano a dar equações quando os psicólogos dizem que as crianças não têm maturidade, nessa idade, para ideias tao complexas.

Se cada ministro que chega, muda tudo não porque traga estudos e avaliações sobre o que foi feito, mas porque tem uma agenda ideológica sobre o que é a educação, então esta nunca poderá melhorar. Devemos mudar programas e currículos depois de os actuais serem avaliados, depois de se olhar com seriedade para os numeros.

O que podia mudar na escola, na educação e na visão dos professores?

O que podia mudar: a forma como muitos professores olham para a sua profissão. Se se vissem como verdadeiros servidores públicos, se compreendessem realmente como é importante o seu papel no ensino, tudo seria diferente. Teríamos alunos melhores, mais bem preparados, melhores cidadãos. Mais uma vez, reforço que não está tudo nas mãos dos professores, também está nos pais que não dão importância à escola ou então que esperam que esta faça tudo por eles. Também está na sociedade e nos políticos que não valorizam devidamente o ensino e a educação.

Espero que tenham gostado da leitura e que absorvam algumas ideias e sugestões dadas pela autora.

Até Breve

Sara Patrão, a Mãe
Blog Profissão Mãe

26 COMMENTS

  1. Concordo que é possível sobreviver por um tempo largo a partir do 2 ciclo se a autoridade falhar numa ou duas turmas. Já no 1* ciclo tenho dúvidas que um professor sem autoridade sobre a turma resista um simples período.

  2. Aprecio imenso o trabalho desenvolvido do “Com Regras” mas, aos 58 anos, 34 de serviço público deixar passar o discurso da “mãe” encheu-me as medidas. Tenho o prazer de dar aulas, tenho turmas em que a autoridade existe e ainda me são atribuídas direcções de turma e turmas de Português. Faço o que gosto e em 30 anos sei que sou responsável pela formação da “mãe” e não há palavras para expressar o meu espanto. Reduziu uma profissão a meia dúzia de chavões. Revolta e, lamento dizer, desprezo: deixei de ter paciência para esses discursos de blogs e de profissão mãe. Populismo fácil, comum aos presidentes de afectos. Não é para isso que sou professora… Sou professora para ver o sorriso do filho do blog quando aprende e supera uma tarefa ( bem, mal ou assim-assim) e sorri para mim. Sorri para mim…

    • Fico satisfeito com a sua inquietação Maria. Ao ler o artigo sabia que este iria causar incómodo, o incómodo é sinal de uma prática diferente daquela que está descrita no texto. Eu também não concordei com algumas afirmações. Mas somos muitos professores e infelizmente nem todos estão à altura da exigência e é preciso dizê-lo com frontalidade e assumir que não somos perfeitos.
      Continue a inquietar-se Maria, saber que continua a fazê-lo aos 58 anos e 34 anos de serviço é algo que deve ser louvado.

    • Professora Maria Teixeira a entrevista foi feita com base no contexto deste livro. E as perguntas que faço vão nessa direção. O titulo é polémico e o tema também! Mas não fui eu que escrevi o livro!!!
      E sim a ideia é mexer com as pessoas e não tive nenhuma intenção de denegrir a classe dos professores.
      Acrescento que o meu Blog não é um blog cor de rosa ou de folhos, de mimimis…muito menos populista é de uma mãe real que fala abertamente sobre tudo e questiona tudo e todos.
      Eu tive muita sorte com os professores que tive 🙂 (tenho-os quase a todos no meu facebook, da secundária e da faculdade) o meu filho felizmente também está a ter…mas conheço outros casos menos felizes de professores, mas também de alunos e pais!
      Por isso um bjinho na professora Maria, sorria sim e faça sorrir 🙂

      • Sei (e basta ter conhecimentos básicos de língua portuguesa ) que o livro não foi escrito por si. Consultei e apreciei o seu blog. Não gostei, não é o retrato da maior parte das mães deste país. É o retrato de umas poucas, apoiadas por uma família e que, não falta nada, estarão a ler a versão século XXI da Hola. Lamento mas os sorrisos dos seus filhos, o seu dress code souberam-me a burguesia. Não lhe respondo como professora mas sim como mulher. E como mulher não gosto de ver a minha geração ser seguida por uma que tem uma lista de música sem um clássico (entre a sua lista e a lista das mães Tony Carreira venha o diabo e escolha); os posts motivacionais de quem tem tempo para os procurar e lista de conselhos (crafts and so on) que nem a minha mãe com 80 anos tem paciência ou mos impingiu. Lamento mas detesto ver palavras que não são português: que vai dizer à professora do seu filho quando ele escrever a palavra “miúscos”, com todo o direito e ela o corrigir? Vai dizer que gosta de inventar palavras? E quando escrever bjinho? E quando encher o texto de smiles?
        Desculpe, o tom azedo, as penso que devia fazer um pouco de introspecção e ver o seu rumo de vida. E, por último, apreciei o seu post sobre a Fundação Rui Osório de Castro e pergunto-me se além do post fez qualquer coisa como dar aulas no IPO durante 15 anos como eu dei; se apoiou pais em luto, pela morte de um filho como continuo a fazer em voluntariado? Realmente, entre ser mulher, ser professora, ser voluntária não tenho tempo para blogs e sou feliz!

        • Cara Maria Teixeira,
          É de louvar a sua opinião, mesmo quando esta é contrária à de tantos.
          É muito fácil dar opiniões quando não se conhecem as pessoas, excepto como diz no seu comentário, só por fotografias e por blogs.
          Sendo professora, voluntária e tudo o resto, que não lhe permite ter tempo para ler blogs, não lhe dá o direito de mal tratar as pessoas só pela embalagem exterior. Duvido que o faça com os seus alunos!
          A Sara é uma mulher extraordinária em que as roupas que veste a representam na totalidade. A música que ouve pode não ter um clássico, como a Maria o refere, mas garantidamente não lhe dá o direito de lhe chamar burguesa.
          Sendo professora e devendo ensinar a igualdade e respeito pelo ser humano, o que acabei de ler da sua parte é inconveniente.
          Sendo professora já deve ter ouvido a frase: não julguemos o livro pela sua capa! Por favor peço-lhe que não o faça nem com a Sara nem com qualquer outra pessoa que encontre pela sua frente!
          Quanto ao inventar palavras… Bom, só demonstra imaginação. É uma forma diferente de enfrentar este mundo tão cinzento, que infelizmente, alguns professores (espero que não seja o seu caso) o tornam!
          Quanto aos erros, todos nós os cometemos; se ler o seu comentário também os vai encontrar e garanto-lhe que a Sara não os vai levar a mal. Sabe porquê? Errar é humano e a Maria é humana!

        • Boa tarde, Professora Maria Teixeira, penso que o assunto aqui discutido não é o Blog Profissão Mãe. Atacar o blog e a autora do blog não são relevantes para este assunto. Não gostou do blog, está no seu direito, mas atacar a autora desta forma, sem a conhecer, somente porque passou os olhos pelo blog e fez julgamentos de primeira impressão, acho de muito mau tom. E se fôr ver a quantidade de seguidores do blog, secalhar até há mais mães que se idenrifiquem com ele.

      • Maria Teixeira, depois de ler o resto dos posts deixei de concordar consigo. Afinal não foi um comentário motivado pelo texto mas por algum “azedume” exterior à profissão (desculpe a palavra mas não me lembrei de outra).

  3. Li e absorvi cada palavra do artigo!!! São afirmações que nenhum professor gosta de ouvir, mas a verdade tem de ser dita!!!!! Existem bons professores e péssimos professores, como em todas as profissões.

  4. Já vi que uma das atividades da autora, para além de ser mãe, é escrever num blogue. Não vou querer saber como ocupa as outras horas vagas que lhe dá a escola a tempo inteiro. Realmente é importante ter uma atiividade de cidadania, e escrever em blogues é tão nobre como participar em reuniões de uma Assembleia de freguesia ou uma associação desportiva ou cultural, mas podia ter aproveitado essa competência de internauta para acompanhar o que se passou realmente nos anos da ministra Maria de Lurdes Rodrigues e para saber quais as razões do descontentamento dos professores. Aconselho o Livro de Paulo Guinote, saído este ano, intitulado “08/03/08 Memórias da Grande Marcha dos Professores”, editado por Oficina do Livro (Grupo Leya). Lá encontrará , algo mais do que os pertinentes testemunhos de muitos professores de todo o país (muitos dos quais, não sindicalizados, que nunca tinham ido a uma manifestação ) . Aquelas 100 mil professores e professoras não vieram à rua para reivindicar horas livres para ir às compras ou passear!!! Acrescento eu e realço que a maioria dos presentes nessa marcha sempre tiveram autoridade e competência despudoradamente atacada por uma ministra que nunca foi avaliada profissionalmente (a não ser nesse dia 8 de março de 2008, em que o seu desempenho enquanto ministra foi avaliado por 100 mil). Encontrará nesse livro ainda uma cronologia das medidas tomadas desde 2005 pelo Ministério da Educação de ML Rodrigues e J. Sócrates e ficará com uma ideia de quais as verdadeiras razões de uma classe inteira se ter sentido atingida na sua dignidade profissional bem como encontrar a referência dos documentos do governo que, se forem consultados no DR , por exemplo o Decreto-Lei 15 /2007 de 19 de Janeiro (Estatuto da carreira docente), o decreto regulamentar 2/2008 de 22 de Maio (avaliação do desempenho ) e o surrealista concurso para professores titulares (decreto-lei 200/2007) eventualmente atestarão sem margens para dúvidas tanto nos preâmbulo como nos articulados a completa e grosseira incompetência da equipa do Ministério da Educação do primeiro governo Sócrates. Acrescento ainda que acho que não é verdade que a maioria dos pais estivessem do lado da ministra sobretudo depois dessa grande marcha dos professores.

    • Maria do Carmo Gomes da Silva obrigada pelo seu comentário, no tempo livre que me resta trabalho em vários empregos…não escrever a data da entrevista foi realmente um erro grave do meu ponto de vista.
      Eu tentei focar-me apenas no livro para escrever o que escrevi, nada mais que isso, se podia ter aproveitado todo um contexto cronológico e político de luta dos professores podia, mas não o fiz.

      Como Aluna da minha parte nunca tive razão de queixa dos professores que tive 🙂 e a escola até era bem mais feliz no meu tempo! Obviamente tive bons e maus professores ( na minha perspectiva atenção), mas também fui boa aluna e depois menos boa.

      Como Mãe com filhos a estudarem, está muito complicado para os professores é difícil competir com as novas tecnologias, captar a atenção…o modelo em que os governos continuam a insistir é obsoleto e quem acaba por sofrer isto são pais, professores e os alunos!
      Poderei ter meia dúzia de questões pertinentes sobre a vida escolar dos meus filhos, mas para já no geral estou satisfeita…mas conheço muitos que não estão!

  5. Bom dia,
    Sou seguidora do vosso Blog, que acho muito interessante, mas tenho um reparo a fazer: diversas vezes me deparo com erros ortográficos graves nos artigos que são publicados. Neste, por exemplo, surge “trás” (preposição), em vez de “traz”, do verbo trazer.

    Sugiro que se faça uma revisão linguística antes da publicação dos artigos!

  6. Já li o esclarecimento de Sara a Maria Teixeira. Se não concorda com o conteúdo do livro por que razão o coloca como introdução à entrevista? Culpa do(a) entrevistador(a)? É importante demarcar-se pois os seus comentários sobretudo o último parágrafo , para além de paternalista , pressupõe que os professores não fazem isso que diz, o que é de uma profunda injustiça ou desconhecimento do que se passa realmente hoje nas escolas. Quanto à autoridade não vou falar de professores-problema, eles são em número muito pequeno, mesmo muito pequeno e as escolas têm a obrigação de resolver esses casos porque os conhecem há muitos anos. Vou referir-me à generalidade dos professores. A autoridade é inversamente proporcional à saúde do profissional.. Saúde física e mental. Vou referir-me aos professores que sempre tiveram autoridade nas suas aulas ao longo de muitos anos, alguns durante uma carreira quase inteira. Um conjunto de circunstâncias externas que descrevi no comentário anterior e que posso apelidar de “assédio moral” ou “mobbing” fomentado pelo ministério de ML Rodrigues conduziram muitos desses a depressões, muitas não diagnosticadas mas que se refletiram mais tarde ou mais cedo na sala de aula e conduziram muitos deles a reformas antecipadas com penalização. Se eram excelentes? Não sei ,mas eram bons profssionais, disso sei um pouco mais do que os encarregados de Educação cuja fonte de informação é o educando. Eram professores com provas dadas em muitas salas de aula do país inteiro. Não terão tido aulas assistidas por si que sabe quem são os bons e os maus, mas foram assistidas por muitos alunos que se tornaram entretanto também adultos. Não lhe posso dizer como deve ser mãe , por que não tenho filhos, mesmo se tivesse não saberia dizer-lhe. Cada miúdo é único. Os professores têm , atualmente, 30 alunos nas turmas, têm várias turmas e têm de ensinar línguas, Matemática e todas as outras disciplinas …Pode-se imaginar o apoio que podem dar a cada um nestas circunstâncias. Haverá neste momento professores que possam acompanhar cada caso? Mesmo que ocupem todo o fim de semana a trabalhar e não durmam mais do que 6h por dia? Não há e sabe o que acho? Fins de semana? Feriados? A maioria dos professores gosta deles pois podem pôr em dia algum trabalho que se acumula, com a burocracia inútil, as reuniões inúteis a que os obrigam , as horas em ambientes ruidosos onde é suposto que se concentrem para o trabalho. Os professores não têm gabinetes, secretárias só para eles, computadores só para eles. Computadores compram-nos do seu salário. Tinteiros para as suas próprias impressoras são gastos ou eram gastos para trabalho da escola e habitualmente saíam do bolso dos professores, nunca reembolsados. Alguns entretanto disseram basta. E trabalham das 9h às 17h nos dias de semana e desligam ao fim de semana. Poucos. Mas é uma forma de sobreviver mantendo alguma dignidade. O que se pretende dos professores não é serviço público é escravatura. E eles resistem. Resista também se os seus filhos quiserem fazer de si escrava (salvo seja, espero que não) mas há casos assim , como sabemos muito bem pelos programas televisivos. Haverá também já estudos sobre o fenómeno.

    • Maria do Carmo Gomes da Silva tenho amigos professores também, aliás esta entrevista tem uma sequência, depois dela vinha a entrevista a uma professora do 1º ciclo e das suas dificuldades, das sua alegrias e tristezas! Dos problemas nas escolas, no ministério e com os pais!
      E como já respondi acima, foquei-me apenas neste livro polémico com questões polémicas. Se lerem o livro entendem perfeitamente o que estou a dizer.

      Existe um problema de “surdez” entre ministério, pais, alunos e professores. e nem sempre as associações de pais representam o que quer que seja, bem como os sindicatos de professores. Por isso está como está.
      Ninguém tem grande voto na matéria e andamos ao sabor dos ventos.
      Foi um ataque aos professores é o que vêm nesta entrevista e foi, mas não foi meu…só fiz a entrevista entende não escrevi o livro!
      Na altura que o livro saiu aconteceu o mesmo a quem entrevistou a autora!

      Eu entendo toda a luta dos professores,aliás se existe coisa que eu faço é conseguir ter a capacidade de ver os dois lados, e nem sempre as pessoas fazem isso, as pessoas no geral só sabem julgar (como fez ali a Maria Teixeira opinando pessoalmente sobre mim e claro no seu total direito pq vivemos felizmente em democracia), por isso fiz 3 entrevistas que fazem parte desta e que a seu tempo vão sair (autora do livro, uma professora e uma mãe).

      Tenha um bom fim de semana 🙂

  7. Sara, parece que houve, de facto, algum mal entendido, ou precipitação da minha parte em concluir que subscreveria o que se diz no resumo do livro, mas continuo a achar que aquele resumo como introdução à sua entrevista mereceria , da sua parte, um esclarecimento mais detalhado logo no início da entrevista ou mesmo antes (acrescentando outros dados que não estavam na entrevista original, nada a impedia disso) para se demarcar do que é dito no resumo daquela obra. Não posso retirar o que disse no que respeita ao último parágrafo antes da frase de despedida que encerra a entrevista, nem posso subscrever o que diz sobre “os professores que têm autoridade “e os que não têm autoridade” ou “não ´sabem ter autoridade” que é , aliás o título da entrevista. O tom da entrevista é paternalista , ou seja pode mesmo provocar reações de rejeição imediata e explicará o azedume de alguns colegas. Aconselho de novo o leitura do livro de P. Guinote que indiquei. Quanto mais esclarecida ficar sobre o que se passou há 11 anos (de 2005 até ao final do ano letivo de 2008) mais facilmente perceberá os professores, algumas hipersensibilidades (como a minha) e o que se passa hoje nas escolas portuguesas.

  8. O que eu gosto mais de ler é que, segundo consta, a escola está obsoleta… Parece que a questão entre estar , ou não, obsoleta é o uso de ferramentas… A Europa burguesa não vive no mundo real! Estar obsoleto, para mim, é criar uma geração de analfabetos em relação à História, às grandes questões da Humanidade; ao grande pensamento clássico; ao Drama Humano… Vive a Senhorial Europa num mundo hedonista (até me agrada no sentido clássico da coisa…) onde as crianças devem ter prazer em tudo e , se não o têm, é porque a escola está ”velha”! Ora o conhecimento tem de ser ”bué de fixe” com muito Projeto (seja lá o que isso seja…), e os professores uma espécie de catalisador de grandes ”descobrimentos” ”pela pesquisa” e ”pela descoberta”… Ora nesta vida não há nada de graça; e existência dos Homens não é muito dada à perenidade… e no final até se morre! O saber é um caminho de pedras!
    Com a atual conjuntura internacional, e as coisas a continuarem neste caminho, a realidade vai esmagar-nos não tardará muito… Infelizmente!

  9. Sara profissão~- Mãe

    Ui! Que título mais demagógico….
    Ser bom professor é mto difícil; não se consegue todos os dias.É mais fácil ser um bom Instrutor.Isso sim,consegue-se com mais frequência.!
    Os instrutores/professores actualmente teriam que ser reconvertidos em professores/instrutores com reconhecimento na prática pedagógica de uma educação humanística,verdadeiramente interdisciplinar e critica.Todos os programas deveriam ser revistos e repensados.A Escola é,sem dúvida, um dos responsáveis pela pobreza imaginativa das últimas gerações já não falando do estado de ignorância actual.

  10. E se a resolução do problema estiver na forma como vemos o conhecimento adquirido na escola? E se primeiramente aprendermos a valorizar o conhecimento como fim em si mesmo e não apenas como meio para alcançar fins? E se todos, pais, alunos, professores, e outros agentes de socialização, porventura, menos evidentes, concordarem que é pelo conhecimento que nos tornamos no que somos?

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