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Caça Às Bruxas

Não me admira a caça "às bruxas" que se faz hoje aos professores, à educação, à escola, como se fez sempre desde os primórdios da humanidade, a todos os que podiam fazer nascer pensamentos, novas ideias, capacidade crítica. Senão, façam uma incursão a outros tempos...

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Hoje não há tempo para grandes pensamentos, é um tempo perigoso. Muitos acessórios estão diariamente em primeiro lugar e em detrimento do que é importante, do que faz realmente a diferença no desenvolvimento. Fomenta-se uma passividade que nos vai fazer morrer na praia.

Não sou nada passiva e, como crítica ouço várias vezes “não deves ter o coração tão perto da boca”. Será defeito ou feitio, mas depois de já ter vivido mais do que o tempo que viverei, tenho a certeza que a passividade é o caminho para a escuridão de pensamento.

A idiotização da sociedade, através da satisfação imediata do presente é necessária para que cada indivíduo suporte, sem questionar, todas as enormidades e aleivosias dos poderes instalados.

Desta imbecilidade e ignorância a que nos deixamos sucumbir, nascem despudoradamente os maiores vigaristas, os maiores corruptos de toda a escória da humanidade.

Não me admira a caça “às bruxas” que se faz hoje aos professores, à educação, à escola, como se fez sempre desde os primórdios da humanidade, a todos os que podiam fazer nascer pensamentos, novas ideias, capacidade crítica. Senão, façam uma incursão a outros tempos…

Nunca serei passiva e continuarei a plantar sem nunca cair na dormência de sobreviver.
Ainda não sei se resistirei a mais um ano que se adivinha conturbado. Ainda não sei se tentarão de novo calar as minhas palavras. Ainda não sei que consequências terão as minhas opiniões que tantas vezes contrariam as vozes que mandam. Ainda não sei que armadilhas me vão preparar para apagar o meu pensamento. Ainda não sei as amizades que perderei por nunca me afastar dos princípios maiores. Ainda não sei quantas as insanas contradições que se preparam nos bastidores sórdidos. Ainda não sei das desconcertantes conclusões sem análise ou reflexão.

Mas sei com toda a certeza que, num tempo onde  a hora é dos imbecis, a coragem tem de ser o apelido dos que pensam e recuso terminantemente a passividade como companheira. Eu ainda acredito que “não há machado que corte a raiz ao pensamento”. Vou continuar a remar pois em algum momento a maré vai deixar de estar contra.

Maria do Rosário
Professora do 2º Ciclo do Ensino Básico

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1 COMENTÁRIO

  1. Excelente.
    Sinto exatamente isso que escreveu e revejo-me nessa mesma situação, pois passividade e inércia não são para mim!

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