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Cá vamos nós

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MariaJá quase no final do mês de recomeços, setembro, as agendas começam a ser preenchidas e as energias direcionadas para as primeiras aulas de início de ano letivo.

Por aqui já muito se abordou este inicio, mas para primeiro texto deste mês não podia deixar de (re)abordar este (re)começo.

Depois das listas publicadas deu-se início ao ritual habitual de muitos professores: fazer malas, alugar quartos, abanar por uns tempos a estrutura familiar e readaptar dinâmicas. No seio deste ritual iniciaram-se também as comuns e, em inúmeros casos, legítimas reclamações e queixas sobre todo o processo. No panorama dos Ministérios mais atacados e vaiados o Ministério da Educação aparece no pódio. A boa notícia é que mesmo com o conhecimento tardio das listas de colocação, a extinção da Bolsa de Contratação de escolas permitiu a colocação de mais professores logo no início do ano letivo.

Tal como já referi no meu blog, fui, inicialmente, favorável à existência da Bolsa de Contratação de Escola porque entendia ser uma forma de promover mais autonomia nas escolas e a possibilidade de lançar um perfil necessário tendo em conta as especificidades de cada espaço educativo. A verdade é que esta plataforma acabou por apresentar erros; ser pouco célere e duplicar colocações nos professores em várias escolas simultaneamente, adiando o início de um ano escolar a tempo e horas. Desta forma a sua extinção, tal como estava concebida, acabou por se tornar menos uma barreira a um início de ano com menos sobressaltos.

Um mundo ainda nublado, com lembranças ainda fortes sobre um passado recente dificulta-nos o olhar em frente com optimismo. Estudos sobre as reformas tardias; sondagens que revelam que um em cada três professores deixaria de dar aulas e tabelas que indicam a profissão de professor como as menos respeitadas insistem em atirar-nos para o tapete. Cada ano deve ser entendido como um renascer, mas cada ano traz uma bagagem de experiências nem sempre positivas e expetativas defraudadas. Mas fora as reclamações, todos os anos conhecidas (as velhas e as novas reclamações) espera-nos sempre o desafio principal (sendo este sempre o desafio principal no meu entender): adaptarmo-nos a uma nova realidade, em muitos casos mesma realidade, deitar os lamentos para trás das costas e arregaçar mangas. E todos os professores sabem o quanto em muitos casos isto pode ser tão difícil. Mas mesmo não concordando com todas as políticas existentes e todos os processos há algo fundamental que tem de ser superior: o nosso papel inigualável de preencher vidas, criar sementes e fazê-las crescer. De abraçar os nossos objetivos e encontrar um equilíbrio saudável entre os nossos limites e os dos outros. E isto dá muito trabalho, um trabalho que nem sempre é reconhecido mas que em nenhum momento pode ser esquecido.

Maria Joana Almeida

Professora de Educação Especial e autora do blog Pedimos gomas como resgate

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