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Burocracia | Se disser “sim” vale zero, mas se escrever “sim” já vale tudo

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Ao ler este texto enviado por uma professora à direção do seu agrupamento, fico sempre com a sensação que somos vítimas de nós próprios. Se a burocracia é algo que irá sempre existir, a burocracia inútil criada por quem não tem capacidade de síntese é um verdadeiro atentado ao desejo de continuar a ser professor.
É fácil, é gratuito e podia tudo ser mais simples, bastava apenas querer e não ter medo da própria sombra.
Do pequeno texto que se segue quero realçar esta frase que para mim representa a 100% a escola atual.
Existem tantas equipas de trabalho nas escolas que se calhar faria sentido, criar uma que tivesse como principal objetivo reduzir drasticamente os papéis.
Estamos numa era em que a expressão oral deixou de ser valorizada e tida como um comprometimento e passámos a ser escravos da expressão escrita…”
Estou a escrever esta mensagem quase sem forças (corpo a tremer, coração em arritmia, cabeça “oca” e a doer…) porque me sinto muito descontente, revoltada, esgotada, triste,… no final de um 1.º período de árduo trabalho (reforçado pela pandemia), que terminou com uma maratona de reuniões e de preenchimento de “papéis” (que ainda não terminou) e já nem consigo descansar…
Estou a fazê-lo por mim e pelos meus colegas que vejo e sinto esgotados como eu. Com este volume de trabalho alguns já atingiram o limite e outros (como eu) estão prestes a atingi-lo.
Sinto que deixei de ter direitos básicos como dormir, estar com a família,… e isto está a colocar em causa a minha saúde física e psíquica, assim como o bem estar da minha família. Sinto-me negligente por ter de “abandonar” a minha filha e o meu marido (também ele descontente e revoltado com este excesso de trabalho que excede em muito o meu horário e não é remunerado).
Por conta de todo o trabalho burocrático que envolve a consulta, o preenchimento e envio de documentos e mais documentos, de grelhas e mais grelhas, que implica, muitas vezes, a duplicação, em diversos locais e plataformas, vejo-me sem tempo e sem paciência para preparar aulas mais interessantes, apelativas e motivadoras para os meus alunos, nem para lhe dar a atenção e carinho de que precisam… Estamos numa era em que a expressão oral deixou de ser valorizada e tida como um comprometimento e passámos a ser escravos da expressão escrita…
Ensinaram-me a ser cumpridora e a esforçar-me por não falhar e é isso que tento fazer, mas, cada vez mais, sinto que não é possível continuar a fazê-lo…
O meu objetivo é alertar para a necessidade urgente de se reverem processos e procedimentos com vista à simplificação desta dura tarefa de ser professor/diretor de turma.
Não estou aqui para me “queixar”, nem apontar o dedo a ninguém, sei que todos estamos a dar o nosso melhor, mas talvez de uma forma que não é a melhor…
Estou disponível para apontar soluções e contribuir para melhorar a qualidade da vida escolar.
Desejo a todos um santo e feliz natal
Fonte: Faceprof

2 COMMENTS

  1. Concordo plenamente.
    O melhor da escola são as aulas, tudo o resto uma esgotante inutilidade.
    A greve ao sobretrabalho foi uma das medidas mais sensatas dos sindicatod, ainda que algumas direções, que não contemplaram nos horários tempos para reuniões, se achem no direito de descontar no salário as faltas dadas. Vamos ver como tudo isto acaba.
    O ME precisa, urgentemente, de clarificar os horários, para pôr fim à arbitrariedade. Que se desenganem os que pensam que ganham em aprisionar os professores na escola, só terão a presença física porque o cansaço mata a criatividade e a disponibilidade! Alguém tem dúvidas?

  2. Talvez tu, professora, tenhas sorte, sejas ouvida e suscites uma reflexão.
    Provavelmente, se tiveres à tua volta, gente daquela que existe por aí, sem brio e amedrontada, da que “não quer chatices” e que obedece porque “quem manda é que sabe,” vais ter um deserto a atravessar- difamação, gozo, atribuição de turmas difíceis e tarefas irrealizáveis a qualquer ser normal, afastamento de todos os colegas, mesmo dos que julgavas teus amigos(principalmente esses), represálias de todos os tipos.
    Talvez consigas chegar a meio do deserto ou te desidrates antes. Talvez atravesses e resistas anos até quase te destruirem.
    Mas, a tua luta, se ninguém se juntar a ti, será inglória. E alguém se juntará, de entre estes cobardes que não têm coragem de assumir que o que se pratica não beneficia os alunos e que é para os alunos que trabalham e não para lamber as botas às direções??

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