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Bullying Logo No 1º Ciclo: Como Explicá-lo E Como Lidar Com Ele

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Numa altura em que, pelos vistos, dizem ter baixado para metade, em cinco anos, os casos reportados de Bullying, pode ler aqui, estes projetos são importantes.

Verdadeiramente, gostava de acreditar nos dados da OCDE, acreditar que são verdadeiros, mas estou muito cético que assim seja, cheira-me muito mais a um varrer para baixo da mesa todos os casos de bullying…e mais não digo…

Acredito que este tipo de projeto pode ser a solução!

Alberto Veronesi


Antes de mais, imagine uma vaquinha simpática a ilustrar algumas das regras MU (ou muuuuuuuito importantes), de utilidade geral em qualquer discussão: “Todos têm a sua vez”; “Escutar os outros com atenção”; “Não vale deitar ninguém abaixo”. Os alunos da Escola Básica Teixeira de Pascoais, em Lisboa, sabem-nas de cor, desde que, no início do ano letivo, começaram os debates sobre “gestão de emoções”, ou atitudes antibullying, nas atividades de enriquecimento curricular.

A primeira surpresa chega no cenário que encontramos, nada convidativo para iniciativas que ultrapassem o mínimo denominador comum – assegurar que os cerca de 280 alunos, do 1º ano ao 4º ano, tenham aulas. O edifício da escola é alvo de obras de reabilitação, que se arrastam há três anos, o que faz com que mais de 50% das salas de aula se situem em contentores e que o espaço de recreio esteja reduzido a 25% do que seria normal. A exígua área deixada pelas obras conduz a uma proximidade em que “os alunos chocam mais vezes e em que, num ápice, uma brincadeira acaba num pontapé”, diz o empresário Rui Coelho da Silva, presidente da associação de pais. No recreio, as situações de violência, física e verbal, têm aumentado. Mas, salvaguarda, “não nos encontramos em estado de sítio”. E foi numa “lógica preventiva” que a dinâmica Associação de Pais da Teixeira de Pascoais contratou duas psicólogas do projeto Escolas de Empatia, da ONG Par – Respostas Sociais, à semelhança do que fez com aulas de artes plásticas, de expressão dramática ou da horta pedagógica, para as quais recrutou professores externos, que paga com fundos próprios e financiamentos públicos.

Em abril, pais e estudantes já puderam ver uma peça de teatro sem tabus, representada por alunos dos 3º e 4º anos. Perdidos nas Emoções, assim se chamou, abordou temas como o medo, a alegria, a raiva, o nojo, a vergonha e a tristeza. “Temos de aceitar as nossas emoções e as dos outros, sentindo-as e gerindo-as”, diz Andreia Nogueira, 27 anos, uma das psicólogas da Par, sobre a mensagem que a representação daquela peça quis transmitir. Através de técnicas de educação não formal, é isto mesmo que a aprendizagem da “empatia” procura alcançar, no combate ao bullying: a capacidade de identificação com o outro, e até de se colocar no seu lugar, sem abdicar da argumentação de ideias próprias e das razões que as fundamentam.

Andreia Nogueira e Filipa Castro, 28 anos, as psicólogas da Par, usam imagens para lançar o debate – o aluno assertivo é a “pessoa-Sol” e o agressor, a “tempestade”. Mas na aula de “gestão de emoções” a que a VISÃO assistiu, com alunos de 6 e 7 anos, as crianças optaram por expressões diferentes. Eram apenas sete alunos, quatro meninos e três meninas. Nada que infrinja as regras MU, as quais também dizem que “todos têm o direito de passar” – ou seja, a participação forçada está excluída.

“O AMOR AMOROSO”
Com aquelas crianças, as psicólogas não precisaram de verbalizar as imagens da “pessoa-Sol” ou do “aluno-tempestade”. A plateia antecipou-se nas definições e na argumentação.

Quando Filipa Castro colou na parede o desenho de um boneco com uma boca descomunal aberta, dentes ameaçadores e mãos enormes, houve consenso: era o “mauzão refilão”. O boneco seguinte apresentava-se de olhos fechados, de rosto lavado em lágrimas e com uma camisola na qual se destacava um alvo com uma flecha cravada no centro. Ouviu-se um “coitadinho”. Alguém, em nome do rigor, notou que a flecha devia estar mais acima, no lugar do coração, em vez de se encontrar ao nível da barriga. E uma terceira voz disse que se dois colegas discutem, “é tipo um minuto de bullying”. As psicólogas pediram mais opiniões. Guilherme adiantou que era antes “fofinho”. Miguel lançaria a definição por todos aceite: era o “sofredor de bullying fofinho”.

Depois apareceu um boneco de olhos em forma de coração, com boca de quem está a falar e, na camisola, a imagem de um aperto de mãos. O silêncio seria rompido por Sofia, até ali calada, mas muito atenta. Era a figura das “pazes”. Isso mesmo, concordou Eduardo: “Está a mostrar ao ‘mauzão refilão’ que têm de fazer as pazes para brincarem os dois.”

Rita serviu-se das psicólogas para exemplificar: “Eu e a Andreia estamos a discutir e a Filipa resolve o problema. É a medalha-Sol.” Desconcertante, Miguel dirá a seguir que o boneco está “apaixonado por uma pessoa chamada Filipa, que inventei agora”. Foi a forma que encontrou para o designar como “o amoroso apaixonado”. Rita achava que todas as figuras deviam “ter dois nomes” e, pegando na ideia do colega, apelidou o boneco das “pazes” de “amor amoroso”. E explicou-se melhor: “Quer tornar todas as pessoas amadas.”

E assim terminou a sessão, a meio da qual a psicóloga Andreia Nogueira alertou a plateia para mal-entendidos. “Por vezes, o que vejo como uma brincadeira pode não o ser”, notou. Também se magoa, por outro lado, “quando não se brinca com um menino”. Quase só falando para os seus botões, um rapaz comentou: “E sem me explicar porquê.”

Até junho, as psicólogas da Par, em busca de “empatia”, vão dirigir aulas semanais de “gestão de emoções” em três turmas do 1º ano e em outras tantas do 2º, da Teixeira de Pascoais. Na aula que a VISÃO presenciou, não houve tempo para pôr à discussão um quarto boneco. É o desenho de uma criança que testemunha uma situação violenta e que se prepara para “esconder os olhos com as mãos”, explica Andreia Nogueira. Antecipa o presidente da Associação de Pais, Rui Silva: muitos alunos trazem de casa as frases “não sejas queixinhas” e “deixa-os resolver entre eles”. A velha ordem, de não ver, não ouvir e não falar, ainda resiste.

DICAS PARA PAIS PREOCUPADOS

Se o seu filho for agressor…

Não negue o problema

Responsabilize-o pelos seus atos

Elogie-lhe os comportamentos positivos

Diminua o nível de agressividade – da TV, dos jogos e da dinâmica familiar

… E se for vítima

Escute-o de forma compreensiva

Não o culpe nem desvalorize a situação

Ajude-o a desenvolver competências pessoais e sociais

Dê-lhe apoio num plano de ação, mas respeitando o seu ritmo

Fonte: Visão

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