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Brincar às escolinhas – Filinto Lima

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Em 2017, foram editados dois livros de exercícios – o Bloco de Atividades para Rapazes, com capa de azul predominante, e o Bloco de Atividades para Meninas, com capa dominantemente rosa -, destinados a crianças dos 4 aos 6 anos, contendo 62 atividades, com resolução de grau de dificuldade semelhante. De imediato, instalou-se intensa polémica, reforçada pela recomendação da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, que apoiava a retirada dos livros do mercado. Dispêndio de tempo precioso em “altercação vapor”.

O ano passado, por esta altura, a discussão versava sobre a escolha das casas de banho pelos alunos, e inflamaram-se as vozes reinantes, expressando opiniões fantásticas (!) que serviram todos os gostos. Como vem sendo habitual, não acreditaram na autonomia das escolas, nem na capacidade de gestão das direções executivas e, no final, a montanha pariu um ratinho.

O prólogo deste ano letivo anunciou novo debate, desta feita em torno da pertinência da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, criada em 2017. Entre os opositores à manutenção da disciplina surgem personalidades maioritariamente de direita, enquanto que a defender a sua continuidade erguem-se personalidades de esquerda. Sem colocar em causa o direito à participação cívica dos cidadãos, lamento o timing escolhido, mais ainda a ausente robustez da argumentação brandida, assemelhando-se a um desfile desbotado de crenças e ideologias, esquecendo-se de auscultar a parte mais interessada e com maior legitimidade para assumir as honras da questão: os alunos.

O denominador comum aos três cenários acima mencionados aponta para uma tentativa clara de aproveitamento político dos factos, que ainda que devam colher o respeito e a atenção geral, tanto mais por se circunscreverem à área da Educação, não podem desmerecer seriedade e rigor na análise.

Estou convicto que certas figuras, de elevado reconhecimento público em setores que não são os da educação ou formação de docentes, e para os quais nunca contribuíram de forma relevante, intrometem-se abusiva e despropositadamente neste âmbito, procurando integrar um “número” para o qual, suspeito, só emprestam o respeitável nome.

Não basta ter passado pelos bancos das escolas para se julgar capacitado e certificado para opinar sobre Educação, o que até não me pareceria de todo reprovável, não fosse o caso de o fazerem num registo similar aos comentadores de bancada quando debatem futebol!

A Escola exige melhor tratamento!

Fonte: TSF

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