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Bravio | O número de alunos por turma explicado a totós

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Mais um excelente texto do Bravio que junta irreverência a uma argumentação esclarecida.

Galinhas

Finalmente, pude furtar um milímetro ao tempo, para me sentar aqui, diante de vós, e soltar algumas aves (umas brancas outras negras) que estiveram, durante estes dias, engaioladas no meu âmago.

Tenho visto, com muita perplexidade, certos professores colarem-se ao perverso receituário de David Justino, no tocante às alternativas à redução do número de alunos por turma. Um deles disse tantos disparates, que acabei por varrer, do Bravio, o link do seu blogue. Como não acredito que um professor experiente possa defender tais posições de boa-fé, só posso concluir que se trata de um “adesivado”, um daqueles cidadãos que põem os dogmas e os interesses do partido (ou individuais) acima dos interesses da Escola Pública. Adiante, que já não é o primeiro nem será o último.

Como professor, sou a coisinha mais modesta deste mundo. Todavia, não admito que me neguem o saber de experiência feito. E tal saber diz-me que esse punhado de medidas alternativas (paridas pelo CNE e perfilhadas por alguns “missionários”) não passa de um logro. Pode ser involuntário, bem-intencionado, mas é um logro. Para não me repetir, nem sequer vou mencionar as ofensas profissionais e intelectuais subjacentes à espantosa “terapêutica de substituição”. Já o fiz nos dois artigos precedentes. Posicionar-me-ei, pois, no cerne (pedagógico) da questão.

Uma turma numerosa (mais próxima da trintena) e uma turma bem dimensionada (mais próxima da vintena) são suas realidades pedagógicas radicalmente diferentes (não me venham com tretas!). Salvo raras exceções (há sempre exceções), as regras são estas:

– o tempo útil de aula aumenta em proporção inversa ao número de alunos;

– aumentando o tempo útil de aula, aumentam exponencialmente as possibilidades de aprendizagem, porque não é constantemente interrompida a relação do aluno com os conhecimentos que está a tentar adquirir ou a exercitar;

– com menos alunos na turma, o professor tem mais possibilidades de individualizar a sua ação;

– em turmas mais reduzidas, cada aluno tem mais tempo para pôr as suas questões, para intervir, para ler (textos e respostas suas), para se exercitar…;

– os alunos mais tímidos, ou menos confiantes, têm mais possibilidades de superação desses constrangimentos em grupos menos numerosos;

– turmas mais reduzidas significam também menos alunos (no total) por professor, o que lhe permite trabalhar muito melhor com todos e com cada um dos seus discentes (solicitando mais trabalhos para correção, em casa; podendo  fazer outras opções relacionadas com a natureza desses trabalhos; tendo mais tempo para fazer  comentários e sugestões de correção em cada um desses exercícios, fazendo, desse modo, um trabalho específico e individualizado absolutamente insubstituível);

– com turmas reduzidas, os professores podem aumentar o número e a natureza das fichas de avaliação formativa, tão importantes para a regulação e autorregulação da aprendizagem;

– com grupos mais reduzidos, os Diretores de Turma podem, também eles, ter melhor  conhecimento dos alunos, abranger e acompanhar os seus problemas de forma muito mais próxima e eficiente, daí resultando, forçosamente, uma melhoria da informação que podem fazer chegar aos professores do conselho de turma.

Muito outros argumentos podiam ser explanados. Contudo, não valerá a pena, pois creio que esta matéria é tão clara, que só não a vê (ou não pode ver) quem sofre de fotofobia, quem teima em ser o mais cego dos cegos (os que não querem ver) e os mal-intencionados, aqueles que acham que uma Escola Pública de qualidade é uma arma perigosa contra as desigualdades deste mundo.

Luís Costa

Bravio

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