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Boas Práticas | III Jornadas Pedagógicas do Agrupamento de Escolas Monte da Lua – Sintra

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O Agrupamento de Escolas Monte da Lua teve a amabilidade de fazer um resumo das suas jornadas parlamentares com o tema Indisciplina, o antes e o depois… perspetivas de sucesso. Uma boa prática de uma escola que está atenta e que procura soluções para um problema transversal. Parabéns!

III Jornadas Pedagógicas AGML

Indisciplina, o antes e o depois… perspetivas de sucesso

Foto1Pensar a educação, nos dias que correm, passa, quase necessariamente, por analisar a indisciplina como uma das condicionantes que mais afeta a ação dos educadores, daí a pertinência do tema das III Jornadas Pedagógicas AGML – “Indisciplina, o antes e o depois… perspetivas de sucesso”, realizadas no auditório da Escola Secundária de Santa Maria, no dia 8 de julho.

O tema ganha maior relevância no caso português, já que, como o comprovam dados da OCDE, relativos a 2013, o tempo efetivo de ensino/aprendizagem é afetado, de modo muito significativo, pelo tempo gasto pelos docentes a manter a ordem na sala de aula.

As duas representações iniciais, feitas por alunos do 1º ciclo (“Crescer em harmonia”) e do ensino secundário (“Nós somos a escola”), deram o mote ao tema das jornadas, mostrando, de forma lúdica e muito expressiva, como o clima propício à aprendizagem, que se espera poder encontrar na escola, pode ser afetado pela indisciplina.

As intervenções que se seguiram, com abordagens plurais da indisciplina enquanto fator indissociável do sucesso educativo, permitiram o tratamento holístico da questão que a Diretora do AGML apresentou como objetivo deste encontro de partilha de experiências de quem lida diariamente, no concelho de Sintra, com crianças e jovens alunos, no dizer do vice-presidente da Câmara Municipal de Sintra, “a mais alta tecnologia que existe no mundo”.

Após a apresentação da experiência inovadora sobre “o antes e o depois” da indisciplina no AE de Carcavelos pelo seu diretor, Adelino Calado, para quem, muitas vezes, “o ensino aos alunos do século XXI é feito em escolas do século XX com métodos do séc. XIX”, a doutora Raquel Santiago enfatizou a importância da intervenção precoce e do envolvimento das famílias na prevenção da indisciplina, bem como o desafio que é para o educador a descoberta das causas da agressividade, quer ativa, quer passiva, dos alunos, de modo a que, invertendo o ciclo do conflito, aquele consiga reagir “como um termóstato”, que controla e regula os comportamentos, e não “como um termómetro”, que apenas mede a temperatura.

foto2No debate que se seguiu, ficou clara a diversidade de perspetivas acerca da indisciplina e das suas possíveis causas e formas de remediação ou superação: o professor doutor Santana Castilho, depois de afirmar que a indisciplina é essencialmente “uma questão política”, referiu que ela se pode associar a uma certa ideia, errada mas muito em voga, de que o estudo realizado na escola se faz sem esforço, trabalho e disciplina, sublinhando a necessidade de promoção de uma cultura de responsabilidade, sem contemporização dos comportamentos que contrariem a missão primordial da escola, que é “ensinar e mediar aprendizagens”; por outro lado, a professora doutora Celeste Simões, que reforçou a importância da resiliência, e a doutora Susana Amaral, ao sublinhar a psicologia positiva, apresentaram uma outra vertente de abordagem do tema.

À tarde, a professora doutora Carolina Carvalho, apoiada em dados de investigação, recordou as diversas significações da indisciplina, nomeadamente no ponto de vista do docente, sublinhando que aquela resulta essencialmente de um “problema de relação e de mensagem”, cuja resolução passa pela corresponsabilização de todos os intervenientes no processo. Por fim, seguiram-se as salas de partilha, onde, em pequeno grupo, se trocaram experiências quanto à forma de lidar com situações de indisciplina.

Destas jornadas, cuja continuação foi anunciada para setembro pela diretora do AGML, ficou, na numerosa assistência, a consciência reforçada da pluralidade de aspetos associados à indisciplina, bem como a necessidade de uma atitude informada e sem tibieza por parte dos educadores, que, de modo a cumprir a sua tarefa, deverão combater a insensatez que é, tal como lembrou Einstein, “insistir em agir sempre da mesma maneira e esperar resultados diferentes”.

O8 de julho, Escola Secundária de Santa Maria – Sintra

Rui Ferreira

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