Home Rubricas Boa ou Má gestão dos concursos?

Boa ou Má gestão dos concursos?

569
4

Foram recentemente publicadas as listas relativas aos concursos de professores em mobilidade interna e contratação inicial.  Contrariamente aos outros anos, as listas da mobilidade interna apenas contemplaram os horários completos, que veio trazer uma inesperada surpresa e indignação de professores de QZP mais graduados, os primeiros que ficaram colocados nesses horários,  mas que na sua maioria ficaram mais longe das suas residências do que habitualmente, enquanto outros menos graduados,  provavelmente deverão ficar colocados numa escola mais próxima das suas casas.

O ME com esta pequena alteração,  na forma de colocação dos professores,  atinge assim dois objetivos:

  • Faz uma gestão dos seus recursos humanos mais economicista.

Estas listas trouxeram à discussão o facto de muitos professores do quadro não terem horários letivos  completos, apesar de receberem o seu ordenado  na totalidade e criando-se assim um precedente de injustiça na graduação profissional em nome da boa gestão dos recursos humanos. No entanto, ainda muitos professores do quadro ficarão colocados em horários incompletos que não corresponderão à sua componente letiva. Por aqui poderemos perceber que a poupança não será assim tão significativa.

  • Reduz significativamente os horários completos e anuais para contratação ( que é neste momento um dos critérios essenciais para abertura de vagas para vinculação).

Como consequência direta desta alteração,  teremos também um número residual de horários completos e anuais para professores contratados, que mantendo-se as regras para vinculação extraordinária e norma travão, impedirão a entrada nos quadros a muitos professores com muitos anos ao serviço do ensino público.

Parece-me a mim, que a única solução para mais estas incongruências e outras nos concursos, é os professores exigirem a reversão dos cortes herdados do ex ministro da educação Nuno Crato, que na sua maioria continuam em vigor. Ora, foram essas alterações, que degradaram as condições de trabalho dos professores ( aumento do nº de alunos por turma, corte nas horas das disciplinas, cargos que deixaram de estar integrados na componente letiva etc…) e  criaram este desfasamento entre número de professores e o número de horários completos.

Talvez se o ME pensar bem, provavelmente uma melhor gestão de recursos humanos,  será não existirem professores dos quadros com horários incompletos, nem   professores com 15 ou mais anos de serviço com contratos precários, apesar de poder implicar um pequeno aumento da despesa, mas que também seria em nome da defesa da qualidade, do rigor e da excelência do serviço público de educação.

Para isso bastava cumprir uma promessa eleitoral,  a redução efetiva do número de alunos por turma.

Álvaro Vasconcelos, professor contratado

 

4 COMMENTS

  1. Factos:
    Horários completos para os mais graduados, para trabalho igual salário igual. Para trabalho “superior” (leia-se mais horas) maior ordenado.
    Não deveria de existirem horários incompletos, é injusto termos 2 professores com 22 horas e outro com 10. O justo seria cada um ter 18 horas. E também falo pelos contratados, não deveriam de existir horários INCOMPLETOS.
    Expliquem aos contribuintes que irei pagar a um professor do quadro 10 horas pelo preço de 22, e depois contrato um docente para as 22 horas (em vez das 10 horas).
    O professores QZP concorreram a esse QZP, se não interessa não concorriam.
    Concordo que seja tudo colocado apenas pela graduação, mas … Mobilidade por doença, Destacamento por condições específicas, colocações sigilosas …
    Acabar com a “norma travão” é inconstitucional e viola directivas da CE (e eu sou contra a norma travão).
    Acabar com os técnicos especializados, criar Grupos de Recrutamento para todas as áreas. Este ano já contabilizei mais de 200 técnicos especializados, dos quais mais de 50 já estiveram enquadrados em GR (eletrotecnia, mecânica, contabilidade) e outros que estão enquadrados em GR (Educação física, música)
    A realidade:
    É uma chatice ir para longe de casa, é sim, mas também é uma chatice um colega estar no 167 com 1518 e outro no 370 com 3364, falo do iliquido porque o líquido não é culpa do Ministério da Educação, mas dim das políticas sociais, segurança social e ministério das finanças.

    • Muito bem dito, Sapinho! Plenamente de acordo.trabalhas 10, recebes 10, não recebes 22…..Muito mal habituados. Coitadinhos, ficaram longe…não tivessem concorrido para longe. MENOS, MUITO MENOS.

      • Anónima, se trabalham 10 devem de receber por 10, mas os horários devem ser distribuídos equitativamente, eu conheço casos no passado de colegas com 12 e 14 horas (apesar de receberem pelas 22) e ainda se gabavam do caso.
        Quando a direcção lhes propunha outras atividades (bibliotecas, apoios …) ainda se mandavam ao ar e diziam o meu horário é de 14 horas.
        Sou contra os horários incompletos, inclusive para os contratados. Reduzir o número de alunos por turma, apoios, horas de biblioteca, clubes. TODOS com 22 horas (sou a favor das reduções por tempo de serviço e idade)

  2. Educação ( pais) só melhora qdo a educação (classe docente incluida) for respeitosa e respeitável. Pessoas com 12 anos de serviço são necessidades provisórias? Constatação triste: “A geringonça pariu um rato!”

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here