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Bloco Irá Propor Fim Dos Exames Do 9.º ano

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A deputada Joana Mortágua anunciou nesta sexta-feira que o Bloco de Esquerda vai apresentar um projecto de lei na Assembleia da República para acabar com os exames do 9.º ano. A deputada bloquista não disse, porém, se o fará ainda nesta legislatura.

O anúncio foi feito durante o debate dos dois projectos de resolução do CDS e do PCP que recomendam ao Governo que estude a reorganização dos diversos ciclos de ensino, desde o básico ao secundário, em nome da “continuidade pedagógica”. O PS alegou que a discussão é extemporânea e que o assunto nem sequer está no programa de Governo.

Mas ainda assim acabou por se abster na votação dos dois diplomas. Porém, apenas o do CDS foi aprovado – o PS e o PAN abstiveram-se e todas as outras bancadas votaram a favor. O projecto de resolução do PCP foi chumbado com o voto contra do PSD e a abstenção do PS.

No debate, Joana Mortágua realçou que o Conselho Nacional de Educação considera que a organização dos ciclos de ensino é um “problema estrutural” que contribui para o insucesso escolar. A deputada bloquista acrescentou que “os programas, as metas e os currículos de Nuno Crato também são factores de insucesso escolar, assim como a cultura de retenção, o excessivo peso dos exames nacionais e a ligação entre a conclusão do ensino secundário e o acesso ao ensino superior“.

“Em nome da continuidade pedagógica que o CDS aqui traz à discussão, o Bloco de Esquerda vai apresentar um projecto para acabar com exames do 9.º ano que neste momento é um anacronismo nesta segmentação que não deve existir entre ciclos de ensino e que impede essa continuidade pedagógica”, afirmou Joana Mortágua, que depois criticou o CDS por, quando era Governo com o PSD, ter introduzido exames nos 4.º, 6.º e 9.º anos. “O seu Governo introduziu exames até no ciclo que a sra. deputada diz que não devia existir”, ironizou Mortágua para a centrista Ana Rita Bessa.

Pelo CDS, a deputada Nilza de Sena criticou a “forma avulsa, pontual, desgarrada e fora de uma visão de conjunto da educação” em que funcionam o Bloco e o PCP em matérias educativas. E quis saber se os comunistas, ao proporem a reorganização e futura fusão dos dois primeiros ciclos de ensino, também concordam com o prolongamento da monodocência até ao 6º ano (o que implicaria a redução de professores nos 5.º e 6.º anos) e o fim das AEC — actividades extra-curriculares ou o seu alargamento a esses dois últimos anos.

A centrista Ana Rita Bessa haveria de responder ao PS que o programa de Governo prevê a promoção de uma “maior articulação entre os três primeiros ciclos”, mas que actualmente só o PS que está no poder não concorda com isso, citando vários ex-ministros da Educação socialista que se têm afirmado a favor da reorganização dos ciclos de ensino. E lembrou à bloquista Joana Mortágua que em 2003 o Bloco de Esquerda chegou a propor no Parlamento essa mesma fusão.

Fonte: Público

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4 COMENTÁRIOS

  1. PROFECIA…
    1º Fim da avaliação externa. Nivelação por baixo, muito baixo, da Escola Pública. Aprendizagens curriculares deficientes numa boa parte do ensino público 2º – Fim dos exames de acesso à universidade. 3º – Acesso ao superior definido por cada uma das Universidades; 4º Alunos das Escolas Públicas a não terem entrada nos cursos mais procurados, e para os quais não terão conhecimentos curriculares ?, competências? 5º- Alunos dos colégios particulares, que não se podem dar ao luxo de baixar o nível de exigência, a entrarem para as universidade e cursos com maior prestígio social. 6º Descrédito absoluta da Escola Pública e caminho aberto para a privatização, municipalização e maior perca de autonomia.
    Não tenho bola de cristal está à frente dos meus olhos… eu apenas observo os factos…

    • A avaliação externa não deve acabar, mas a escola precisa de deixar de ser refém dos exames. O ensino secundário não fomenta a preparação para a sociedade, fomenta a preparação para os exames.

  2. Expliquem aos pais como se prepararão os alunos na escola pública para terem acesso aos melhores cursos, os 30% que querem seguir o ensino universitário podem ficar reféns dos 70% que não se sentem motivados para seguir cursos universitários e que escolhem não estudar para se dedicarem a assuntos mais prazeirosos e práticos? A escola tem procurado dar respostas diferenciadas aos vários perfis de alunos, mas a nova corrente educativa considera isso desigualdade, porque os 70% que optam por percursos diferenciados, com currículos vocacionados para percursos não universitários, ficam impedidos de aceder pela via normal ao ensino superior. Ou seja, não poderem aceder nas mesmas condições ao ES é discriminatório! Por essa Europa fora, todas universidades de prestígio são discriminatórias.
    Então tratar de forma diferente o que é diferente, parece que não é democrático… Oferecer um ensino exigente, virado para o prosseguimento de estudos científicos é antidemocrático, porque muitos alunos não o querem e, coitadinhos, se estudarem outras coisas mais de acordo com o seu perfil, estarão a ser discriminados… Assim, qual é o caminho? Garantir a igualdade escolar (chama-se inclusão plena) através de uma oferta curricular à la carte, com um perfil mínimo de competências transversais acessível a todos , com sucesso garantido por via legal. E depois? A escola pública lavará as suas mãos… À boa maneira marxista totalitária, garantirá a igualdade curricular, quem quiser ser diferente, seja-o por conta própria! Como pode haver tanta leviandade a tratar assuntos tão sérios ao sabor de ideologias políticas eleitoralistas que usam a escola pública como se fosse o seu quintal?
    Claro que professores mais velhos, que conhecem gerações de alunos, de pais, de políticos e que sabem que só com esforço, resiliência e muito trabalho se obtém sucesso, seja em que área for, veem que estas manobras servem apenas servir agendas políticas pouco dignas. Nenhum político quer pagar o preço de oferecer uma escola pública de qualidade, porque a qualidade, quando se trata de adquirir conhecimento, é naturalmente elitista; poucos de entre todos, estarão dispostos a sacrifício pessoal para ter sucesso num futuro incerto e longínquo.
    Esta tarefa ficará para as boas escolas privadas, que continuarão a oferecer o que muitos pais procuram, mas nem todos poderão pagar, infelizmente!
    Numa última nota, registo com tristeza e perplexidade o chavão de que a escola actual não forma cidadãos para o século XXI, como se a escola, desde que existe, não formasse sempre cidadãos para o futuro incerto e desconhecido, com base nos valores e cultura vigentes no momento do ensino. Parece que o conhecimento científico, histórico e filosófico se tornou ideologicamente inimigo da cidadania plena, pelo simples facto de que nem todos estão dispostos a sacrifício para o obter. O que é diferente é discriminatório, portanto, elimine-se!

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