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Basta de professores migrantes

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A revolta dos professores de quadro que foram “disparados” para os quatro cantos do país, indiciava o que agora estamos a assistir. Centenas de baixas médicas onde o mal estar psicológico é seguramente a causa número um.

Mas esta “crise” deve servir também para denunciar outra ainda maior. A anual migração de professores contratados que também eles deixam as suas famílias e que também eles são colocados a centenas de quilómetros. Não se trata por isso de um problema do professor “A” ou “B”, de quadro ou contratado, trata-se de um problema sistémico que persiste e que Governos sucessivos são incapazes ou não se atrevem a resolver. E quando refiro atrevem, é porque a própria solução (estabilização das colocações) não é do agrado dos professores, correndo o ministro de Educação o risco de lidar com um motim ao estilo “Maria de Lurdes Rodrigues”.

O fator emocional é um entrave ao desempenho profissional, isto é factual, e quando o Ministério de Educação insiste no perfil do aluno do século XXI, pergunto, e o professor do século XXI? Não existe? Não é necessário? Até quando é que este tem de ser nómada, ou um tapa buracos ainda por cima em formato congelado?

Os professores não são números, não são uma tabela de Excel, são profissionais que devem ser tratados como profissionais. A exigência do cargo deve ser pedida, sim, mas quem norteia os professores deve também pugnar pelo profissionalismo e não repetir erros amadores que não dignificam o seu mandato e a classe que lideram.

Sobre a veracidade dos atestados médicos, nada posso dizer, mas se algum deles é falso, tão grave é quem pede como quem o passa. Sempre me fez confusão o à vontade com que se diz “vou meter atestado”, afinal, quem fiscaliza os médicos?

Centenas de professores dos quadros que este ano foram colocados mais longe de casa, por causa das alterações feitas pelo Ministério da Educação (ME) ao concurso de mobilidade interna, estão a meter baixa médica, obrigando as escolas a contratar docentes substitutos.

“Os professores estão exaustos e ficam doentes e impossibilitados de trabalhar. Têm família, muitos com 2 ou 3 filhos, e não têm condições para fazer 300 quilómetros por dia”, disse ao CM Mariana Lopes, do movimento ‘Luta por um concurso mais justo’, acrescentando: “O ME queria poupar uns tostões mas a fatura vai ser caríssima”.

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, também confirma que estas professores “estão a passar um mau bocado, até em termos intelectuais e mentais, e por isso recorrem a atestados médicos”.

“Não posso dizer que são falsos, uma vez que o atestado aplica-se quando há constrangimento físico, psicológico e social “, afirma Filinto Lima, frisando que esta situação “obriga as escolas a contratar outros professores, o que demora sempre algum tempo, ficando os alunos entretanto sem aulas, além de implicar maior despesa para o Estado”.

O CM questionou o Ministério da Educação sobre o número de atestados médicos apresentados por estes professores, mas não obteve resposta.

Professores deslocados disparam baixas

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