Home Vários Balanço dos primeiros dias de E&D II.

Balanço dos primeiros dias de E&D II.

431
1

Nos primeiros dias do ensino à distância, de emergência, o meu rácio de alunos sem ligação às aulas é de 2 em 22, um ainda sem explicação conhecida, outro por avaria do equipamento, a que não tem direito pela escola, por não ter escalão. Este rácio melhorou em relação a março/abril de 2020, mas continuamos a ter desigualdades. As melhorias resultaram de alunos terem recebido os portáteis do ministério. Também constatei que o recurso aos telemóveis é bastante menor.

Também melhorou a postura dos alunos, que agora têm a câmara ligada e apresentam-se vestidos. Aos pais que defendem que os alunos podem ir de pijama quero dizer que estão a retirar a dignidade à escola, pois que eu saiba um código de apresentação tem a ver com a dignidade do acontecimento e ir à escola, pela sua importância para a vida do seu educando e pela necessidade de socialização, é importassimo, mostrando ao jovem que certos eventos exigem um código de apresentação.

Do lado dos professores, eu não dou mais de 20 minutos de apresentação de matéria para alunos do 12º, apostando na leitura de um texto pelos alunos e resposta a questões com ele relacionado, aqui com a duração máxima de 30 minutos, pois a capacidade de concentração não é a mesma que numa sala de aula. A internet falhou-me uma vez. As respostas às questões semanais contam para avaliação e são enviadas por fotografia de manuscritos, como forma de assegurar que não há «copy e paste». Também espreitei para as aulas da minha filha e constatei que um colega utilizou os 40 minutos para expor matéria, o que me parece contraproducente neste ensino de emergência. Já a professora de matemática apostou na resolução de exercícios, durante as sessões síncronas. Na aula de coadjuvação a matemática as duas professoras trabalharam com alunos diferentes, não me tendo apercebido do critério para a divisão de alunos, que não foi dividir os alunos em duas metades.

Do exposto, concluiu que este novo ensino de emergência tem por um lado melhorias resultantes dos equipamentos que chegaram às escolas, mas ainda alunos sem ligação às aulas e portanto, continua o acentuar das desigualdades. Há professores que se adaptaram à lógica deste ensino de emergência, mas ainda há quem não se liberte do tradicional. As falhas são acima de tudo imputadas ao ministro (a minúscula é deliberada) e fica-lhe mal acusar os diretores de terem dito que 100.000 eram os equipamentos necessários. Culpa de diretores também há, pois nalguns é recorrente a falta de bom senso, como algumas adaptação de horários ao ensino à distância mostram (além dos blogs este tema aparece na capa do Público de hoje).

 

1 COMMENT

  1. ano passado os meus alunos andavam a pastar gado, nem rede tinham, muito menos computadores. Hoje, numa cidade cosmopolita, eles têm mais equipamento que eu… Só a escola física pode nivelar –
    o resto é conversa fiada.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here