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Avaliar à Milésima – Fátima Ventura Brás

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“A avaliação constitui, assim, uma das fases fundamentais do desenvolvimento curricular e centra-se na avaliação do processo e dos resultados obtidos…” (ZABALZA, 1992)

Pode-se dizer que, ao avaliar, os docentes o fazem a dois níveis:  o nível da regulação e verificação da aprendizagem conseguida pelos alunos e o nível do processo de desenvolvimento curricular, da sua adequação ao nível etário, extensão, interligação disciplinar e coerência do currículo.

Desde que iniciei funções, no início dos anos 80, a definição, a forma e os instrumentos avaliativos têm tido alterações significativas. No entanto, na minha prática letiva, pouco as notei. Cedo comecei a usar “Grelhas de Correção de Testes” e a discutir com os alunos a respetiva avaliação: eram as indicações do Ciclo Preparatório TV (5.º e 6.ºanos) onde lecionei durante um quarto de século. Todavia, esta não era prática corrente em todos os tipos de ensino.  Roldão (2006) é de opinião que “quando se analisa este conceito, mesmo em termos da decisão que os professores tomam no momento de atribuir uma nota ao aluno, o que está em jogo é um conjunto complexo de operações que não podem ser reduzidas à “média” de um ou dois instrumentos de avaliação, como na generalidade são designados por “testes.”

Significa isto que a Avaliação é algo que deve ser realizado com o aluno, naturalmente, que é ela própria uma aprendizagem, uma forma de reconhecer onde se falhou, como emendar e melhorar. Quando um aluno me alerta: “Professora, ainda não disseste a data dos testes,” eu respondo-lhe que a avaliação é naquele momento, é em todos os momentos, sempre que estamos no interior da Escola ou em atividades escolares. Durante o processo avaliativo, a atitude do professor a orientar e aconselhar, dos outros alunos a criticar positivamente e a incentivar (para isso têm de ser educados civicamente) é fundamental para que se ultrapassem dificuldades e se melhore a aprendizagem.

Por tudo o que referi, não consigo aceitar a proliferação de “Grelhas”, acentuada com o ensino à distância- sim, os professores mostram trabalho, mas, não atirem tiros aos pés!- com uma avaliação quantitativa, milesimal, para alunos dos primeiros anos de escolaridade, que deveriam eles próprios conhecer e discutir os Critérios de Avaliação com os professores e sugerir alterações, se oportunas!!

Como sou suspeita, por defender Critérios simples, acessíveis, compreensíveis por encarregados de educação e pelos alunos a que se destinam, cito Santos (2002): a autora  menciona os processos de autoavaliação como “sendo a via primordial para regular as aprendizagens”. Aponta, ainda, estratégias que os professores podem utilizar para desenvolver este processo, tais como, a abordagem positiva ao erro, o questionamento, a explicitação de critérios de avaliação ou o recurso a instrumentos alternativos, como os portefólios.

A heteroavaliação ou a coavaliação são momentos em que a disciplina na turma é posta à prova, a interação entre os alunos exige esforço de moderação ao professor, mas é assim que se desenvolvem competências vocabulares e comunicacionais, para além das sociais e de respeito mútuo. Uma avaliação formativa, diária, requer sensibilidade, conhecimento de vários fatores que nenhuma tabela ou grelha conseguirão registar, embora estas sejam instrumentos auxiliares úteis que devem ser utilizados como registo de dados objetivos. Apenas isso, penso eu. Meios auxiliares.

Como podem os docentes, os pedagogos, querer delegar em “Grelhas de programas informáticos” o processo avaliativo de seres humanos? Não é lógico que cada um de nós parte de um ponto diferente, faz um esforço diferente, encontra diversos obstáculos no caminho e por esses motivos, mesmo que chegue à meta ao mesmo tempo, nunca pode ser avaliado por uma média aritmética? Não é único cada Ser HUMANO?

 

                                                    Fátima Ventura Brás – Professora do 1.º Ciclo

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