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Avaliação: No Momento De Dar Notas, Onde Fica A Equidade? – Margarida Amador

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E eis que andamos todos baralhados e confusos com aquilo que sempre foi o trunfo mais odiado de qualquer professor: a avaliação. Sempre foi um indicador para o aluno da evolução da sua aprendizagem e, para o professor, do caminho que deve traçar após cada momento de avaliação. Mas com a diversidade de modos de avaliar, qual o método mais eficaz e com melhor retorno para cada um dos intervenientes?

Acabámos de sair das avaliações sumativas do final do 1.º período, para quem ainda funciona por trimestres, e lá tivemos que fazer o cocktail de ponderações, onde a maior diversidade de instrumentos deve possibilitar que todos os alunos consigam ter sucesso e garantir a aquisição de competências e construção de conhecimento.

Fica sempre a sensação de nivelamento, na maioria das vezes por defeito, no feedback que damos relativamente às aquisições que os alunos vão fazendo. E, nesta altura, lá voltam alguns professores, incomodados com quantificações e qualificações na avaliação, a pensar para que servem tantos momentos formais de avaliação?

Quantos momentos de avaliação formal podem ser dispensáveis ao longo de um ciclo ou de vários ciclos? Porque continuamos a considerar que são imprescindíveis?

A evolução das aprendizagens não se faz porque termina o trimestre e os professores têm de dar notas. A maior parte da aquisição e construção do conhecimento acontece em momentos de avaliação informais, todos os dias, em diversos contextos de aprendizagem, que não têm de ser forçosamente dentro de quatro paredes. E, nesses momentos, aluno e professor sabem que subiram um degrau e que já se estão a lançar a outro patamar.

Algumas vezes, e não são poucas, quando chegam os momentos formais de avaliação, por canais de comunicação que não são amigáveis para todos no grupo de alunos, fica tudo estragado: os estudantes perdem o entusiasmo, nivela-se por baixo e os professores ficam com a batata quente da promoção do sucesso nas mãos. Quantos professores não ouviram dizer que sabem que os seus alunos sabem mais do que mostram ou que revelam estar aquém dos conhecimentos que vão mostrando nas aulas, que oralmente e de modo informal conseguem responder, mas que depois ‘espalham-se’ no teste?

O esforço para incluir instrumentos de avaliação informal na avaliação sumativa formal está aí, e é aí que a equidade terá a sua maior prova, mais do que a inclusão, a equidade é a grande medida do sucesso para todos. E estamos todos a fazer um esforço por nos apropriarmos desta mudança e nos comprometermos com a equidade. Mas ainda continuamos a esbarrar com a avaliação sumativa formal com o mesmo instrumento, no mesmo dia e à mesma hora para todos, em alguns estabelecimentos de ensino básico, mas sobretudo no ensino secundário. Como podemos querer um percurso de mudança que promova a equidade, se ainda temos estas quedas?

Fonte: Público

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